A Amazon Web Services (AWS), maior provedora de serviços em nuvem do planeta, está enfrentando hoje uma grande instabilidade que afeta sites e aplicativos em escala mundial. A falha, considerada uma das mais amplas dos últimos anos, atingiu a região US-EAST-1, localizada na Virgínia (EUA), e causa reflexos diretos no Brasil, derrubando serviços de alto tráfego e plataformas financeiras, como Mercado Livre, Mercado Pago, iFood, PicPay, Pix e Stone.
Segundo a própria Amazon, a interrupção começou por volta das 4h11 (horário de Brasília), quando engenheiros detectaram “taxas elevadas de erro e latência” em múltiplos serviços da AWS. O núcleo do problema estava relacionado ao DynamoDB, um dos bancos de dados mais utilizados da plataforma, afetado por uma falha de DNS (sistema de resolução de endereços).
Impacto global e reflexos no Brasil
O apagão digital foi rapidamente percebido em todo o mundo. Aplicativos como Fortnite, Snapchat, Zoom, Canva, Perplexity AI, Prime Video, HBO, Spotify, Robinhood e Coinbase ficaram fora do ar ou apresentaram lentidão. Até mesmo serviços da própria Amazon, como a assistente virtual Alexa e o sistema de câmeras Ring, foram afetados.
No Brasil, o impacto foi quase imediato. Segundo o Downdetector, que monitora falhas em tempo real, as reclamações começaram na madrugada e atingiram o pico por volta das 12h30, com milhares de relatos de indisponibilidade no Pix. Embora o Banco Central tenha informado que seus sistemas “funcionavam normalmente”, a infraestrutura de diversas instituições financeiras que utilizam a AWS foi comprometida, gerando atrasos em transferências e pagamentos.
Empresas de comércio eletrônico e delivery também sofreram com a pane. O Mercado Livre registrou lentidão em sua plataforma, e o iFood chegou a apresentar falhas de carregamento e pagamento durante o período de instabilidade.
Escala e causa da falha
Segundo relatórios da Reuters e do g1, mais de 500 empresas foram afetadas direta ou indiretamente pela falha. A AWS confirmou que o problema estava “limitado à região US-EAST-1”, mas reconheceu que o impacto foi global devido à dependência centralizada de várias empresas nessa infraestrutura, que é a mais antiga e popular da rede.
O status oficial da companhia classificou a situação como “em deterioração” durante a manhã, indicando que o problema persistia mesmo após tentativas iniciais de correção. Perto das 8h45, a Amazon informou haver mitigado parcialmente o erro, e que os serviços estavam em recuperação gradual.
“Podemos confirmar taxas de erro significativas em solicitações feitas ao DynamoDB na região US-EAST-1. Estamos trabalhando para mitigar a falha e compreender completamente a causa”, informou a AWS
Especialistas apontam que o incidente começou com uma falha interna de DNS no endpoint da API do DynamoDB, o que provocou um efeito cascata sobre outros produtos dependentes do mesmo sistema. A AWS relatou também problemas em seus Network Load Balancers, que sobrecarregaram o tráfego e dificultaram o lançamento de novas instâncias EC2.
A espinha dorsal da internet
A AWS representa cerca de 31% do mercado global de computação em nuvem, segundo a Synergy Research Group, e mantém infraestrutura em mais de 245 países e territórios, com 30 regiões e 100 zonas de disponibilidade. Entre seus principais clientes estão Netflix, NASA, Spotify, Volkswagen, Coca-Cola, Airbnb, Moderna e Samsung, além de milhares de bancos, governos e startups.
Essa presença massiva faz da AWS uma espinha dorsal invisível da economia digital. Quando a empresa sofre uma interrupção, o efeito é quase instantâneo e sistêmico, reforçando a vulnerabilidade das corporações que concentram suas operações em um único provedor de nuvem.
Apesar de a AWS ter restaurado a maioria dos serviços até o fim da manhã, o episódio serviu como alerta global. Especialistas em infraestrutura e cibersegurança ressaltam a necessidade de redundância e diversificação entre provedores, além de planos de contingência mais robustos.
Segundo Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, “muitas empresas ainda mantêm seus sistemas críticos na região US-EAST-1, usada desde 2006, explicando o impacto global. Mesmo após falhas recorrentes, poucos adotam estratégias de backup efetivas”.
A interrupção desta segunda-feira foi considerada o maior apagão da internet desde o incidente da CrowdStrike em 2024, que afetou bancos, aeroportos e hospitais em vários países.
Com o incidente controlado, a AWS afirmou que continuará “monitorando a estabilidade dos serviços e investigando a causa raiz”, mas o episódio deixa uma certeza desconfortável: a internet moderna é tão forte quanto seu elo mais central.Ajude o Diolinux a seguir independente e crescente: seja membro Diolinux Play e tenha acesso a benefícios exclusivos!