Há alguns anos, falar de jogos portáteis fora do universo da Nintendo parecia um assunto meio limitado. Do Game Boy ao Nintendo Switch, a Big N dominou esse espaço com folga, enquanto o resto do mercado observava de longe.
Então surgiu o Steam Deck. E o que parecia apenas mais um experimento rapidamente se transformou em um ponto de virada. De repente, o mercado começou a se movimentar. Novos dispositivos surgiram, empresas tradicionais entraram no jogo e o conceito de “PC portátil para jogos” deixou de ser algo nichado. Mas fica a dúvida: isso é uma tendência consolidada ou só mais uma onda passageira?
O nascimento de um formato
Se existe algo que já ficou claro, é que os portáteis gamers não são uma moda momentânea. Diferente de tecnologias que surgem e desaparecem rapidamente, como TVs 3D ou o Kinect, esse segmento já passou da fase de teste. Hoje, vários dispositivos estão chegando à segunda ou até terceira geração.
O ASUS ROG Ally, por exemplo, já evoluiu muito ao longo de suas versões. O Lenovo Legion Go também entrou na disputa com propostas próprias. E até iniciativas com integração mais direta com o ecossistema Xbox começaram a aparecer. Quando um mercado evolui em gerações, ele supera o nível da aposta e se torna uma categoria.
Mas mesmo com a chegada de concorrentes, o Steam Deck continua sendo a principal referência. Não necessariamente por ser o mais poderoso, mas porque foi o produto que conseguiu alinhar proposta, preço e experiência de uso de forma convincente. Existe também um fator importante aqui: a Valve Corporation lançou um hardware e construiu um ecossistema em torno dele.
Antes do lançamento, existia uma expectativa de que esse tipo de dispositivo seria restrito a usuários mais técnicos, gente acostumada com PC, Linux, configurações e ajustes. Mas o que aconteceu foi um pouco diferente.
O Steam Deck conseguiu ultrapassar parcialmente essa barreira. Ele não virou um produto totalmente popular, como o Switch, mas também não ficou preso a um nicho hardcore. Existe um público intermediário que se formou: pessoas que já jogam no PC, já usam o Steam e querem levar essa experiência para um formato portátil, sem necessariamente entrar em configurações. E isso explica boa parte do sucesso.
Apesar disso, o formato ainda enfrenta resistência. Para quem nunca teve contato com algo parecido, entender o conceito pode ser mais difícil do que parece. Não é exatamente um console tradicional, mas também não é um computador no sentido clássico. É um híbrido.
E esse “meio do caminho” pode gerar dúvidas, especialmente para quem está acostumado com soluções mais diretas, como consoles tradicionais.
Além disso, o preço ainda é um fator relevante. Em muitos casos, o valor de um portátil gamer se aproxima ou até ultrapassa o de um notebook de entrada. Isso naturalmente faz o usuário pensar duas vezes sobre qual a melhor escolha.
Portátil ou notebook
Para alguém que quer jogar e também precisa de um computador, faz mais sentido um portátil gamer ou um notebook tradicional? A resposta, comos sempre, depende do uso.
O notebook ainda é mais versátil para trabalhar. Ele já vem pronto para tarefas como digitação, navegação e produtividade, sem a necessidade de acessórios.
Por outro lado, o portátil entrega algo que o notebook não consegue replicar: a experiência de jogar em qualquer lugar, de forma imediata, com controles integrados e sem depender de uma mesa.
Além disso, dispositivos como o ASUS ROG Ally e o próprio Steam Deck podem funcionar como computadores completos quando conectados a uma dock, teclado e mouse, se transformando em um desktop compacto.
Claro, existem limitações, principalmente relacionadas ao desempenho e memória, mas para tarefas mais simples, como navegação, edição leve e uso de aplicativos comuns, a experiência é viável. Isso cria um cenário interessante: um único dispositivo que pode ser um portátil para jogos e um desktop para trabalho.
O software ainda é o diferencial
Se existe um ponto onde o Steam Deck se destaca claramente, é no software. O SteamOS, baseado em Linux, foi pensado desde o início para o uso com controle e otimizado especificamente para o hardware. A interface é direta, os botões fazem sentido e a navegação funciona bem sem precisar recorrer a teclado, mouse ou à tela touch o tempo todo. Já dispositivos baseados em Windows ainda enfrentam desafios.
O Windows 11 não foi projetado originalmente para portáteis com gamepad. Isso faz com que algumas interações pareçam deslocadas, como menus pequenos ou configurações que exigem a precisão de um mouse. Além disso, o sistema carrega um legado enorme, com múltiplas camadas de configuração e interfaces diferentes convivendo ao mesmo tempo.
Outro fator importante é o conforto. Dispositivos como o Steam Deck são maiores e mais robustos, o que pode ser bom para o desempenho, mas nem sempre ideal para longas sessões segurando o aparelho.
Alternativas como o ROG Ally tendem a ser mais compactas e leves, melhorando a ergonomia, mas também trazem compromissos em outros aspectos. E existe um detalhe que muita gente descobre na prática: depois de algum tempo, segurar qualquer portátil cansa.
Este conteúdo é um corte do Diocast. Assista ao episódio completo, em que conversamos com Diego Kerber do Adrenaline sobre mudanças no comportamento do mercado e novas formas de consumir tecnologia, como o crescimento dos consoles portáteis, incluindo o Steam Deck e o ROG Ally, além de decisões de hardware que começam a gerar resultados diferentes na prática.