O Linux Mint está passando por uma das maiores transições de sua história

O Linux Mint está passando por uma das maiores transições de sua história

O Linux Mint é uma das distribuições Linux mais populares do mundo e construiu sua reputação sobre três pilares: estabilidade, simplicidade e previsibilidade. Durante anos, os usuários se acostumaram a um ritmo relativamente constante de atualizações, com novas versões chegando poucos meses após os lançamentos LTS do Ubuntu. Mas esse modelo está prestes a mudar.

Em uma publicação recente, o líder do projeto, Clement Lefebvre, confirmou que o aguardado Linux Mint 23 não será lançado no período inicialmente esperado. Em vez disso, a equipe decidiu ampliar o ciclo de desenvolvimento da distribuição, adiando a próxima grande versão para o final de 2026.

A decisão marca uma mudança na forma como o Mint será desenvolvido daqui para frente e pode representar a maior transformação estrutural do projeto desde a adoção das bases LTS do Ubuntu.

Uma mudança de estratégia após mais de uma década

Para entender a importância desse anúncio, é preciso voltar alguns anos no tempo. Nos primeiros anos de existência, o Linux Mint acompanhava de perto o calendário de lançamentos do Ubuntu. A distribuição recebia novas versões duas vezes por ano, herdando rapidamente as novidades trazidas pela Canonical.

Esse modelo mudou em 2014, com o lançamento do Linux Mint 17. A partir daquele momento, o projeto passou a utilizar exclusivamente versões LTS do Ubuntu como base. A decisão permitiu ciclos mais longos de suporte e deu à equipe mais tempo para aprimorar o Cinnamon, ambiente gráfico que se tornou a principal identidade da distribuição.

O resultado foi positivo. O Mint ganhou fama de ser uma das experiências Linux mais estáveis disponíveis para desktops, atraindo milhões de usuários ao redor do mundo. Agora, pouco mais de uma década depois, a equipe acredita que chegou a hora de dar mais um passo nessa direção.

A expectativa era que o Linux Mint 23 chegasse poucos meses após o lançamento do Ubuntu 26.04 LTS, seguindo o padrão adotado nas últimas gerações da distribuição. Isso não vai acontecer.

Segundo os desenvolvedores, o próximo lançamento exigirá mais trabalho do que uma simples atualização de base. Há mudanças profundas em andamento, envolvendo componentes fundamentais do sistema, o que levou a equipe a optar por um cronograma mais longo. A previsão atual é que a próxima grande versão seja lançada apenas próximo ao Natal de 2026.

Ainda não está totalmente definido como serão os novos ciclos de desenvolvimento. Os desenvolvedores não confirmaram se haverá versões intermediárias, betas públicas mais frequentes ou outro modelo de atualização. O que já está claro é que o Mint passará a dedicar mais tempo entre os grandes lançamentos.

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Wayland, GTK4 e outras mudanças importantes

Boa parte desse tempo adicional será utilizada para concluir uma série de transições tecnológicas que vêm sendo discutidas há anos no ecossistema Linux.

O Linux Mint 23 deverá ser baseado no Ubuntu 26.04 LTS e trazer uma nova geração do Cinnamon com avanços importantes no suporte ao Wayland.

Embora o servidor gráfico X11 continue presente, o Wayland vem se tornando o padrão em praticamente todas as grandes distribuições Linux. GNOME, KDE Plasma e diversas outras interfaces já adotaram essa tecnologia como padrão, e o Mint precisa acompanhar essa evolução sem comprometer a estabilidade pela qual ficou conhecido.

Além disso, vários aplicativos e componentes do Cinnamon estão sendo migrados de GTK3 para GTK4, uma transição que exige adaptações consideráveis na interface e no comportamento de diversos programas do sistema. São mudanças que afetam diretamente a experiência do usuário e que dificilmente poderiam ser implementadas às pressas.

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Adeus ao Ubiquity

Outra novidade relevante envolve o instalador da distribuição. O Linux Mint abandonará o tradicional Ubiquity, instalador historicamente herdado do Ubuntu.

O problema é que o Ubiquity deixou de ser utilizado pela Canonical há algum tempo. O Ubuntu adotou uma nova solução baseada em Flutter, enquanto o Mint não demonstrou interesse em seguir o mesmo caminho nem em assumir sozinho a manutenção do instalador antigo.

A alternativa encontrada foi portar o mesmo instalador já utilizado pelo Linux Mint Debian Edition (LMDE). Isso reduz a dependência de tecnologias abandonadas por terceiros e permite que a equipe tenha mais controle sobre uma parte crítica da experiência de instalação.

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Um lançamento mais demorado, mas possivelmente melhor

Para muitos usuários, a notícia de um adiamento pode soar decepcionante à primeira vista. Afinal, menos lançamentos geralmente significam menos novidades chegando ao sistema. Por outro lado, a filosofia do Linux Mint nunca foi competir na corrida por recursos inéditos ou atualizações constantes. O projeto sempre priorizou refinamento, estabilidade e previsibilidade. Nesse contexto, a decisão faz sentido.

O Mint 22.3, versão atual da distribuição, continua recebendo suporte de segurança até 2029 e permanece sendo uma plataforma extremamente madura para o uso diário. Isso dá à equipe a liberdade de trabalhar sem a pressão de prazos apertados enquanto prepara uma atualização que promete ser uma das mais importantes da história recente da distribuição.

E, considerando o histórico do projeto, muitos usuários provavelmente preferirão esperar um pouco mais por uma versão bem acabada do que receber novidades antes da hora.

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