A corrida pela inteligência artificial costuma colocar duas características em lados opostos: recursos avançados e privacidade. Enquanto os principais assistentes do mercado expandem suas capacidades ao mesmo tempo em que coletam cada vez mais dados dos usuários, a Proton quer seguir um caminho diferente. A empresa suíça anunciou o Lumo 2.0, uma grande atualização para seu assistente de IA que promete competir com modelos de ponta sem utilizar conversas para treinamento nem registrar o histórico dos usuários.
Segundo a Proton, mais de 10 milhões de pessoas já utilizam o Lumo desde seu lançamento. Agora, a nova versão amplia significativamente os recursos da plataforma, adicionando modelos mais inteligentes, pesquisa em tempo real na web, memória opcional, geração de imagens e assistentes personalizados.
Modelos mais inteligentes e novos modos de raciocínio
O principal destaque do Lumo 2.0 é a evolução dos seus modelos de linguagem. A Proton afirma que o Lumo 2.0 Lite obteve uma pontuação 127% superior à versão anterior no Artificial Analysis Intelligence Index, enquanto o Lumo 2.0 Max alcançou um ganho de 240% no mesmo benchmark.
Além disso, o assistente passa a oferecer dois modos de funcionamento. O modo Fast prioriza respostas rápidas para tarefas cotidianas, enquanto o modo Thinking dedica mais tempo ao processamento de solicitações complexas, permitindo um raciocínio mais elaborado em tarefas que envolvem múltiplas etapas.

De acordo com Andy Yen, fundador e CEO da Proton, os testes internos indicam que, para muitos cenários, o Lumo 2.0 Max já entrega resultados comparáveis aos modelos mais recentes da OpenAI e da Anthropic.
Outra novidade importante é o suporte completo a imagens. Agora o Lumo consegue analisar fotografias, capturas de tela, documentos e gráficos, além de gerar novas imagens a partir de descrições em texto ou editar arquivos enviados pelo usuário.

A pesquisa na web também foi reformulada. Em vez de depender exclusivamente do conhecimento adquirido durante o treinamento, o Lumo agora consulta informações em tempo real na internet, exibindo citações das fontes utilizadas para compor suas respostas. Isso permite responder melhor a perguntas sobre acontecimentos recentes, mercado financeiro ou previsão do tempo, reduzindo as chances de informações desatualizadas.
Memória opcional e assistentes personalizados
Seguindo uma tendência já adotada por outros chatbots, o Lumo 2.0 também passa a oferecer um sistema de memória. A diferença, segundo a Proton, é que esse recurso permanece totalmente sob controle do usuário.
É possível decidir quais informações o assistente poderá lembrar, apagar memórias específicas ou simplesmente desativar completamente esse recurso.
A atualização também introduz os chamados Custom Lumos, assistentes especializados que podem ser configurados para tarefas específicas, como redação de textos, pesquisa, programação ou qualquer outro fluxo de trabalho recorrente.

Apesar das novas funcionalidades, a Proton afirma que a privacidade continua sendo o principal objetivo do projeto.
O Lumo utiliza a mesma arquitetura de criptografia de acesso zero presente em outros serviços da empresa, como Proton Mail e Proton Drive. Isso significa que as conversas, imagens, projetos e memórias permanecem criptografados de forma que nem mesmo a própria Proton consiga acessá-los.
A empresa também reforça que:
- As conversas não são registradas;
- Os dados dos usuários não são utilizados para treinar modelos futuros;
- Toda a infraestrutura permanece hospedada na Europa, sob legislação suíça;
- O código do serviço é aberto para auditoria pública.
Essa abordagem contrasta com diversos serviços de IA comerciais, que utilizam interações dos usuários para aprimorar seus modelos ou alimentar sistemas de publicidade.
Foco também no mercado corporativo
Além da versão para usuários individuais, a Proton também atualizou o Lumo for Business. A plataforma empresarial oferece gerenciamento de acesso para equipes, criptografia de acesso zero e armazenamento em infraestrutura europeia, buscando atender organizações preocupadas com confidencialidade e conformidade regulatória.
Segundo a empresa, esse modelo evita que documentos corporativos e consultas feitas por funcionários sejam utilizados como dados de treinamento, um tema que tem gerado preocupação crescente entre empresas que adotam ferramentas de IA generativa.
O lançamento do Lumo 2.0 chega em um momento em que cresce o debate sobre concentração da inteligência artificial nas mãos de poucas empresas americanas.
Ao investir em infraestrutura própria na Europa, software de código aberto e criptografia de acesso zero, a Proton tenta ocupar um espaço diferente no mercado: oferecer recursos comparáveis aos grandes modelos comerciais, sem transformar os dados dos usuários em parte do produto.
Entenda o movimento europeu em busca do conceito de “soberania digital” que faz parte da filosofia do Proton.