Apple aumenta preços de MacBooks e iPads após disparada no custo de memória


MacBook Neo exibido em evento da Apple em Nova York nesta quarta (04) Shannon Stapleton/Reuters A Apple anunciou nesta quinta-feira (25) aumentos nos preços de iPads e MacBooks, afirmando que não consegue mais absorver a forte alta nos custos de chips de memória e armazenamento, impulsionada pela expansão dos data centers voltados à inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A medida não afeta o iPhone, principal produto da empresa. Já o MacBook Neo, notebook de entrada lançado para disputar mercado com modelos mais baratos de Windows e Chromebooks, teve o preço inicial elevado de US$ 599 para US$ 699 (de cerca de R$ 3.114 para R$ 3.634, na conversão). O reajuste mostra que nem mesmo a Apple, considerada referência pela eficiência de sua cadeia de suprimentos, conseguiu escapar da disparada dos preços da memória, que já começa a afetar o mercado de eletrônicos. Fabricantes de memória, como a Micron, têm priorizado o fornecimento para empresas de chips de IA, como a Nvidia, o que elevou seus lucros, mas reduziu a oferta para fabricantes de computadores e smartphones. Agora no g1 "Nunca vimos um aumento no preço de componentes tão grande e tão rápido", afirmou a Apple em comunicado. "Até agora conseguimos proteger nossos clientes desses aumentos, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a elevar os preços de diversos produtos." Entre os principais reajustes: MacBook Neo: de US$ 599 para US$ 699 (de R$ 3.114 para R$ 3.634); MacBook Air (512 GB): de US$ 1.099 para US$ 1.299 (de R$ 5.715 para R$ 6.755); MacBook Pro (1 TB): de US$ 1.699 para US$ 1.999 (de R$ 8.835 para R$ 10.395); iPad Air (128 GB): de US$ 599 para US$ 749 (de R$ 3.114 para R$ 3.894). A empresa também elevou os preços das duas versões do HomePod e do Apple TV. Após o anúncio, as ações da Apple caíam quase 5%, enquanto os papéis da Dell recuavam mais de 8%. Rivais podem subir preços ainda mais Analistas avaliam que outras fabricantes de eletrônicos podem precisar promover reajustes ainda maiores que os da Apple, já que a empresa possui relações mais fortes com fornecedores e conseguiu adiar parte do impacto. "O cenário para memória é difícil e continuará estruturalmente apertado no futuro previsível", afirmou Ben Bajarin, CEO da consultoria Creative Strategies. A Apple já havia alertado, em abril, que o aumento dos custos de memória começaria a pressionar suas margens de lucro a partir do fim de junho. "Esperamos custos significativamente maiores com memória", disse o CEO Tim Cook durante teleconferência com analistas. Segundo ele, esse impacto tende a aumentar nos próximos trimestres. Tim Cook, CEO da Apple Reprodução Próximo alvo pode ser o iPhone A Apple não informou quais outras medidas está adotando para conter a alta dos custos além dos reajustes de preços. Especialistas acreditam que os iPhones também deverão ficar mais caros nos próximos meses. "O iPhone não escapará; o aumento de preço está a caminho", disse Nabila Popal, diretora sênior de pesquisas da IDC. Segundo ela, a Apple anunciou primeiro os reajustes dos Macs e iPads para que, no lançamento da próxima geração de iPhones, o foco fique nas novidades dos aparelhos, e não nos preços. Explosão dos preços da memória Segundo a consultoria TrendForce, os preços da memória DRAM — usada na maior parte dos dispositivos eletrônicos — subiram até 98% no primeiro trimestre de 2026 e devem avançar mais 58% a 63% no trimestre atual. A disparada, apelidada por especialistas de "RAMageddon", é consequência do boom na construção de data centers de IA. Empresas como a Nvidia fecharam contratos de longo prazo com fabricantes de memória, que correm para ampliar sua capacidade de produção. Na quarta-feira (24), a Micron informou ter fechado US$ 22 bilhões (cerca de R$ 114,4 bilhões) em contratos de fornecimento de longo prazo para garantir memória a seus clientes. A expectativa é que o aumento dos custos pressione as vendas de eletrônicos em 2026. A IDC projeta que o mercado global de smartphones registre sua maior queda anual da história, de quase 14%, enquanto as vendas de computadores deverão recuar 11,3%. "O cenário para a memória é difícil e continuará estruturalmente desafiador no futuro próximo", afirmou Ben Bajarin, CEO da consultoria Creative Strategies. "Já havia sinais de que a Apple precisaria aumentar os preços. E, se uma empresa com uma cadeia de suprimentos tão eficiente quanto a da Apple precisou fazer isso, há preocupação de que o restante da indústria tenha de elevar os preços ainda mais." Um dos poucos destaques positivos vinha sendo justamente o MacBook Neo, lançado em março. O modelo ajudou a impulsionar as vendas da Apple e levou parte do mercado a revisar para cima as projeções para o setor de PCs. Com o aumento para US$ 699 (R$ 3.634), porém, o notebook perdeu a vantagem de US$ 100 (R$ 520) que tinha sobre o novo Dell XPS 13, lançado no mês passado pelo mesmo preço (US$ 699, ou R$ 3.634), além de passar a custar mais do que alguns Chromebooks da Lenovo e da Asus.