
Crise da memória RAM pode deixar celulares, notebooks e até carros mais caros no Brasil Celulares, TVs e outros produtos eletrônicos podem ficar mais caros por causa da crise global de chips de memória RAM, afirmou TM Roh, CEO da Samsung. Essencial para o funcionamento desses dispositivos, a memória RAM está em falta no mercado, o que tem elevado os custos de produção. Especialistas ouvidos pelo g1 já haviam alertado, em dezembro, que celulares e outros eletrônicos podem ficar mais caros em 2026 por causa desse cenário. "Como esta situação é sem precedentes, nenhuma empresa está imune ao seu impacto", disse Roh em entrevista à agência Reuters. Na entrevista, o executivo não descartou o aumento dos preços de produtos como telefones celulares, TVs e eletrodomésticos e afirmou ser "inevitável" que eles sofram algum impacto. Ao mesmo tempo, Roh afirmou que a Samsung, maior fabricante de TVs do mundo, trabalha em estratégias de longo prazo com parceiros para reduzir os efeitos da crise. Samsung Galaxy S25 FE, lançado em 2025 Darlan Helder/g1 LEIA MAIS FAFO: Entenda a gíria usada por Trump em post após captura de Maduro Ligações indesejadas e robocalls: veja o que mudou nas regras sobre telemarketing 🤔 O que é a memória RAM A memória RAM, sigla para Random Access Memory, armazena temporariamente os dados que o dispositivo está usando naquele momento. Ao abrir um aplicativo ou jogo, as informações necessárias para seu funcionamento ficam na RAM. Quando o aparelho é desligado, esses dados são apagados, o que faz da RAM uma memória de curto prazo. 💾 Entenda a diferença entre memória RAM e armazenamento A memória RAM é medida em Megabytes (MB) ou em Gigabytes (GB). Quanto maior a quantidade, melhor tende a ser o desempenho. Um celular com 12 GB de RAM, por exemplo, consegue executar mais tarefas ao mesmo tempo do que um com 3 GB. Embora seja mais associada a celulares e computadores, a memória RAM também está presente em outros dispositivos do dia a dia, como: 🤳 smart TVs; 📱 tablets; 🎮 consoles de videogames; ⌚ relógios inteligentes; 🧹 aspiradores robô; 🚗 carros; 🖨️ impressoras. Mercado concentrado em IA O avanço da inteligência artificial está no centro dessa crise. Fabricantes passaram a direcionar investimentos e produção para chips mais avançados,usados em data centers de IA, reduzindo a oferta de memórias tradicionais. Segundo Paulo Vizaco, diretor da Kingston no Brasil, os investimentos pesados em chips de inteligência artificial e grandes data centers reduziram a disponibilidade de componentes para a fabricação de memória RAM. Vizaco afirma que as fabricantes passaram a priorizar memórias mais avançadas, usadas em data centers de IA, por serem mais lucrativas. Como resultado, a produção de modelos mais antigos caiu e os estoques diminuíram. Preço maior ou memória menor Com menos unidades disponíveis, a escassez dos chips pode gerar dois efeitos principais, segundo especialistas: 👎levar empresas a vender produtos com menos memória do que o ideal; 💰 encarecer dispositivos, como citado no início da reportagem. O g1 pesquisou o preço de uma memória RAM DDR4 de 16 GB da linha Corsair Vengeance RGB Pro. Na plataforma de comparação de preços Zoom, o produto custava R$ 650 em 10 de novembro. A partir de 2 de dezembro, o valor passou a R$ 1.599, uma alta de cerca de 146%. Valor de memória RAM passou de R$ 650 para R$ 1.590 em poucas semanas. Reprodução/Zoom No Brasil, o impacto pode ser ainda maior por causa de fatores como câmbio, impostos e custos logísticos, segundo Márcio Andrey Teixeira, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE). Vizaco afirma ainda que consumidores podem começar a ver celulares com configurações mais simples sendo vendidos pelo mesmo preço de antes. Em evento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), no início de dezembro, Mauricio Helfer, diretor da Dell no Brasil e que faz parte da entidade, afirmou que "setores como o de tecnologia e o automotivo correm o risco de sentir esses impactos, especialmente a partir de 2026". "No passado, a escassez era pontual e ligada a problemas de produção em fábricas, agora temos um novo cenário devido à IA", completa Mauricio. Cenário incerto Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, a crise pode se estender por alguns anos. Paulo Vizaco, da Kingston, afirma que o cenário ainda é incerto. "Tudo é muito novo [o crescimento rápido da IA e o aumento da demanda]. Será preciso acompanhar o mercado com atenção", diz. "Os preços já subiram nas últimas semanas. No médio prazo, precisaremos acompanhar o comportamento do mercado para entender o que irá acontecer. Na Kingston, nosso planejamento de longo prazo atua justamente para minimizar esses problemas e manter o abastecimento no Brasil o mais estável possível durante esse período", diz Vizaco. A SK Hynix, fabricante sul-coreana de chips, afirmou a analistas que a escassez de memória pode durar até o fim de 2027, segundo a Reuters. Ainda de acordo com a agência, um executivo do setor disse que o problema deve atrasar futuros projetos de data centers. Memória RAM é uma características responsáveis por aumentar a velocidade do computador. Michal A. Valasek/FreeImages Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas