Valve aposenta os 32 bits no Steam Client para Linux

Valve aposenta os 32 bits no Steam Client para Linux

Quando a Valve lançou oficialmente o cliente do Steam para Linux em 2012, no ápice do Ubuntu 12.04 LTS, o cenário da computação era bem diferente do atual. Naquela época, grande parte dos usuários ainda utilizava sistemas de 32 bits, e para garantir a máxima compatibilidade com a biblioteca de jogos existente, a empresa empacotou o executável principal do Steam como uma aplicação binária de 32 bits (i386).

O tempo passou, os processadores de 64 bits dominaram o mercado de ponta a ponta, a Valve criou o SteamOS, revolucionou o mercado com o Steam Deck e redefiniu a viabilidade de jogos no Linux. No entanto, por mais de doze anos, o aplicativo desktop do Steam no Linux continuou atrelado a essa herança do passado. Agora, essa dívida técnica acaba de ser oficialmente quitada com a chegada do Steam Client Beta em 64 bits nativo para Linux.

O fim da dor de cabeça dos pacotes multilib nas distros

Para o jogador casual, a arquitetura interna do inicializador de jogos pode parecer um detalhe irrelevante. Mas para os mantenedores de distribuições Linux, essa dependência dos 32 bits sempre foi uma pedra no sapato.

Distribuições modernas focadas em segurança e minimalismo, como o Arch Linux, Fedora e o próprio Ubuntu, vêm se esforçando há anos para expurgar pilhas inteiras de bibliotecas legadas de seus repositórios principais. No entanto, por conta da popularidade maciça do Steam, essas distros eram obrigadas a manter centenas de pacotes com suporte a arquitetura mista (multilib / multiarch), consumindo largura de banda em mirrors e tempo de compilação dos desenvolvedores exclusivamente para manter o cliente da loja funcionando.

Com a nova versão testada pela comunidade e amplamente aguardada nos rastreadores oficiais do Steam for Linux no GitHub, o executável passa a ser um binário ELF puro de 64 bits (x86_64). Isso significa que o cliente agora carrega diretamente as versões de 64 bits dos drivers gráficos da GPU (Mesa, NVIDIA proprietário e bibliotecas Vulkan) e da camada de áudio (PipeWire), eliminando o atrito de camadas de conversão e reduzindo o consumo de memória durante a inicialização a frio (cold-start).

E os meus jogos antigos de 32 bits, ainda vão rodar?

Uma das maiores dúvidas dos usuários diante dessa mudança é o destino de jogos mais antigos lançados exclusivamente para sistemas de 32 bits (como clássicos da era inicial do Linux ou jogos de Windows da virada do milênio).

A Valve esclareceu que a migração do cliente principal não quebra a retrocompatibilidade. A plataforma continuará gerenciando e isolando títulos de 32 bits através do Steam Linux Runtime (o ambiente de contêineres conhecido internamente como Pressure Vessel). Em termos práticos: o cliente que gerencia a interface, a loja e os downloads agora é veloz e moderno em 64 bits, enquanto os jogos mais antigos recebem suas dependências encapsuladas sob demanda apenas na hora da execução.

Além da transição de arquitetura, a atualização da versão beta introduziu a funcionalidade de Achievement Sets (que permite que estúdios categorizem separadamente as conquistas da campanha principal e de expansões DLC) e atualizou os componentes do navegador CEF (Chromium Embedded Framework) integrado.

Após simplificar a vida dos jogadores ao ativar o Proton automaticamente para jogos de fora da loja, a Valve dá mais uma demonstração de maturidade ao alinhar sua tecnologia com o padrão das distribuições Linux de ponta. Para testar a novidade agora mesmo, basta acessar as configurações do seu Steam, entrar na aba “Interface” e habilitar a participação nas atualizações do “Steam Beta Update”.

Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter!