AirTags têm sido usados para monitorar e perseguir mulheres em São Paulo

AirTags têm sido usados para monitorar e perseguir mulheres em São Paulo

Desde o lançamento do , o rastreador da Apple, já falamos aqui sobre diversos casos solucionados com a sua ajuda, incluindo bens recuperados e até pessoas encontradas, mas também sobre um punhado de casos negativos e bem sérios.

Geralmente, essas ocorrências envolvem perseguição de pessoas — uma prática também conhecida como stalking. Embora infelizmente isso não seja uma situação inédita no Brasil, uma nova reportagem da Folha de S.Paulo destacou que cada vez mais casos de perseguição envolvendo AirTags têm sido registrados no país — mais precisamente, na capital paulista.

Os registros de perseguição na 1ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), na região central da capital paulista, cresceram 15,5% no primeiro trimestre deste ano. Foram 104 boletins de ocorrência entre janeiro e março, ante 90 no mesmo período de 2025.

Os detalhes dos casos também surpreendem, sendo que em um deles a vítima (uma pedagoga de 46 anos) descobriu estar sendo monitorada por um AirTag colocado dentro do sapato do filho, de 6 anos, que passava alguns dias com ela.

A delegada Cristine Nascimento Guedes Costa, titular da 1ª DDM de São Paulo, apontou que essa prática tem sido comum entre ex-cônjuges que possuem filho(s).

Às vezes o pai coloca a tag na mochila da criança e monitora a mulher por meio dela. Temos casos do objeto estar escondido no escapamento do carro. Os investigadores precisaram fazer uma busca bem minuciosa para localizá-la.

Antigamente, quando uma mulher dizia que o ex sabia onde ela estava o tempo todo, muita gente achava que era paranoia. Hoje sabemos que muitas vezes há realmente algum mecanismo de rastreamento.

De acordo com a promotora de Justiça Valeria Scarance, esconder rastreadores em pertences de uma pessoa, inclusive usando terceiros (como filhos) para isso, pode configurar crime de perseguição, previsto no artigo 147-A do Código Penal — e pode ainda ser enquadrado como violência psicológica, dependendo das circunstâncias.

A orientação, portanto, é de que as vítimas fotografem o rastreador antes de removê-lo, registrando o local onde ele foi encontrado, além de manter mensagens que possam demonstrar que alguém está acompanhando sua rotina, bem como sua localização. Ao sinal de perigo, é recomendado procurar uma delegacia especializada.

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