O YouTube detalhou por que determinados vídeos feitos com inteligência artificial ficam fora do seu programa de monetização, o YouTube Partner Program (YPP).
Segundo Matt Halprin, vice-presidente de Confiança e Segurança da empresa, três tipos de conteúdo classificados como "inautênticos" perdem o direito a receber pagamento, mesmo quando produzidos com ferramentas de IA. A explicação foi dada em entrevista ao canal Creator Insider e reproduzida pelo Engadget nesta quarta-feira (5).
A companhia não proíbe o uso de inteligência artificial na produção de vídeos. Halprin afirma que o YouTube é "agnóstico" em relação às ferramentas usadas pelos criadores. A mudança recente trocou o termo "conteúdo repetitivo" por "conteúdo inautêntico" nas diretrizes, exigindo que qualquer vídeo do YPP demonstre esforço e criatividade.
As regras valem apenas para quem busca monetização dentro do programa de parceiros. Elas não se confundem com as diretrizes gerais da comunidade, que proíbem nudez e discurso de ódio para todos os usuários da plataforma, independentemente de gerar receita.
Três categorias de conteúdo ficam fora do pagamento
A primeira categoria reúne vídeos genéricos, repetitivos ou baseados em templates, com pouca variação entre uma publicação e outra. Halprin classifica essa prática como "content farming", quando o canal é preenchido por vídeos padronizados criados apenas para gerar receita.
A segunda categoria envolve conteúdo classificado como perturbador ou angustiante, criado para provocar reação emocional e atrair visualizações. O executivo cita como exemplo vídeos que mostram animais em situação de perigo antes de serem resgatados, formato que a própria audiência do YouTube rejeita, segundo a empresa.
A terceira categoria mira o uso de "personas de IA", representações artificiais de pessoas reais empregadas para discutir temas sensíveis, como finanças, saúde e questões jurídicas. Canais com volume alto de qualquer uma dessas três práticas perdem acesso à monetização, independentemente de o conteúdo ter sido gerado por IA.
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Contexto do mercado
O volume de conteúdo gerado por IA no YouTube cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Reportagem do The Guardian, citada pelo Engadget, apontou que cerca de um em cada dez canais entre os que mais cresceram na plataforma tinha temática ligada à inteligência artificial. A palavra "slop", usada para descrever esse tipo de conteúdo de baixa qualidade, foi eleita palavra do ano de 2025 pelo dicionário Merriam-Webster.
A rejeição do público a esse tipo de material aparece em pesquisas recentes. Levantamento citado pela revista Fortune mostrou que apenas 26% das pessoas entrevistadas têm uma visão positiva sobre inteligência artificial.
Como identificar um vídeo feito com IA
O YouTube já aplica detecção automática de conteúdo gerado por IA, mas parte dos vídeos ainda passa despercebida. Um indício comum está na duração: vídeos mais longos aumentam a chance de erros perceptíveis, o que leva muitos criadores que usam IA a preferir clipes curtos.
A qualidade da imagem também funciona como sinal de alerta. Vídeos com aparência de terem sido filmados de longe ou com câmeras de baixa resolução dificultam a identificação de inconsistências, recurso frequentemente usado para disfarçar a origem artificial do material.
O oposto também pode indicar IA. Pessoas com cabelo perfeitamente arrumado, pele sem imperfeições e traços simétricos, especialmente em cenas de protestos ou guerra, costumam ser sinal de alerta. Sombras sem lógica física, joias posicionadas de forma estranha e reflexos incoerentes completam a lista de detalhes que denunciam o uso de inteligência artificial.
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