Web Summit Vancouver: IA que age, fraude que escala e Brasil no radar

*Daniel Pisano

Em Vancouver, um tema atravessou praticamente todas as palestras e painéis do Web Summit: a IA agêntica. Não a IA que responde perguntas, mas a que toma decisões, executa tarefas e opera de maneira independente.

No setor financeiro, isso já é realidade. Agentes de IA fazem compras, transferências e reconciliações de forma autônoma. O problema é que o setor ainda não sabe quem paga a conta quando um agente erra ou é manipulado. Hoje, essa responsabilidade recai sobre consumidores e comerciantes.

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Os fraudadores não esperaram o setor se organizar. Eles usam as mesmas ferramentas de IA que as fintechs e já estão à frente em vários fronts. Casos de executivos transferindo milhões para impostores em reuniões de vídeo falsas deixaram de ser exceção. É uma corrida sem linha de chegada, e o produto mais valioso dos próximos anos não vai ser um app. Vai ser a confiança.

Nesse mesmo cenário, a infraestrutura de pagamentos global está sendo refeita do zero. Por décadas, uma empresa brasileira que queria fechar negócio com uma parceira canadense dependia de uma cadeia de intermediários caros e lentos. A tecnologia blockchain está mudando isso, permitindo transações diretas entre moedas de países emergentes de forma transparente, sem passar por estruturas desenhadas para servir os grandes.

O que mais chamou atenção, porém, foi o que acontecia fora dos palcos principais. Em um evento no consulado brasileiro em Vancouver, diplomatas e empresários do Brasil e do Canadá debatiam uma aliança estratégica em formação, pouco comentada, mas com potencial enorme.

O Brasil tem o que o Canadá precisa: mercado continental, massa de dados, agronegócio em escala e uma posição geopolítica equilibrada num mundo cada vez mais polarizado. O Canadá tem o que o Brasil precisa: hubs de IA consolidados, capital e tecnologia em energia limpa. Um acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá, prestes a ser assinado, pode destravar essa equação.

Os exemplos concretos não faltaram. Uma empresa canadense apresentou uma semeadeira de precisão que reduz em 50% o uso de fertilizantes e está entrando no Brasil para apoiar pequenos agricultores, com um modelo já validado na Índia em parceria com a Mahindra. O Rio de Janeiro foi apresentado como polo de IA da América Latina, com dois data centers planejados e um hub tecnológico em implantação no centro da cidade. Não eram promessas, mas projetos com contratos assinados.

O Web Summit funciona como um termômetro dessa redistribuição de poder econômico, tecnológico e geopolítico em curso. E o Brasil não está à margem dessa conversa.

Relembre alguns dos principais destaques da cobertura do Canaltech no Web Summit Rio ano passado como a OpenAI explicando como seus modelos de IA são criados e a previsão do Google Cloud sobre o futuro da IA e a computação quântica.

Daniel Pisano Especialista Convidado

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