O movimento Stop Killing Games (SKG) alcançou um marco histórico na luta pela preservação de jogos digitais: sua Iniciativa de Cidadãos Europeus (ICE) obteve 1.294.188 assinaturas verificadas de um total original de 1.448.270, superando confortavelmente o limite mínimo de 1 milhão exigido pela União Europeia para considerar formalmente a proposta.
Uma vitória dos jogadores
Os números, divulgados antecipadamente pela equipe do SKG através do Reddit, mostram um forte engajamento em toda a Europa. A Alemanha liderou com 233.180 votos, seguida pela França com 145.289. Esta demonstração de força dos consumidores europeus prova que os jogadores não aceitam mais que títulos pelos quais pagaram sejam simplesmente desativados pelas publicadoras.
Moritz Katzner, representante do movimento, destacou em seu comunicado o caráter voluntário do trabalho: “Fazemos porque acreditamos. Nenhum de nós é pago. Todos temos empregos, famílias e responsabilidades”.
A jornada do Stop Killing Games começou em abril de 2024, com ênfase no caso do jogo “The Crew” da Ubisoft. Desde então, o movimento empreendeu uma estratégia multifacetada:
- Ação na UE: Além da ICE, vem trabalhando para incluir proteções contra a destruição de jogos no Ato de Justiça Digital;
- Reclamações nacionais: Orientou jogadores a registrar queixas em agências de defesa do consumidor na França, Alemanha, Austrália e outros países;
- Petições globais: está incentivando iniciativas similares em diversos países, como Reino Unido, Canadá e Brasil, com resultados variados.
O que está em jogo
O problema vai além do “The Crew”. Recentemente, vimos o desligamento de jogo como Anthem (EA), New World: Aeternum (Amazon) e Pandemic Express – Zombie Escape (tinyBuild), que se tornaram inacessíveis para quem os comprou. A questão central não é obrigar desenvolvedores a manterem servidores indefinidamente, mas sim garantir que os jogadores tenham alguma forma de continuar jogando após o desligamento oficial.
Muitos jogos já possuem compatibilidade com servidores de terceiros há décadas. A complexidade aumenta com microtransações e DLCs, mas soluções técnicas existem, desde liberar os servidores até remover dependências online.
A entrega formal dos resultados à Comissão Europeia está planejada para meados ou final de fevereiro. Paralelamente, o SKG prepara uma renovação completa de sua presença digital, incluindo novo site, Discord reestruturado e canais de mídia, com apoio de figuras como Ross do canal Accursed Farms para ampliar o alcance.
As respostas preliminares da UE já sugerem que jogos que dependem de servidores proprietários podem violar a Diretiva 93/13/CEE sobre práticas comerciais abusivas, cabendo aos estados-membros aplicá-la. Agora, com mais de 1,2 milhão de vozes formalmente registradas, a pressão por uma legislação específica ganha peso político real.Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter!