Em mais um capítulo da batalha travada entre a Apple e o governo do Reino Unido sobre a exigência de um ponto de acesso (ou backdoor) à criptografia do iCloud, a empresa apresentou uma contestação judicial contra a tentativa, por parte do governo britânico, de acessar os dados criptografados de usuários, segundo o Financial Times.
Na ação protocolada junto ao Investigatory Powers Tribunal (IPT), no mês passado, a Apple afirmou que não criou e não pretende criar uma backdoor para os dados dos seus usuários, argumentando que a ferramenta enfraqueceria a segurança do iPhone.
Posts relacionados
- DOJ quer que Apple forneça dados de milhares de usuários de aplicativo automotivo
- Apple se opõe a lei que poderá exigir backdoor do iCloud no Canadá
- WhatsApp diz que apoiará Apple em processo contra a criação de backdoor no Reino Unido
A exigência iniciada com base na Technical Capability Notice (ou Notificação de Capacidade Técnica, uma ordem governamental que prevê a interceptação, por parte do governo do Reino Unido, de dados de usuários mantidos pelas grandes empresas de tecnologia) ordenava que a Apple fornecesse informações dos usuários do iCloud protegidas pela Proteção Avançada de Dados (Advanced Data Protection), obrigando a empresa a redesenhar seu serviço caso optasse por acatar as demandas estatais britânicas.
O recurso, vale lembrar, acabou sendo removido do iOS no país para evitar fornecer aquilo que foi determinado pelo governo do Reino Unido.
A abrangência dos usuários impactados também foi motivo de disputa: como a determinação inicialmente impactava integralmente a base instalada do iCloud, o governo dos Estados Unidos optou por pressionar o Reino Unido a desistir de aplicá-la a todos os usuários americanos, o que de fato ocorreu posteriormente. O recuo, porém, não durou muito, e uma segunda ação — muito semelhante à primeira — foi protocolada em outubro de 2025.