Android no desktop, fonte open source, Ubuntu se renova e KDE dá adeus ao Xorg

Android no desktop, fonte open source, Ubuntu se renova e KDE dá adeus ao Xorg

Sejam muito bem-vindos a mais um Diolinux News! O episódio desta semana chegou carregado de novidades que mostram como o mundo do open source e do Linux desktop segue em plena transformação. Temos rumores fortes sobre um novo sistema do Google para PCs, mudanças importantes no Ubuntu 26.04, uma bomba no universo do KDE com o fim do Xorg, novidades interessantes vindas do Canva e do Affinity, além de uma nova fonte open source do Google e até clássicos dos games liberados no GitHub.

Google pode abandonar o Chrome OS em favor de um sistema baseado em Android

Parece que o Google pode estar prestes a dar uma das guinadas mais interessantes da sua história no desktop. Segundo uma vaga de emprego descoberta pelo site Android Authority, a empresa estaria trabalhando em um novo sistema operacional que deve substituir o Chrome OS no futuro. O projeto tem nome interno de “Aluminium OS”, ainda sem confirmação se esse será o nome comercial, e chama atenção por um detalhe importante: ele é baseado diretamente no Android, mas com uma interface pensada especificamente para computadores desktop e notebooks.

A vaga indica que o sistema já estaria em um estágio avançado de desenvolvimento, e que seu foco principal é unir a base madura do Android com uma experiência mais tradicional de PC. Também fica claro que a integração de ferramentas de inteligência artificial é um pilar do projeto, alinhada à enorme aposta do Google no ecossistema do Gemini e em soluções de IA para produtividade.

Apesar de tudo isso, nenhum anúncio oficial foi feito, nem qualquer confirmação pública da empresa. Caso o sistema realmente veja a luz do dia, o mais provável é que ocorra um longo período de transição, com Chrome OS e este novo sistema convivendo por bastante tempo até uma eventual substituição completa.

O que fica é a expectativa: seria esse finalmente o passo definitivo do Google para oferecer um desktop mais poderoso, mantendo a base Android que já domina smartphones e tablets?

Google lança nova fonte open source: Google Sans Flex

Ainda falando em Google, a empresa anunciou recentemente o lançamento da Google Sans Flex, sua mais nova fonte disponível sob licença de código aberto. Diferente da tradicional Google Sans proprietária, a versão Flex foi desenvolvida pensando especificamente em telas digitais e foca em adaptabilidade e personalização.

Google torna a fonte Sans Flex open source

Com ela, designers podem ajustar peso, largura, altura e até o grau de arredondamento dos caracteres, tudo dentro de uma única família tipográfica. Esse comportamento “flexível” vem de tecnologias modernas de fontes variáveis, que permitem uma enorme variedade de possibilidades sem precisar carregar dezenas de arquivos diferentes.

A novidade conversa diretamente com o novo direcionamento visual do Android, que cada vez mais aposta em interfaces altamente customizáveis e identidades dinâmicas. Para quem trabalha com design, interfaces e criação de conteúdos digitais, a Google Sans Flex chega como uma adição bem interessante às já conhecidas Roboto e Noto, ambas também open source.

Diocast: Canva compra Affinity e chacoalha o mercado de design

Uma movimentação importante do mundo criativo foi o assunto principal do mais recente episódio do Diocast. Em 2024, o Canva adquiriu a Serif, empresa responsável pelo pacote Affinity (Photo, Designer e Publisher). Mas foi só em 2025 que veio a virada mais impactante: a nova versão do Affinity se tornou gratuita para uso geral, com cobrança apenas para recursos de inteligência artificial.

Isso representa uma mudança gigantesca em um mercado historicamente dominado pela Adobe, com soluções como Photoshop e Illustrator. Pela primeira vez em muitos anos, profissionais e estudantes têm acesso gratuito a um pacote de criação robusto, moderno e multiplataforma, o que pode representar uma verdadeira democratização no acesso a ferramentas de design.

No episódio, Eddie e Adriel, nosso designer aqui do Diolinux, conversam sobre o impacto dessa decisão, o fortalecimento do Canva nesse cenário e, claro, sobre o que isso tudo significa para o Linux desktop.

Affinity pode chegar de forma nativa ao Linux

E já que estamos falando de Affinity, uma declaração recente reacendeu a esperança da comunidade Linux.

Durante a inauguração de um escritório da Serif em Joanesburgo, o líder global de marketing do Affinity, Liam Fisher, afirmou que um port nativo para Linux é um dos pedidos mais frequentes dos usuários e que o tema está sendo discutido internamente com seriedade.

Embora ainda não haja qualquer confirmação oficial ou cronograma de lançamento, o simples fato da empresa reconhecer a demanda e considerar o desenvolvimento já é uma notícia extremamente positiva. Hoje, usuários conseguem rodar o Affinity no Linux por meio do Wine, mas nada se compara à experiência de um aplicativo nativo, plenamente integrado ao sistema.

Se esse projeto realmente sair do papel, pode ser um verdadeiro divisor de águas para o Linux enquanto plataforma criativa profissional.

Ubuntu 26.04 vai substituir aplicativos padrão

Mesmo sendo uma LTS (Long-Term Support) e, portanto, focada principalmente em estabilidade, o Ubuntu 26.04 também trará algumas mudanças interessantes no conjunto de aplicativos padrão.

A primeira é a aposentadoria do tradicional Totem, o player de vídeo do GNOME, que será substituído pelo Showtime, um novo reprodutor desenvolvido com GTK4 e libadwaita, oferecendo uma interface mais moderna e alinhada ao design atual do desktop GNOME.

Showtime: o novo player de vídeo do GNOME2

A segunda troca é mais curiosa: o atual monitor de recursos do Ubuntu dará lugar ao aplicativo Resources, membro do projeto GNOME Circle. Apesar de não ser um aplicativo “core” do GNOME, a Canonical explicou que escolheu o Resources devido ao seu nível superior de acessibilidade, algo especialmente relevante para uma versão LTS cujo público inclui usuários com necessidades específicas.

Quem quiser testar, ambos os aplicativos já podem ser encontrados na loja do Ubuntu. O Ubuntu 26.04 chega oficialmente em abril do próximo ano.

KDE Plasma encerrará suporte ao Xorg

Após mais de 30 anos de suporte ao Xorg, o KDE anunciou que o Plasma 6.8 será a primeira versão da interface a funcionar exclusivamente sobre Wayland. A tradicional sessão Xorg deixará de existir no Plasma moderno, embora aplicativos baseados em X11 continuem funcionando através do XWayland.

Para muitos usuários, isso provavelmente não causará impacto algum, já que diversas distribuições já utilizam Wayland por padrão há algum tempo. Porém, quem ainda depende do Xorg, seja por compatibilidade com softwares específicos ou por fluxos de trabalho mais antigos, ainda terá alternativas.

O próprio KDE reforçou que versões LTS do Plasma continuarão disponíveis com suporte ao Xorg por vários anos. Como exemplo, foi citado o AlmaLinux 9, que utiliza o Plasma com suporte ao Xorg e terá atualizações até 2032.

O lançamento do Plasma 6.8 está previsto apenas para a partir do final de 2026, dando bastante tempo para que possíveis problemas de compatibilidade com o Wayland sejam resolvidos. Segundo os desenvolvedores, o objetivo é polir a experiência ao máximo até essa transição definitiva.

Hoje, o Wayland já atende a maioria dos cenários de uso, embora ainda existam algumas exceções e pequenos problemas em situações específicas, algo que, gradualmente, vem sendo corrigido.

Drops

Microsoft libera o código-fonte da franquia Zork

A Microsoft abriu o código-fonte dos três jogos da clássica franquia Zork, disponibilizando tudo sob a licença MIT no GitHub.

Zork é uma das séries mais importantes da história dos videogames, surgida em 1977 como um dos grandes marcos dos jogos de aventura em texto. Curiosamente, Bill Gates tentou comprar a franquia na época, mas não conseguiu. A Infocom, criadora dos jogos, acabou sendo adquirida pela Activision em 1986 e, posteriormente, a própria Activision foi comprada pela Microsoft em 2022.

Agora, em 2025, o código finalmente se torna público. Vale lembrar que apenas o código dos jogos foi liberado: marcas registradas, embalagens e materiais promocionais permanecem protegidos.

Promoção da semana

Nossa recomendação gamer da vez é para quem curte jogar em grupo: Core Keeper.

O game coloca você no papel de um explorador preso em cavernas misteriosas, misturando exploração, mineração, construção de base e combate contra criaturas. É possível jogar sozinho ou em cooperação, tornando a experiência ainda mais divertida.

No momento, ele está com 40% de desconto no Steam, saindo por cerca de R$ 36, rodando nativamente tanto no Windows quanto no Linux.

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