Velocidade da Starlink despenca no Brasil após crescimento acelerado, revela estudo

A velocidade mediana da Starlink no Brasil chega a cair quase 40% ao longo do dia, após um período de forte crescimento no número de clientes. No primeiro trimestre de 2026, os downloads atingiram 149,5 Mbps por volta das 2h00, mas recuaram para 90,6 Mbps às 13h00, segundo um estudo da Ookla.

A análise associa a diferença à maior demanda sobre a rede durante o dia. Entre janeiro e maio de 2026, a base brasileira da Starlink cresceu 20,5% e passou de 656.413 para 791.052 assinaturas de banda larga fixa, de acordo com dados da Anatel.

Com isso, a companhia se tornou a 13ª maior provedora de internet fixa do país, com cerca de 1,4% do mercado. O Brasil também já aparece como o segundo maior mercado mundial da Starlink.

Velocidade cai nos horários mais movimentados

A queda não significa que todos os clientes recebam 90 Mbps de forma constante. Os números revelam um ciclo diário de congestionamento, no qual a conexão fica mais rápida durante a madrugada e perde desempenho conforme mais pessoas acessam a rede.

Nos dias úteis, a diferença entre a madrugada e os horários de maior demanda pode chegar a 43%. A piora também aparece entre os usuários com conexões mais lentas: o resultado do percentil 10 caiu de 17,9 Mbps durante a madrugada para 11,5 Mbps no começo da noite.

O jitter, que indica a variação da latência, também subiu de cerca de 6,5 ms para 9 ms durante o horário comercial. Quanto maior esse número, maior pode ser a instabilidade percebida em videochamadas, jogos online e transmissões ao vivo.

A mediana mensal também perdeu força após atingir um pico de 113,5 Mbps em dezembro de 2025. Em junho de 2026, o resultado já aparecia próximo de 92 Mbps.

Apesar da queda recente, a Ookla afirma que a diferença entre os melhores e os piores horários começou a diminuir. O intervalo entre o pico e o vale chegou a 48,9% no terceiro trimestre de 2025, mas recuou para 29,6% no segundo trimestre de 2026.

Starlink lidera crescimento entre grandes operadoras

Entre janeiro e maio, a Starlink adicionou 134.639 novas assinaturas líquidas no Brasil. O avanço ficou atrás apenas da Vivo, que ganhou 253.974 acessos no mesmo período, e superou a Claro, com 128.826 novos contratos.

Em termos percentuais, nenhuma das principais empresas analisadas cresceu tanto. A Starlink avançou 20,51%, contra 4,04% da TIM, 3,14% da Vivo e 1,21% da Claro.

O desempenho contrasta com empresas que perderam clientes no período. A Oi apresentou recuo de 4,54%, enquanto a Giga Mais Fibra caiu 5,56%.

O crescimento da internet por satélite acompanha uma mudança mais ampla no mercado brasileiro. O número de assinaturas dessa tecnologia passou de 43.164 em fevereiro de 2011 para 960.759 em maio de 2026. A expansão ganhou força após o início da operação comercial da Starlink no país, em maio de 2022.

Starlink participação Brasil

Presença é maior no campo, mas há mais clientes nas cidades

A participação da Starlink é muito mais relevante nas regiões rurais. Dados do Speedtest indicam que a empresa concentra 9,34% dos acessos analisados no campo, contra apenas 1,34% nas áreas urbanas.

No ambiente rural, a Starlink fica à frente da Claro, com 6,52%, e da Vivo, com 5,4%. A presença da TIM Live não chega a 1% nesse recorte.

A empresa também aumentou em 8,3% sua base líquida rural entre maio de 2025 e maio de 2026. Nas cidades, o crescimento ficou limitado a 1,32%, cenário no qual a Starlink enfrenta planos de fibra mais rápidos e normalmente mais baratos.

Ainda assim, em números absolutos, a companhia possui mais clientes em localidades urbanizadas. A Anatel contabilizou 347.990 assinaturas em áreas com alto grau de urbanização, contra 213.291 em regiões com baixo grau.

O estudo encontrou uma relação direta entre a presença da Starlink e a falta de fibra. Quanto maior a disponibilidade de redes cabeadas em uma região, menor tende a ser a participação da internet via satélite.

Portabilidade diferencia serviço da fibra

Outro ponto de destaque é a possibilidade de deslocar a antena entre diferentes locais. No primeiro semestre de 2026, 12,71% dos identificadores de rede da Starlink apareceram em pelo menos duas localidades.

Quase 5% foram encontrados em três locais ou mais. Entre Claro, Vivo e TIM, esse índice ficou abaixo de 0,3%.

A diferença sugere que parte dos clientes leva o equipamento para viagens, propriedades rurais ou endereços temporários. Essa flexibilidade não existe em uma conexão convencional de fibra, presa à infraestrutura instalada em cada imóvel.

Novos satélites podem aliviar congestionamento

Para a Ookla, o principal desafio da Starlink no Brasil passa a ser o controle do congestionamento nos horários de maior demanda. A rede depende de uma capacidade compartilhada, diferente das conexões por fibra que conseguem oferecer planos de 500 Mbps ou 1 Gbps com maior regularidade.

A empresa aposta nos futuros satélites V3 para ampliar essa capacidade. Segundo a Starlink, a nova geração poderá oferecer até dez vezes mais tráfego que os equipamentos atuais.

Esses satélites, porém, dependem do foguete Starship, que ainda passa por testes. Até que a nova estrutura entre em operação, a companhia terá de equilibrar o crescimento acelerado de assinantes com a capacidade disponível sobre o território brasileiro.

A Starlink tem crescido bastante no Brasil e, em breve, poderá começar a chegar direto nos celulares de clientes da Vivo.

{{WHATSAPP_CHANNEL}}