
A Apple anunciou nesta segunda-feira (20) que Tim Cook deixará o cargo de CEO em 1º de setembro de 2026, encerrando uma gestão de quase 15 anos à frente da empresa. Ele assumirá o posto de chairman executivo, e John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assumirá como CEO.
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Em uma carta aberta publicada no site da Apple, Cook descreveu sua passagem pelo cargo como "o maior privilégio da minha vida".
A transição foi anunciada sem grandes sinalizações prévias ao mercado. As ações da Apple (AAPL) caíram cerca de 1% nas negociações pós-fechamento desta segunda-feira, segundo a Reuters, refletindo a surpresa dos investidores com o timing do anúncio, que acontece uma semana e meia antes da divulgação do balanço trimestral da empresa, previsto para 30 de abril.
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Abaixo, o Canaltech traz os destaques do legado que Cook deixará na Apple.
Como Cook encontrou a Apple
Cook assumiu o comando em agosto de 2011, após a saída de Steve Jobs por motivos de saúde.
A empresa que ele recebeu já era bem-sucedida. O iPhone havia sido lançado em 2007, o iPad em 2010, mas valia cerca de US$ 350 bilhões e faturava US$ 108 bilhões por ano, segundo dados divulgados pela própria Apple.
Quando se torna CEO, Cook levanta no mercado o questionamento: ele conseguiria manter o ritmo de uma empresa moldada por Jobs? Não possuía o perfil do predecessor. Era um executivo de operações, vindo do setor de logística e cadeia de suprimentos, não um designer de produto ou visionário de palco.
Os 15 anos seguintes
Os números respondem à pergunta. Sob Cook, a capitalização de mercado da Apple saltou para mais de US$ 4 trilhões, valor mais de 10 vezes maior. A receita anual passou de US$ 108 bilhões para mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025, quase quatro vezes o que era quando ele assumiu.
A base de dispositivos ativos chegou a 2,5 bilhões ao redor do mundo. A empresa opera mais de 500 lojas físicas em centenas de países e territórios, com o número de países com Apple Store mais do que dobrado durante sua gestão, conforme comunicado oficial da companhia.
Em termos de produtos, Cook não criou nenhum dispositivo comparável ao impacto do iPhone original, mas ampliou o portfólio de forma consistente.
O Apple Watch, lançado em 2015, consolidou a Apple no mercado de wearables. Os AirPods, de 2016, ajudaram a redefinir o segmento de áudio sem fio. O Vision Pro, headset de realidade espacial lançado em 2024, representou a aposta mais ambiciosa em uma nova categoria de produto durante sua gestão.
Outro movimento central da era Cook foi reduzir a dependência do iPhone como único motor financeiro da empresa. A divisão de Serviços, que reúne Apple Music, iCloud, App Store, Apple TV+ e outros, se tornou um negócio de mais de US$ 100 bilhões por ano, tornando a receita mais previsível e aumentando o vínculo dos usuários com o ecossistema da marca.
Os desafios que ficam
A gestão de Cook também acumula pontos de tensão. A Apple foi criticada por não ocupar uma posição de liderança na corrida pela inteligência artificial, optando por integrar ferramentas de terceiros, como o Gemini do Google na Siri, em vez de desenvolver modelos próprios competitivos.
O Vision Pro teve recepção morna entre consumidores. Já o Project Titan, projeto secreto de desenvolvimento de um carro elétrico da Apple, foi cancelado após anos de investimento.
Quem assume o comando
A partir de setembro, John Ternus assume o cargo de CEO aos 51 anos. Está na Apple desde 2001 e trabalhou diretamente sob Steve Jobs antes de ser promovido por Cook. É responsável por produtos como o chip M1 e pelas versões recentes do iPhone e do MacBook. Em comunicado, prometeu "liderar com os valores e a visão que definiram este lugar especial por meio século”.
Na carta divulgada nesta segunda, Cook escreveu que Ternus passará os próximos meses ao lado dele na transição: "Ele é a pessoa perfeita para o trabalho", afirmou. Cook ressaltou também que permanecerá na empresa, como chairman, e terá papel no conselho e na estratégia de longo prazo, sem função operacional direta.
O que fica da gestão Cook
A herança de Tim Cook na Apple é menos sobre rupturas e mais sobre escala e consistência. Ele transformou uma empresa de produtos excepcionais em uma das maiores corporações da história, com operações em mais de dois terços dos países do mundo e uma base de usuários sem paralelo no setor de tecnologia de consumo.
Na carta aberta aos usuários da Apple, ele resumiu em termos pessoais o que foi a gestão: "Cresci em um lugar rural, em outro tempo, e nesses momentos mágicos, tive a chance de ser o CEO da maior empresa do mundo”.
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