Peppermint OS, uma distribuição Linux minimalista

Peppermint OS, uma distribuição Linux minimalista

No mundo Linux, não faltam distribuições com opiniões fortes. Existem sistemas pensados especificamente para jogos, outros focados em desenvolvimento, criação de conteúdo ou produtividade corporativa. Essas distribuições fazem questão de decidir por você qual desktop usar, quais aplicativos instalar e até quais formatos de pacote priorizar.

Mas nem todo mundo gosta desse caminho. É nesse espaço que entra o Peppermint OS, uma distribuição Linux que assume com orgulho uma proposta diferente: instalar o mínimo possível e deixar que o usuário construa o sistema exatamente do jeito que quiser.

Mas para quem será que uma distribuição tão enxuta assim vale a pena?

A proposta do Peppermint OS

A ideia central do Peppermint OS é oferecer uma base funcional, leve e pouco opinativa. Em vez de chegar com uma grande seleção de aplicativos pré-instalados, o sistema entrega apenas o essencial para funcionar, deixando todas as decisões posteriores nas mãos do usuário.

Segundo o próprio projeto, o objetivo é criar um sistema operacional que se adapte às necessidades individuais, e não o contrário. Isso faz do Peppermint uma opção interessante para quem gosta de controle total sobre o ambiente ou quer evitar softwares desnecessários ocupando espaço e recursos.

A principal escolha feita pelos desenvolvedores é o uso do XFCE como ambiente gráfico padrão, acompanhado do gerenciador de arquivos Thunar. Fora isso, praticamente tudo fica em aberto.

O Peppermint OS é baseado nos repositórios do Debian, garantindo estabilidade e uma base bastante confiável. Além disso, o projeto oferece versões diferentes do sistema, dependendo da necessidade do usuário.

Há builds baseadas no Debian Bookworm, com suporte mais curto, e versões mais recentes baseadas no Debian Trixie (Debian 13), que contam com um ciclo de suporte bem mais longo. Isso permite escolher entre maior estabilidade ou um sistema mais atualizado.

Outro ponto importante é a existência de versões baseadas no Devuan, uma alternativa ao Debian que remove o systemd. Para quem faz questão de não usar systemd, essa opção é um diferencial relevante, embora nem sempre esteja disponível nas versões mais recentes.

Processo de instalação

A instalação do Peppermint OS é feita através do Calamares, um instalador gráfico bastante conhecido no mundo Linux. Ele é simples, bem organizado e permite tanto instalações rápidas quanto particionamento manual, facilitando cenários como dual boot.

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Durante o processo, o usuário pode escolher idioma, fuso horário, layout de teclado, tipo de sistema de arquivos, uso de swap e até criptografia completa do disco. Apesar da escolha de design um tanto ultrapassada, tudo é apresentado de forma clara, com avisos importantes sobre a perda de dados caso o disco seja formatado.

Para quem já instalou outras distribuições modernas, o processo não traz surpresas e tende a ser rápido e tranquilo.

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Primeiro boot e ferramentas iniciais

Após a instalação, o sistema apresenta uma tela de boas-vindas bastante simples, mas funcional. Ela serve como ponto de partida para entender o Peppermint e, principalmente, para instalar os primeiros pacotes essenciais.

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Uma das partes mais interessantes é o seletor de pacotes e navegadores, que funciona como um assistente inicial. Por ali, é possível instalar itens básicos como:

  • Visualizador de documentos
  • Player de mídia
  • Ferramentas de firewall
  • Suporte a Flatpak e Snap
  • Loja de aplicativos gráfica
  • Navegadores alternativos
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Esse passo mostra que o Peppermint não quer decidir nada sozinho. Ele apenas oferece caminhos rápidos para que o usuário monte o ambiente que faz mais sentido para seu uso.

O que vem instalado (e o que não vem)

Ao abrir o menu de aplicativos pela primeira vez, a sensação é de estranhamento para quem está acostumado com distribuições mais completas. Existem pouquíssimos programas instalados por padrão.

Grande parte do menu é ocupada por configurações do sistema, algo típico do XFCE. Em termos de aplicativos, o sistema traz apenas o necessário para operar: terminal, o navegador Librewolf, algumas ferramentas administrativas e pouco mais que isso.

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Não há editor de texto completo, suíte de escritório, leitor de PDFs ou player multimídia avançado. Tudo isso precisa ser instalado manualmente.

Para alguns usuários, isso é um ponto extremamente positivo. Para outros, pode ser um grande obstáculo.

Para quem o Peppermint OS faz sentido?

O Peppermint OS não é uma distribuição “instale e saia usando”. Ele exige envolvimento, escolhas e um certo nível de familiaridade com o ecossistema Linux.

Ele funciona muito bem para usuários que:

  • Gostam de montar seu próprio ambiente de trabalho;
  • Querem controle total sobre os pacotes instalados;
  • Buscam um sistema leve e sem excessos;
  • Preferem uma base estável como o Debian.

Por outro lado, não é a melhor escolha para quem espera um ambiente completo logo após a instalação ou para quem não quer se preocupar em escolher cada ferramenta básica.

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