Linux perde fôlego no Steam após recorde histórico acima de 5%

Linux perde fôlego no Steam após recorde histórico acima de 5%

Durante anos, acompanhar a participação do Linux no Steam era observar um crescimento lento, porém constante. Por ter um meio de telemetria amplo e relativamente bem aceito, a plataforma da Valve sempre foi um dos principais termômetros para medir a adoção do sistema operacional entre jogadores, especialmente após a chegada do Proton e do Steam Deck.

Por isso, quando o Linux alcançou 5,33% de participação na pesquisa de hardware e software do Steam em março de 2026, muita gente interpretou o resultado como um marco histórico. Pela primeira vez, o sistema parecia romper uma barreira que durante anos parecia distante. Mas dois meses depois, o cenário mudou.

Os números divulgados pela Valve referentes a maio de 2026 mostram que a participação do Linux caiu para 3,99%, devolvendo boa parte do avanço registrado no início do ano e encerrando sua breve passagem acima da marca de 5%.

A questão é: o Linux realmente perdeu usuários ou estamos observando apenas uma oscilação estatística?

O fim de um recorde que durou pouco

Os números da pesquisa de maio mostram um mercado relativamente estável para Windows e macOS. O Windows continua dominando a plataforma, chegando a 93,85% dos usuários do Steam. Já o macOS registrou uma leve alta, alcançando 2,16%. O Linux, por sua vez, recuou para 3,99%.

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À primeira vista, a queda parece significativa. Afinal, em março o sistema havia atingido 5,33%, o maior resultado já registrado na história da pesquisa. Isso representa uma redução de 1,34 ponto percentual em apenas dois meses.

Se analisado isoladamente, o número pode sugerir que o Linux perdeu força entre os jogadores. No entanto, observar apenas dois ou três meses de dados raramente é suficiente para identificar uma tendência real.

A pesquisa do Steam tem limitações

Um detalhe frequentemente ignorado quando esses números são divulgados é a forma como a pesquisa do Steam funciona. A participação é opcional. Nem todos os usuários recebem o convite para responder e nem todos aceitam participar quando convidados.

Isso significa que os resultados dependem diretamente da amostra coletada em cada período. Pequenas mudanças no perfil dos participantes podem gerar oscilações relativamente grandes, especialmente em plataformas que ainda possuem participação minoritária, como Linux e macOS.

Por esse motivo, analistas acreditam que o salto registrado em março pode ter sido uma anomalia estatística, e não necessariamente uma explosão repentina de novos usuários Linux. O resultado de maio parece mais alinhado com a trajetória histórica observada nos últimos anos.

O crescimento do Linux continua impressionante

Mesmo com a queda recente, é importante colocar os números em perspectiva. Durante boa parte da última década, o Linux permaneceu entre 1% e 2% de participação no Steam. Romper essa barreira levou anos. A marca de 3% só foi superada em 2025.

Considerando esse histórico, os atuais 3,99% ainda representam um resultado extremamente positivo para a plataforma.

Em outras palavras, mesmo após perder o recorde de março, o Linux continua ocupando um espaço muito maior no mercado de jogos para PC do que ocupava poucos anos atrás. A diferença é que o crescimento parece estar retornando para um ritmo mais próximo do observado historicamente.

O papel do Steam Deck nessa história

É praticamente impossível discutir o avanço do Linux nos jogos sem falar do Steam Deck.

O portátil da Valve transformou a percepção do sistema operacional entre desenvolvedores, estúdios e jogadores. Pela primeira vez, milhões de usuários passaram a utilizar Linux diariamente sem sequer precisar instalar uma distribuição tradicional.

Além do hardware em si, o SteamOS ajudou a consolidar a ideia de que o Linux pode ser uma plataforma viável para jogos modernos. Isso também influencia diretamente as estatísticas do Steam.

Como o SteamOS é baseado em Linux, cada Steam Deck contabilizado na pesquisa contribui para aumentar a participação da plataforma. Por isso, uma das hipóteses é que o resultado excepcional de março possa ter sido influenciado por uma representação acima da média de usuários do Steam Deck na amostra daquele mês.

Sem acesso à metodologia detalhada da Valve, é impossível confirmar essa teoria, mas ela ajuda a explicar por que um crescimento tão abrupto foi seguido por uma correção igualmente rápida.

Arch continua liderando entre as distribuições

A pesquisa também oferece um recorte das distribuições Linux utilizadas pelos jogadores. Mais uma vez, o Arch Linux aparece na liderança, com 0,35% dos usuários totais do Steam. Logo atrás temos o Linux Mint 22.3, com 0,31%, seguido pelo Ubuntu Core 24 com 0,14% e pelo Ubuntu 24.04 LTS com 0,11%.

Distribuições populares entre jogadores, como Nobara, Fedora, EndeavourOS, Debian e Manjaro, aparecem com participações menores, individualmente abaixo da marca de 0,1%. Embora esses números sejam pequenos quando comparados ao total do Steam, eles ajudam a ilustrar como o cenário Linux se tornou mais diversificado nos últimos anos.

Curiosamente, o domínio do Arch também reflete o impacto do SteamOS, já que o sistema utilizado pelo Steam Deck é baseado justamente nessa distribuição.

Outro dado interessante é que o Linux continua mantendo vantagem sobre o macOS dentro do Steam.

Durante muitos anos, os dois sistemas alternaram posições ou permaneceram próximos nas estatísticas. Hoje, mesmo após a queda registrada em maio, o Linux ainda aparece consideravelmente à frente da plataforma da Apple.

Isso mostra como o investimento da Valve em compatibilidade, Proton e SteamOS produziu resultados concretos.

Enquanto o ecossistema de jogos para macOS continua enfrentando limitações relacionadas ao suporte dos desenvolvedores e às escolhas tecnológicas da Apple, o Linux conseguiu ampliar seu catálogo de jogos compatíveis sem depender diretamente da criação de versões nativas.

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