O ambiente gráfico COSMIC continua evoluindo em ritmo acelerado. Apenas duas semanas após a versão 1.2, a System76 anunciou o lançamento do COSMIC 1.3, trazendo como principal novidade o aguardado efeito Frosted Glass, uma das funcionalidades mais pedidas pelos usuários desde os primeiros previews do novo desktop.
Quem utiliza o Pop!_OS 24.04 já teve acesso ao recurso alguns dias antes, por meio das atualizações do sistema. Agora, com a publicação da versão 1.3, a novidade passa a ficar disponível para qualquer distribuição Linux que ofereça o COSMIC em seus repositórios, conforme cada mantenedora disponibilizar os novos pacotes.
O Frosted Glass adiciona um efeito de vidro fosco aos elementos da interface. Em vez de tornar janelas completamente transparentes, o fundo é desfocado, preservando a legibilidade enquanto cria uma aparência mais sofisticada e moderna.
Transparência com controle
O efeito pode ser ativado de forma independente para diferentes partes do sistema. O usuário decide se deseja aplicá-lo às janelas dos aplicativos, aos painéis, aos applets ou apenas aos elementos da interface do próprio sistema, como o lançador de aplicativos e a visão geral dos espaços de trabalho.
Também é possível ajustar dois parâmetros que modificam significativamente o resultado final. Um controla a intensidade do desfoque aplicado ao fundo, enquanto o outro define o nível de transparência das superfícies.
Isso permite criar desde um visual bastante discreto até um desktop com forte inspiração em interfaces como as do macOS ou do Windows 11, sem tornar a experiência visual excessivamente chamativa.
Outro detalhe importante é que o recurso permanece totalmente opcional. Quem prefere uma interface sólida pode simplesmente manter o comportamento tradicional do ambiente gráfico.

Beleza sem sacrificar o desempenho
Sempre que efeitos de transparência aparecem em um ambiente gráfico surge a mesma preocupação: o impacto no desempenho. Durante a divulgação da novidade, um usuário questionou Carl Richell, CEO da System76, sobre o consumo de recursos em máquinas que utilizam vários monitores e dezenas de aplicativos simultaneamente.
Segundo Richell, o COSMIC utiliza a técnica Dual Kawase Blur, conhecida por ser significativamente mais eficiente do que algoritmos tradicionais, como o Gaussian Blur, frequentemente utilizados em outras interfaces.
Isso significa que o efeito visual exige menos processamento gráfico, tornando sua utilização mais viável mesmo em cenários de uso intenso. Naturalmente, o impacto pode variar conforme o hardware utilizado, mas a escolha dessa técnica demonstra uma preocupação em equilibrar aparência e desempenho.

Mais novidades no COSMIC 1.3
Embora o Frosted Glass seja o grande destaque da atualização, o COSMIC 1.3 traz diversas melhorias distribuídas pelos aplicativos que compõem o ambiente. O COSMIC Launcher agora passa a exibir, por padrão, a opção de executar aplicativos utilizando a GPU dedicada quando disponível.
Também foi adicionado suporte a papéis de parede no formato AVIF, aproveitando a biblioteca libdav1d para decodificação das imagens.
Nas configurações do sistema, o antigo backend do NetworkManager foi substituído por uma implementação em Rust chamada nmrs, convergindo com um dos pilares do projeto: desenvolver praticamente toda a pilha utilizando essa linguagem.
O terminal COSMIC Term recebeu melhorias na rolagem com rodas de mouse de alta precisão, enquanto o painel ganhou uma opção para preservar sua aparência mesmo quando uma janela é maximizada.
Já o gerenciador de arquivos COSMIC Files amplia o suporte ao reconhecimento de subclasses MIME, melhorando o comportamento durante operações envolvendo diferentes tipos de arquivos.
O monitor de sistema continua evoluindo
Outro componente que segue recebendo atenção é o COSMIC Monitor, aplicativo apresentado recentemente para acompanhar o consumo de recursos da máquina. Nesta versão ele passa a exibir informações mais completas sobre GPUs Intel e AMD, incluindo consumo de energia, utilização de memória de vídeo e capacidade total da VRAM.
Também foi adicionada a possibilidade de suspender GPUs NVIDIA compatíveis, recurso que pode contribuir para uma gestão energética mais eficiente em determinados equipamentos. Além disso, a atualização inclui diversas correções de bugs, melhorias de desempenho, refinamentos de tradução e atualizações de dependências em praticamente todos os componentes do ambiente.

Um desktop cada vez mais próximo da versão final
Desde que deixou de ser apenas um conjunto de extensões para o GNOME e passou a ser um ambiente gráfico completamente novo, escrito em Rust e baseado em Wayland, o COSMIC vem apresentando uma evolução bastante consistente.
As atualizações têm chegado em intervalos curtos, normalmente trazendo melhorias perceptíveis não apenas na estabilidade, mas também na experiência de uso.
Embora ainda seja difícil recomendar como a melhor opção atualmente, para quem acompanha o ecossistema Linux, o COSMIC segue como um dos ambientes gráficos mais interessantes dos últimos anos, combinando uma identidade própria, desenvolvimento acelerado e um foco cada vez maior na experiência do usuário.
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