VS Code em formato Snap pode estar acumulando arquivos “apagados” no Linux

VS Code em formato Snap pode estar acumulando arquivos “apagados” no Linux

Usuários de Linux que instalaram o Visual Studio Code por meio do formato Snap podem estar enfrentando um problema sério e pouco visível: arquivos deletados pelo editor não estão sendo realmente removidos do sistema. Em alguns casos, desenvolvedores descobriram centenas de gigabytes ocupados por dados que acreditavam ter sido descartados há meses ou até anos.

O comportamento foi relatado por múltiplos usuários e rastreado até um bug registrado em novembro de 2024, que segue sem correção até hoje. O problema afeta tanto o VS Code oficial quanto o VSCodium quando instalados via Snap, especialmente em distribuições como Ubuntu, onde o Snap é amplamente incentivado.

O que está acontecendo

Em condições normais, ao deletar um arquivo no Linux, ele é movido para a lixeira do sistema, localizada em ~/.local/share/Trash. Alguns ambientes gráficos conseguem inclusive limpar esse diretório automaticamente após um período configurável.

No entanto, a versão Snap do VS Code ignora a lixeira padrão do sistema. Em vez disso, os arquivos deletados são enviados para um diretório isolado no próprio container Snap, localizado em:

~/snap/code/current/.local/share/Trash

Esse diretório não é gerenciado pelo sistema operacional, não aparece na lixeira gráfica e não é limpo automaticamente. Na prática, o arquivo “apagado” continua ocupando espaço indefinidamente.

O problema se agrava porque o Snap mantém versões antigas do aplicativo após atualizações. Cada versão pode conter sua própria lixeira local, multiplicando o volume de arquivos esquecidos no disco.

Segundo engenheiros da própria Microsoft envolvidos na discussão, a raiz do problema está em uma alteração feita em outubro de 2024, que redefine a variável de ambiente XDG_DATA_HOME para apontar para dentro do diretório do Snap. Isso faz com que o VS Code crie uma lixeira própria, desconectada do sistema.

Apesar de o bug estar documentado há mais de um ano, ele permanece aberto. Desenvolvedores relataram impactos diretos no uso do sistema: máquinas ficando sem espaço em disco, comportamento errático de aplicativos e até corrupção do sistema de arquivos em situações extremas.

Um dos relatos vem do engenheiro Iván López Broceño, que encontrou quase 200 GB de dados acumulados. Outro desenvolvedor, Chris Hayes, identificou 44 GB de arquivos “apagados” ao longo de dois anos, descobrindo o problema apenas quando o sistema começou a alertar sobre falta de espaço.

O Snap é o formato padrão da Ubuntu Store, e muitos usuários sequer percebem que estão instalando uma versão isolada do VS Code. Como o problema só se manifesta de forma evidente quando o disco começa a encher, grande parte das pessoas nunca investiga a fundo o uso de armazenamento.

Além disso, o VS Code é um projeto gigantesco, com mais de 12 mil issues abertas, o que ajuda a explicar, embora não justifique, por que um bug desse impacto pode passar tanto tempo sem solução.

Como evitar o problema

Por enquanto, a recomendação mais segura é evitar o VS Code em formato Snap. As versões oficiais em .deb e .rpm não apresentam esse comportamento, assim como builds distribuídos via .tar.gz ou Flatpak.

Para quem tem a versão Snap, remover o pacote costuma apagar os diretórios associados, mas vale verificar manualmente o espaço ocupado. Em um sistema onde tudo depende fortemente de arquivos, deixar centenas de gigabytes “invisíveis” no disco pode quebrar o Linux de formas difíceis de diagnosticar.

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