EA pode levar seu sistema anti-cheat para Linux no futuro

EA pode levar seu sistema anti-cheat para Linux no futuro

Uma vaga publicada recentemente pela Electronic Arts chamou a atenção da comunidade de jogos para PC e Linux. O anúncio indica que a empresa está trabalhando na expansão do seu sistema de proteção contra trapaças, o EA Javelin Anticheat, para novas arquiteturas e, possivelmente, novos sistemas operacionais no futuro.

Embora o foco imediato da vaga seja outra plataforma, um trecho específico da descrição do cargo menciona explicitamente o Linux e também o Proton como possíveis alvos futuros. Isso sugere que a empresa pode estar, ao menos internamente, considerando expandir o suporte do seu sistema anti-cheat para essas plataformas.

Expansão inicial será para Windows em ARM

A vaga publicada pela Electronic Arts procura um engenheiro sênior especializado em sistemas anti-cheat e arquitetura ARM. O principal objetivo do cargo é desenvolver suporte nativo do EA Javelin para dispositivos baseados em ARM64 executando Windows.

Essa mudança acompanha uma tendência crescente no mercado de hardware. Dispositivos Windows baseados em ARM estão ganhando espaço, principalmente em notebooks e computadores portáteis voltados para mobilidade e eficiência energética.

Segundo a descrição da vaga, o profissional contratado deverá portar o driver atual do sistema anti-cheat, originalmente desenvolvido para arquitetura x86_64, para rodar nativamente em ARM. O trabalho também envolve a criação de pipelines de testes automatizados para validar o funcionamento do sistema em hardware ARM.

Além disso, o engenheiro será responsável por desenvolver novas estratégias de segurança voltadas especificamente para esse tipo de arquitetura.

Um detalhe que chama a atenção

Embora a prioridade imediata seja o suporte a Windows em ARM, um dos itens da lista de responsabilidades menciona explicitamente a necessidade de “traçar um caminho” para que o EA Javelin suporte outros sistemas operacionais e plataformas de hardware no futuro.

Entre os exemplos citados estão Linux e Proton.

Essa referência, ainda que breve, foi suficiente para gerar discussões dentro da comunidade de jogos em Linux. Isso porque atualmente o EA Javelin não oferece suporte à plataforma, o que impede que diversos títulos da empresa funcionem adequadamente fora do Windows.

O papel do Proton no ecossistema Linux

O Proton é uma camada de compatibilidade desenvolvida pela Valve que permite rodar jogos originalmente feitos para Windows em sistemas Linux.

Baseado no Wine, o Proton traduz chamadas do Windows para equivalentes compatíveis com o Linux, permitindo que muitos jogos funcionem sem necessidade de modificações por parte dos desenvolvedores.

Essa tecnologia se tornou especialmente relevante com o lançamento do Steam Deck, o console portátil da Valve baseado em Linux. Grande parte da biblioteca de jogos do dispositivo depende do Proton para funcionar.

No entanto, jogos que utilizam sistemas anti-cheat em nível de kernel costumam apresentar problemas nesse cenário, já que esses mecanismos dependem frequentemente de componentes específicos do sistema operacional.

Anti-cheat ainda é um dos principais obstáculos

A compatibilidade com sistemas anti-cheat continua sendo um dos maiores desafios para o crescimento do Linux como plataforma de jogos.

Diversos títulos multiplayer utilizam sistemas de proteção bastante restritivos para detectar trapaças. Quando esses sistemas não são compatíveis com Linux ou com o Proton, o jogo simplesmente não funciona.

Nos últimos anos, houve vários exemplos desse tipo de situação. Em 2024, a própria Electronic Arts removeu o suporte ao Linux e ao Steam Deck em Apex Legends, citando preocupações relacionadas à integridade competitiva do jogo.

Outros casos incluem bloqueios a camadas de compatibilidade por parte de sistemas anti-cheat utilizados em diferentes títulos online.

Um cenário em transformação

Apesar desses desafios, o interesse por jogos em Linux tem crescido nos últimos anos. A popularidade do Steam Deck ajudou a ampliar a visibilidade da plataforma, enquanto a comunidade continua trabalhando para melhorar compatibilidade e desempenho.

Nesse contexto, qualquer sinal de possível suporte oficial por parte de grandes publishers tende a gerar expectativas.

No entanto, é importante destacar que, no caso do EA Javelin, não há anúncio oficial confirmando suporte ao Linux ou ao Proton. A menção aparece apenas como um possível objetivo de longo prazo dentro da descrição da vaga.

Mesmo assim, o fato de a plataforma ser citada no planejamento técnico da empresa indica que o tema ao menos faz parte das discussões internas.

Será que o multikernel será a solução para os anti-cheats no Linux?