As distros “novas” que estão roubando espaço no Linux

As distros “novas” que estão roubando espaço no Linux

Durante muito tempo, recomendar Linux para iniciantes era quase automático. Dependendo do perfil da pessoa, as respostas normalmente giravam em torno de Linux Mint, Zorin OS e Pop!_OS. Essas distribuições dominaram por anos o espaço de “Linux amigável”, especialmente entre usuários vindos do Windows. Só que isso começou a mudar.

Nos últimos anos, uma nova geração de distribuições passou a ganhar espaço rapidamente, principalmente entre gamers e usuários que tiveram contato com Linux por causa do Steam Deck. E talvez o detalhe mais curioso dessa mudança seja justamente este: boa parte dessas distros não é baseada em Ubuntu.

O efeito Steam Deck no desktop Linux

O crescimento do SteamOS mudou bastante o cenário do desktop Linux. Mesmo sendo pensado inicialmente para o Steam Deck, o sistema da Valve ajudou a popularizar conceitos que antes eram mais nichados, como sistemas imutáveis, Flatpak por padrão e experiências mais “plug and play”.

Foi justamente nesse espaço que o Bazzite apareceu. Baseado no Fedora Atomic, o Bazzite rapidamente começou a chamar atenção por entregar uma experiência muito próxima da ideia de “SteamOS para PCs comuns”. O sistema já vem preparado para jogos, integra ferramentas gamer, trabalha fortemente com Flatpak e reduz bastante a necessidade de configuração manual.

O mais curioso é que ele começou a atrair até usuários que não necessariamente jogam. Muita gente simplesmente passou a enxergar nele um Linux moderno, pronto para usar e relativamente difícil de quebrar.

Ao mesmo tempo, o Bazzite também aproveitou uma vantagem importante: a Valve nunca demonstrou grande interesse em transformar o SteamOS em uma distribuição desktop universal. O foco da empresa continua bastante concentrado no próprio hardware e em dispositivos similares ao Steam Deck. Isso abriu espaço para projetos paralelos crescerem em cima dessa demanda.

Testamos o Bazzite em nosso fluxo de trabalho para saber se vale a pena (7)

CachyOS virou um fenômeno

Se o Bazzite virou destaque no universo do Fedora, o CachyOS fez algo parecido no ecossistema Arch Linux. A distro ganhou enorme popularidade por conseguir entregar um Arch muito mais amigável e pronto para uso. O sistema automatiza diversas configurações, inclui otimizações agressivas e traz ferramentas gráficas que eliminam parte da complexidade normalmente associada ao Arch. Com isso, o CachyOS explodiu em vídeos, benchmarks e recomendações.

Boa parte desse crescimento veio justamente do interesse crescente em distribuições parecidas com o SteamOS. Como o SteamOS é baseado em Arch Linux, muita gente começou a procurar alternativas que oferecessem experiência semelhante em desktops tradicionais. Só que existe uma diferença importante aí: o SteamOS bloqueia várias partes do sistema para evitar problemas. O CachyOS não.

Mesmo com toda a camada de facilidade, ele continua sendo um Arch Linux em essência, com rolling release agressivo e liberdade total para modificações profundas. Isso faz com que ele agrade bastante usuários avançados, mas também explica por que muita gente ainda considera exagero recomendá-lo para iniciantes absolutos.

O que aprendi utilizando o CachyOS por dois meses (3)

Fedora e Arch começaram a roubar espaço

Talvez o ponto mais interessante dessa nova fase seja perceber como distribuições derivadas de Fedora e Arch passaram a disputar um espaço que antes era quase totalmente dominado pelo Ubuntu. Até poucos anos atrás, distros baseadas em Fedora raramente apareciam entre as mais recomendadas para desktop. Hoje existem vários projetos focados justamente nesse público.

Além do Bazzite, o Nobara Project também ganhou bastante destaque ao focar em jogos, codecs e drivers prontos logo após a instalação. Durante um período, ele virou uma das principais recomendações para gamers no Linux. Só que o Bazzite acabou ganhando mais força recentemente, principalmente por causa da proposta imutável e da proximidade estética e funcional com o Steam Deck.

No universo Arch, o crescimento foi ainda mais agressivo. Além do CachyOS, surgiram várias distribuições tentando simplificar o Arch Linux para usuários comuns, aproveitando o interesse crescente em sistemas rolling release. Até projetos brasileiros começaram a ganhar atenção nesse cenário, como o BigLinux e o Regata OS.

Flatpak e sistemas imutáveis mudaram o jogo

Outra mudança importante é a popularização do Flatpak. Distribuições mais novas passaram a abraçar o formato como padrão, principalmente porque ele simplifica bastante a instalação de aplicativos para usuários comuns. Em vez de adicionar repositórios manualmente ou lidar com dependências, o usuário simplesmente abre a loja de aplicativos e instala o programa.

Isso parece um detalhe, mas influencia diretamente a experiência de quem está começando. O mesmo vale para os sistemas imutáveis. O crescimento de projetos baseados em Fedora Atomic mostra como esse modelo está deixando de ser algo experimental para virar uma tendência real no desktop Linux.

Ubuntu continua gigante, mas o cenário mudou

Nada disso significa que o Ubuntu perdeu relevância. A distribuição da Canonical ainda domina boa parte do mercado Linux desktop e continua sendo a principal porta de entrada para muita gente. Mas existe uma mudança acontecendo.

Enquanto o Ubuntu e suas derivadas seguem evoluindo de maneira mais conservadora, várias distros novas começaram a apostar em experiências mais próximas do que usuários modernos esperam: sistemas prontos, foco em games, Flatpak integrado e menos configuração manual.

Este conteúdo é um corte do Diocast. Assista ao episódio completo, em que conversamos sobre as transformações que estão acontecendo ao redor do ecossistema Linux, desde a ascensão de distribuições imutáveis e o impacto indireto da Valve, até a mudança na forma como novos usuários enxergam ambientes gráficos, customização e experiência de uso.