O jornalista Mark Gurman (da Bloomberg) está de volta das férias com seu primeiro artigo do ano sobre os futuros planos da Apple — desta vez, com foco na reformulação da Siri.
Segundo ele, a Maçã planeja remodelar a sua assistente digital — e não, não estamos falando da “nova Siri”, prevista para ser lançada com o iOS 26.4, cujo objetivo é adicionar recursos anunciados na WWDC24, incluindo a capacidade de analisar o conteúdo na tela e acessar dados pessoais.
Mais especificamente, a empresa quer transformar a Siri no seu primeiro chatbot de inteligência artificial para competir com gigantes nessa área, como a OpenAI (ChatGPT) e o Google (Gemini). De acordo com o jornalista, a empresa pretende apresentar essa tecnologia em junho, durante a WWDC26, para lançá-la em setembro, com o iOS/iPadOS 27 e o macOS 27.
Esse chatbot, cujo codinome é “Campos”, será profundamente integrado aos sistemas operacionais do iPhone, iPad e Mac e, segundo Gurman, substituirá a interface atual da Siri. Ainda assim, os usuários poderão acessar o novo serviço da mesma forma que invocam a Siri — seja com o comando de voz ou pressionando o botão lateral do iPhone ou iPad.
Recursos do chatbot
Ainda segundo as informações, o chatbot da Apple terá modos de voz e digitação, bem como permitirá, assim como o ChatGPT e o Gemini, que os usuários pesquisem informações na web, criem conteúdos, gerem imagens, resumam informações e analisem arquivos enviados. O sistema também utilizará dados pessoais para concluir tarefas, podendo localizar com mais facilidade arquivos específicos, músicas, eventos da agenda e mensagens de texto.
Além disso, a Siri será integrada a todos os aplicativos principais da empresa, incluindo os de email, música, fotos, podcasts, TV, além do software de programação Xcode. Isso permitirá que os usuários façam muito mais apenas com a voz. Por exemplo, eles poderão pedir à Siri para encontrar uma foto com base na descrição de um conteúdo e editá-la com preferências específicas — como recorte e alterações de cor. Ou um usuário poderá pedir à Siri, dentro do aplicativo de email, para escrever uma mensagem para um amigo sobre planos futuros na agenda.
Ao contrário dos chatbots de terceiros que rodam nos dispositivos da Apple, a solução planejada foi projetada para analisar janelas abertas e o conteúdo na tela, a fim de executar ações e sugerir comandos. O chatbot também poderá controlar recursos e configurações do dispositivo, permitindo fazer ligações, definir alarmes e abrir a câmera.
Tanto a próxima atualização da Siri quanto o chatbot poderão inclui um recurso chamado “World Knowledge Answers” (algo como “Respostas de Conhecimento Mundial”), que possibilitará o fornecimento de respostas resumidas da web — semelhantes ao Perplexity e ao ChatGPT — juntamente com citações.
Internamente, a Apple está testando a tecnologia de chatbot como um aplicativo independente da Siri. A empresa não planeja oferecer essa versão aos clientes, já que a funcionalidade virá integrada em seus próximos sistemas operacionais — sendo que no iOS/iPadOS 27, seu codinome é Rave; já no macOS 27, ele é conhecido internamente como Fizz.
Tal abrangência poderá fazer com que a Apple abandone o Spotlight — embora uma questão em discussão é o quanto o chatbot poderá se lembrar sobre seus usuários, de modo que a Apple está considerando limitar drasticamente a capacidade de ele acessar conversas e detalhes pessoais ao atender solicitações em prol da privacidade.
Parceria com o Google
Tal chatbot contará com uma interface de usuário projetada pela Apple, mas “dependerá fortemente” de um modelo de IA personalizado desenvolvido a partir da tecnologia do Gemini.
Diferentemente da atualização do Siri prevista para o iOS 26.4, que utilizará um sistema conhecido internamente como “Apple Foundation Models version 10”, o chatbot da Siri executará uma versão mais avançada do modelo personalizado do Google, comparável ao Gemini 3, denominada “Apple Foundation Models version 11”.
Por conta dessa parceria, as empresas estariam discutindo a hospedagem do chatbot diretamente em servidores do Google (que utilizam chips conhecidos como TPUs, ou unidades de processamento de tensores) — ao contrário da atualização da Siri mais próxima, que operará no Private Cloud Compute da Apple, os quais utilizam chips da Maçã (Apple Silicon).
No entanto, a Apple está projetando o seu chatbot para que seus modelos subjacentes possam ser substituídos ao longo do tempo, de modo que ela terá a flexibilidade de abandonar os sistemas baseados no Google no futuro. A Maçã também teria testado o chatbot com modelos de IA chineses, sinalizando planos para eventualmente implementá-lo por lá — considerando, é claro, as limitações regionais.