A nova ISO do KaOS chegou em fevereiro com uma mudança que ninguém esperava. Conhecida por ser uma distribuição focada exclusivamente em KDE e Plasma, a versão 2026.02 simplesmente não traz o Plasma nem o KWin na imagem oficial. No lugar deles, entra uma combinação baseada no compositor Wayland Niri com o shell Noctalia, marcando um dos momentos mais ousados da história do projeto.
Uma mudança não definitiva
Segundo os desenvolvedores, a decisão está ligada ao desejo de avaliar alternativas ao systemd. O projeto estuda a viabilidade de migrar para o Dinit como gerenciador de serviços no futuro. Como o Plasma vem ampliando sua dependência de recursos específicos do systemd, com integração cada vez mais obrigatória no upstream, mantê-lo poderia limitar os planos da distribuição.
É importante destacar que esta ISO ainda utiliza o systemd normalmente. A mudança funciona como um grande teste público, tanto técnico quanto de aceitação da comunidade. O Plasma 6 continua disponível nos repositórios, podendo ser instalado manualmente por quem preferir manter a experiência clássica do KaOS.
A nova base gráfica traz o Niri 25.11 como compositor Wayland, acompanhado da Noctalia 4.4 e do Quickshell 0.2.1, todos construídos sobre o Qt 6.10.2. O resultado é um ambiente com tiling rolável, moderno e minimalista, mas que mantém a proposta histórica da distro: nada de GTK. O sistema segue totalmente centrado em tecnologias Qt e aplicativos KDE.

Para complementar o conjunto, ferramentas como cliphist, seatd, pavucontrol-qt e qt6ct ajudam a fechar a experiência. O SDDM 0.20 passa a rodar em modo Wayland, aproximando ainda mais o projeto de um futuro livre de X11.

Primeiros passos além do systemd
Embora o systemd ainda esteja presente, alguns sinais apontam para mudanças graduais. O bootloader padrão agora é o Limine, substituindo o systemd-boot. Outras opções UEFI continuam disponíveis pelo instalador Calamares, mas a escolha padrão já indica uma tentativa de reduzir dependências.
Curiosamente, o projeto também avançou nas versões do próprio systemd. A ISO traz a versão 255.22, enquanto sistemas instalados deverão migrar para 257.10. A versão 254 havia sido a última com suporte completo ao layout split /usr utilizado pelo KaOS.
Como é tradição na distro, a base do sistema recebeu atualizações extensas. O kernel Linux foi atualizado para a série 6.18, acompanhado de GCC 15.2.1, Glibc 2.42, Mesa 25.3.5, PipeWire 1.4.9, GStreamer 1.28, ZFS 2.4, OpenSSH 10.2 e Bash 5.3, entre outros componentes. O kernel agora inclui microcódigos integrados para atualização automática antecipada.
No campo multimídia, houve uma troca importante: como o VLC ainda não possui versão totalmente portada para Qt6, o backend padrão do Phonon passa a ser o phonon-mpv, garantindo consistência com o restante do stack gráfico.
Instalador refinado e melhorias práticas
O Calamares também recebeu ajustes interessantes. A página de boas-vindas deixou de abrir um navegador como root, substituindo o comportamento por um painel QML integrado. O particionamento automático oferece suporte direto a XFS, EXT4, Btrfs e ZFS, sem necessidade de configuração manual.

O XFS segue como padrão, com CRC e finobt ativados. No entanto, instalações em modo BIOS não podem utilizar XFS devido a incompatibilidades do GRUB com a implementação mais recente do sistema de arquivos. Instalações em RAID continuam indisponíveis.
Outro destaque é o Kjournald, visualizador gráfico de logs que facilita o acesso às informações do sistema sem depender de comandos no terminal. Já o Croeso, ferramenta pós-instalação do KaOS, permanece presente para ajustes iniciais, seleção de pacotes e personalização visual.
Um experimento que pode redefinir o KaOS
O KaOS 2026.02 não abandonou oficialmente o Plasma nem o systemd, mas abre espaço para uma possível reconfiguração de identidade. Ao testar Niri e Noctalia em uma ISO oficial, o projeto sinaliza que está disposto a repensar suas bases técnicas para manter coerência com sua proposta Qt e sua independência estrutural.
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