Projeto de lei propõe suspensão de CNH para quem usa óculos inteligentes que obstruem a visão


Meta Ray-Ban Display tem câmera e lentes com projeção de vídeos e informações Divulgação / Meta A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (13) uma emenda ao Projeto de Lei 19/2026, que estabelece condições, deveres e restrições ao uso de óculos inteligentes por motoristas. A proposta inicial proibia totalmente o uso de óculos inteligentes na condução de veículos. A alteração feita pelo relator na comissão, deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG), propõe incluir no artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) a “vedação ao uso de dispositivos vestíveis ou portáteis que obstruam, total ou parcialmente, o campo de visão do condutor em relação à via e ao seu entorno”. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Segundo o relatório, esse é um critério objetivo diretamente ligado à segurança viária e que pode ser aplicado a tecnologias atuais e futuras. Para o motorista flagrado usando óculos inteligentes que obstruam a visão, o projeto prevê infração gravíssima, multa multiplicada por três e suspensão do direito de dirigir. O projeto agora será analisado pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Meta Ray-Ban Display, que ainda não é vendido no Brasil, pode projetar nas lentes tradução simultânea de textos. divulgação/Meta Óculos com IA regulamentados 🔎 Os óculos inteligentes são modelos com lentes de grau ou de sol que trazem câmeras, microfones e alto-falantes embutidos. Eles permitem gravar vídeos, tirar fotos e atender ligações sem tirar o celular do bolso. Alguns incluem IA para traduzir textos em tempo real, tirar dúvidas sobre o que o usuário está vendo e postar direto nas redes sociais. Um exemplo de óculos inteligente que poderia obstruir a visão e distrair o motorista é o que conta com o sistema Android XR, do Google. O g1 testou equipamento que pode projetar vídeos e imagens nas lentes. A tecnologia ainda não é oferecida no Brasil. (veja o vídeo abaixo) Android XR: g1 testa novo sistema operacional para óculos de realidade virtual e headsets No relatório, o deputado reconhece um potencial benéfico dos óculos inteligentes, em especial para navegação, alertas de segurança e assistentes. Com relevância também para pessoas com deficiência. Por isso ele não optou pela proibição completa. A proposta de lei estabelece que, durante a condução de veículos, os óculos inteligentes tenham de operar em um modo específico, com funcionalidades restritas. Ficariam disponíveis apenas os recursos diretamente relacionados a navegação, segurança e assistentes ao motorista. A regulamentação ficaria a cargo do Conselho Nacional de Trânsito. Não poderiam, segundo o texto, ser exibidos conteúdos estranhos à condução e que causem prejuízo ao campo de visão do motorista. Também estaria proibido captar, gravar, transmitir e processar imagens e sons com óculos inteligentes quando o condutor estiver dirigindo. Até dar instruções ao dispositivo ou realizar "estímulos cognitivos" está vetado pelo texto. As medidas valem para "quaisquer dispositivos vestíveis dotados de inteligência artificial" com essas funções. O projeto de lei também endurece as penalidades para o motorista reincidente. E ainda determina que usar essa tecnologia e se envolver em acidente de trânsito seria um agravante para o motorista. Meta Ray-Ban Display conta com projeção de GPS nas lentes divulgação/Meta Projeto vai além O projeto de lei 19/2026 do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) busca regulamentar o uso de dispositivos capazes de captar dados, como câmeras corporais, óculos inteligentes e outros equipamentos tecnológicos. Na prática, a proposta exige mais transparência das empresas: fabricantes e desenvolvedores terão que informar de forma visível quando houver coleta de dados, reduzir riscos à privacidade e assumir responsabilidade pelo uso dessas informações. O texto também determina que o tratamento de dados pessoais de terceiros siga as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Entre as principais obrigações para as empresas propostas pelo projeto estão: Desenvolver produtos já com mecanismos de proteção de dados desde sua criação; Inserir sinais ou alertas claros de que dados estão sendo captados Realizar avaliações de impacto para medir possíveis riscos à privacidade Além disso, o projeto restringe o uso desses dispositivos em situações consideradas sensíveis, como: Locais onde há expectativa de privacidade Concursos públicos Provas e avaliações Veja a seguir trecho do projeto de lei com a emenda que trata do uso de óculos inteligentes na condução de veículo: EMENDA Nº 1 Dê-se ao art. 11 do projeto a seguinte redação: “Art. 11. O art. 252 da Lei nº 9.503, de 1997, passa a vigorar com as seguintes alterações, renumerando-se o atual parágrafo único para § 1º: “Art. 252. ...................................................................................... VIII – utilizando dispositivo vestível ou portátil capaz de obstruir, total ou parcialmente, o campo de visão do condutor em relação à via e ao seu entorno. Infração - gravíssima; Penalidade – multa (três vezes) e suspensão do direito de dirigir. § 1º ............................................................................................... § 2º A hipótese prevista no inciso VIII do caput deste artigo não é aplicável para a utilização de dispositivo de auxílio à navegação, de assistência à condução ou de tecnologia assistiva, quando o seu uso for regulamentado pelo Contran, desde que o dispositivo, cumulativamente: I – opere em modo de condução que restrinja suas funcionalidades às estritamente relacionadas à navegação, à segurança viária ou à sua finalidade assistiva; II – não exiba conteúdos estranhos à condução do veículo ou à sua finalidade assistiva; e III – não prejudique a percepção do condutor em relação ao ambiente de trânsito.” (NR) *Colaborou André Fogaça