Mainframe vs VMware: quando o “big iron” volta a fazer sentido

Mainframe vs VMware: quando o “big iron” volta a fazer sentido

Durante anos, a ideia de migrar aplicações para fora de mainframes foi tratada quase como consenso no mundo corporativo. Mas, inesperadamente, esse movimento pode estar mudando. Segundo análises recentes da Gartner, em alguns cenários específicos, migrar workloads para mainframes pode sair mais barato do que continuar com licenças modernas do ecossistema VMware.

O impacto das mudanças no modelo da VMware

Grande parte dessa reavaliação vem das mudanças promovidas pela Broadcom após a aquisição da VMware. O novo modelo de licenciamento, que empurra clientes para o pacote completo do Cloud Foundation, elevou significativamente os custos para muitas empresas.

É nesse contexto que o analista Alessandro Galimberti aponta algo que, até pouco tempo atrás, pareceria improvável: em ambientes com centenas de máquinas virtuais Linux, migrar para um mainframe da IBM pode ser financeiramente mais vantajoso.

A explicação não está apenas no custo direto, mas na arquitetura. Diferente de ambientes distribuídos, onde alta disponibilidade e sincronização de dados precisam ser implementadas na aplicação, o mainframe já oferece essas capacidades nativamente. Isso reduz a complexidade, tempo de desenvolvimento e, principalmente, custos operacionais ao longo do tempo.

Além disso, tecnologias como o hipervisor z/VM permitem rodar Linux de forma altamente otimizada nesses sistemas. Para empresas com grandes volumes de workloads estáveis, isso pode representar uma consolidação significativa de infraestrutura.

Onde o “big iron” ainda faz sentido

Apesar da revalorização, o próprio Gartner não recomenda mainframes para todos os casos. O encaixe ideal está em aplicações:

  • Críticas para o negócio;
  • Com pouca mudança ao longo dos anos;
  • Que exigem consistência transacional extrema;
  • Com longa vida útil planejada.

Sistemas bancários, processamento de pagamentos e grandes bases de dados corporativas continuam sendo exemplos clássicos.

Além disso, o avanço em IA também começa a entrar na conta. A IBM vem investindo em aceleradores como o Spyre, reforçando que o mainframe ainda evolui.

O mito do “mainframe morreu”

A narrativa de que o mainframe está em declínio não é nova e, segundo Galimberti, foi muitas vezes reforçada por consultorias que incentivaram migrações em massa. O grande problema é que muitas dessas migrações se mostraram mais complexas e caras do que o previsto.

Hoje, o cenário começa a se inverter. O Gartner projeta que, até 2030 apenas 10% dos usuários de mainframe vão querer sair da plataforma e cerca de 75% das empresas focadas em “mainframe exit” devem mudar de estratégia ou desaparecer. Ou seja, o abandono do mainframe não é mais visto como inevitável.

Mas nem tudo são vantagens; migrar para um mainframe implica riscos, e o principal é o lock-in. Diferente de ambientes mais abertos, sair de um ecossistema como o da IBM pode ser complexo e caro. Isso faz com que muitas empresas evitem customizações profundas por medo de ficarem ainda mais presas à plataforma.

Outro desafio é a mão de obra. Profissionais especializados em mainframe são mais raros, e as novas gerações tendem a focar em tecnologias modernas como cloud e containers. Embora o suporte a Linux ajude a mitigar isso, ainda existe uma barreira cultural e técnica.

No fim das contas, o retorno do mainframe ao debate não significa uma substituição generalizada da cloud ou da virtualização tradicional; o que muda é o critério. Em um cenário onde os custos de licenciamento aumentam, a complexidade cresce e workloads exigem estabilidade extrema, o “big iron” volta a ser considerado.Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter!