Apple gasta mais com lobbying na UE do que Total, Volkswagen e Airbus combinadas

Apple gasta mais com lobbying na UE do que Total, Volkswagen e Airbus combinadas

Uma análise publicada pelo Financial Times voltou a jogar luz sobre o nível de lobbying praticado por Big Techs estadunidenses na , incluindo a Apple — uma das maiores interessadas em alterar legislações como a .

O levantamento publicado pelo veículo, feito com base nos bancos de dados de transparência da UE, começa com uma informação um tanto chamativa: a fabricante do iPhone realizou mais reuniões com autoridades do bloco europeu do que qualquer empresa do Velho Continente sozinha — constatação que também se estende à Amazon e ao Google.

Mais especificamente, enquanto a Apple organizou 257 reuniões, a Amazon participou de 239. As duas, no entanto, perdem para a desenvolvedora do Android, que registrou nada menos do que 302 encontros no intervalo analisado, iniciado em época de eleições para o Parlamento Europeu e para a Comissão Europeia.

Além de discutir a flexibilização de leis relacionadas a recursos de inteligência artificial (IA), incluindo mais liberdade para treinar modelos com dados pessoais, esse trio também falou sobre propostas de regulamentação da computação em nuvem e regras de segurança online para crianças.

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Ainda segundo o FT, a Apple gasta cerca de 9€ milhões por ano com lobbying na UE — mais do que os 8,7€ milhões investidos pelas europeias Total, Volkswagen e Airbus combinadas. Questionada pelo veículo, a Maçã apenas disse que dialoga com os legisladores sobre temas importantes para seus clientes e seus negócios.

Apesar de tudo isso, as Big Techs estadunidenses não são as campeãs em matéria de lobbying no Velho Continente — posição que é ocupada por organizações não governamentais (ONGs) de escopo ambiental, como a WWF (431 reuniões no mesmo período). Na avaliação do FT, isso não quer dizer que essas organizações tenham tido o mesmo sucesso que as empresas na hora de promover seus interesses, já que as leis ambientais europeias vêm sendo constantemente enfraquecidas.

Além disso, enquanto essas ONGs costumam se encontrar mais com políticos ambientalistas e de partidos de esquerda, grupos que são minoria no Parlamento Europeu, as empresas estadunidenses organizam reuniões com políticos de todas as posições do espectro político, além de contarem com o apoio do governo de , que tem ameaçado a UE com tarifas em resposta às políticas de soberania tecnológica do bloco, como a DMA.

A UE tem hoje cerca de 18.000 lobistas registrados em seu banco de dados, o que inclui empresas, ativistas e associações comerciais. Cerca de 29.000 reuniões, no entanto, foram planejadas por organizações que não estão registradas como lobistas, incluindo a Heritage Foundation — think-tank ultraconservador dos EUA — e o governo da China.