Apple TV completa 20 anos: veja como ela evoluiu em duas décadas

Apple TV completa 20 anos: veja como ela evoluiu em duas décadas

A ainda era um “simples” serviço de aluguel de filmes em mídias físicas, o iPhone ainda não tinha sido apresentado ao mundo e o saudoso ainda era a rede social mais popular no Brasil.

Foi nesse contexto, exatamente no dia 12 de setembro de 2006, que apresentou ao mundo a , o aparelho que futuramente se consolidaria simplesmente como… .

De certa forma escanteado no ecossistema da empresa atualmente, a Apple TV foi mais um dos produtos da Maçã que caíram no gosto de seus usuários, que veem no dispositivo uma forma prática e conveniente de se conectar ao ecossistema da empresa e a serviços de streaming.

Nesta publicação, faremos uma retrospectiva da história da set-top box mais icônica do mercado, mostrando um pouco sobre o contexto no qual ela foi lançada, sua evolução e seu futuro.

Como era o mundo antes da Apple TV?

Em 2006, antes do lançamento da Apple TV, o controle da sala de estar não estava pulverizado entre TV e streamings, como hoje, mas majoritariamente nas mãos das operadoras de TV a cabo e satélite.

Essas operadoras ofereciam gratuitamente (ou com um custo incluso no pacote) decodificadores focados na sintonia dos canais e em gravação — o que dificultava um player “de fora” entrar nesse mercado.

Por outro lado, os mercados de computadores e mobile (com o ) já estavam bem avançados em termos de consumo de mídia graças à — o que deixava os televisores, o principal aparelho voltado ao consumo de mídia doméstica, para lá de desatualizados.

A Apple percebeu bem a lacuna nesse mercado: não havia uma ponte eficiente entre os ecossistemas de mídia já presentes em computadores e os sistemas de entretenimento domésticos.

Um início um pouco diferente

Com a Netflix passando a focar na transmissão de conteúdos via streaming apenas no ano seguinte (e ainda não tão popular como em anos posteriores), a Apple TV nasceu um pouco diferente em propósito.

Durante o evento focado em música e mídia intitulado “It’s Showtime”, ela foi apresentada ao mundo em 2006 com o nome “iTV” — e com foco na sincronização de fotos e mídias com o iTunes (via Mac ou PC).

Com um sistema fortemente baseado no Mac OS X 10.4 Tiger e altamente dependente de computadores, ela ganhou seu nome atual ainda antes de ser lançada (para evitar disputas judiciais de uso de marca).

A primeira Apple TV foi lançada com 40GB de armazenamento, 256MB de RAM 1Random access memory, ou memória de acesso aleatório., resolução de vídeo limitada a 720p (HD) e o minimalista Apple Remote — que, na época, era branquinho e tinha bem menos botões que os controles de TV tradicionais.

Mudança de proposta

Ainda na primeira geração, a Maçã percebeu que sua abordagem inicial para o produto era bastante limitada — afinal, ninguém queria um novo dispositivo que ainda dependia de um computador ligado para operar.

Em 2008, a empresa lançou uma atualização apelidada “Take 2” que transformou a Apple TV em um dispositivo totalmente autônomo e independente do computador — como ela funciona até os dias atuais.

Com essa mudança, passou a ser possível alugar e comprar filmes em alta definição, baixar podcasts, assistir a vídeos no e visualizar fotos diretamente no aparelho simplesmente usando a internet.

Após isso, a Apple ainda enviou aos usuários uma terceira grande atualização — que trocou a antiga interface Front Row (herdada do Mac OS X) por colunas horizontais de navegação.

Revolução

O iPhone já era um grande sucesso, a Netflix se consolidava como a gigante de streaming que conhecemos hoje e até mesmo o , lançado em 2008 para rodar produções da Netflix, já popularizava suas ofertas.

Se a “Take 2” da Apple TV levou ao dispositivo sua filosofia standalone atual, 2010 foi o ano em que a Maçã lançou aquela que pode ser encarada como a maior atualização da história do dispositivo — mais conhecida como Apple TV de 2ª geração.

Ela trouxe outra mudança de filosofia — dessa vez não sobre a forma como usuários a utilizam, e sim sobre como o aparelho é construído. Isso porque a Apple fez a transição da arquitetura x86 do dispositivo, baseada nos Macs, para a arquitetura ARM.

Ao trocar o antigo processador da Intel pelo seu chip proprietário A4 — algo que, uma década depois, seria feito justamente com os Macs —, a empresa preparou o dispositivo para o paradigma do streaming puro que era cada vez mais popular em seu lançamento.

A nova arquitetura e a eliminação de componentes (como as entradas analógicas, que deram lugar exclusivamente à HDMI) tornaram a Apple TV bem mais silenciosa, leve, menor (ela agora cabia na palma da mão) e barata, com um custo de apenas US$100.

Essa mudança também consagrou a adoção de aplicativos de terceiros (como a Netflix) e o suporte ao , que permitia aos usuários espelhar na televisão áudios, fotos e vídeos capturados com o iPhone, sem usar qualquer fio e com um delay mínimo.

Nos mesmos moldes, a Apple lançou em março de 2012 a Apple TV de 3ª geração, que trouxe como novidades coisas como a decodificação e a saída nativa de vídeo em 1080p (Full HD) e uma nova interface em mosaico.

Revolução (parte II)

Embora já contasse com suporte a serviços e plataformas de terceiros, a Apple TV ainda não tinha uma loja de aplicativos no sentido tradicional, e os apps que lá estavam (na época, chamados de canais) eram selecionados a dedo pela Maçã.

Além da impossibilidade de usuários escolherem o que baixar ou não, essa era também uma limitação para desenvolvedores — algo que limitava bastante o número de opções disponíveis para os usuários e deixava o ecossistema um tanto quanto esgotado.

Em 2015, esse cenário mudou totalmente com o lançamento da Apple TV de 4ª geração (renomeada pela Apple retroativamente como Apple TV HD). Foi com ela que a Apple lançou o sistema operacional , que tinha como um dos seus principais destaques a .

Nova Apple TV na tela inicial do tvOS com controle remoto na mão apontando para a televisão

Review: Apple TV de quarta geração

Rafael Fischmann24/12/2015 • 15:51

Com o tvOS e a App Store, a Apple TV estava cada vez mais próxima ao que já existia nos iPhones, uma vez que desenvolvedores agora poderiam aproveitar a estrutura já existente em seus apps para o smartphone e portá-la com facilidade para as TVs.

Com o processador A8, essa versão abriu caminho não somente para o lançamento de novos aplicativos de streaming e mídia, como também de jogos — inclusive, era uma intenção da Apple posicioná-la também como uma espécie de console, focado em jogos casuais.

Essa estratégia meio que nunca vingou por completo, e acredita-se que muito por causa das diretrizes da Apple, as quais exigiam que desenvolvedores lançassem jogos exclusivamente com suporte ao novíssimo — algo que foi alterado posteriormente, mas talvez tarde demais.

Falando no controle, ele foi uma das maiores polêmicas dessa geração. Com uma interface de toque num vidro fosco e botões clicáveis na parte inferior (aqui em um vidro liso), ele foi projetado para maior ergonomia e praticidade — mas não foi bem isso que aconteceu.

Além de ser facilmente quebrável, o controle ainda sofria com outro problema: como havia um equilíbrio entre a parte superior e a inferior, era muito fácil acabar confundindo qual era qual (principalmente no escuro) e acionar algum comando com a parte sensível ao toque sem querer.

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A fase atual começou com mais resolução

Em 2017, foi a vez de acompanharmos a transição para a Apple TV 4K, nomenclatura que está em vigor até hoje. Com o chip A10X Fusion, o mesmo usado nos iPads Pro da época, ela trouxe melhorias grandes em termos de qualidade de imagem.

Além da clara e notável mudança de resolução (agora ela era de 2160p) que lhe nomeou, a nova Apple TV chegou com novidades como Alto Alcance Dinâmico (HDR 10) e decodificação avançada de metadados visuais (promovida pelo sistema Dolby Vision).

Embora não tenha trazido muitas mudanças estruturais, a Apple ainda “corrigiu” discretamente um dos muitos problemas apontados pelos usuários no Siri Remote: adicionou uma pequena borda branca com relevo ao botão “Menu”, a fim de evitar acionamentos acidentais.

Quatro anos depois, em 2021, outra atualização. Com o chip A12 Bionic, a Apple TV 4K de 2ª geração incrementou ainda mais o poder computacional do dispositivo, com suporte à reprodução de conteúdos HDR a 60 quadros por segundo, HDMI 2.1 e o suporte à conexão via Wi-Fi 6.

Com ela, a Apple também lançou uma nova versão do Siri Remote, mais parecida com o que estreou com a Apple TV de 2ª geração. Ela retomou o corpo de alumínio e trouxe um clickpad sensível ao toque circular, inspirado na Click Wheel dos antigos iPods.

Por fim, em 2022, apenas um ano depois, a Maçã lançou a Apple TV 4K de 3ª geração. Ainda seguindo na mesma linha das anteriores, ela trouxe como maior destaque o chip A15 Bionic (que deu ao modelo um maior desempenho), bem como suporte ao HDR10+.

Nova Apple TV 4K com Siri Remote

Review: Apple TV 4K de 3ª geração

Bruno Cardoso11/02/2023 • 12:00

Nessa geração, também tivemos outra mudança no Siri Remote, que agora passou a contar com uma porta USB-C (e não mais Lightning). A Apple TV em si, por sua vez, ficou 20% menor e eliminou a ventoinha interna, passando a utilizar resfriamento passivo.

Parada no tempo?

Se desconsiderarmos as mudanças de chip, atualizações de tecnologias e recursos de software que eventualmente chegam apenas apenas ao modelo mais recente, não é um exagero dizer que a Apple TV ficou parada no tempo desde 2017, com o lançamento do primeiro modelo 4K.

Com os sistemas operacionais televisivos cada vez mais eficientes e fluidos (cenário bem diferente do de uma década atrás, por exemplo) e outros players consideravelmente mais baratos, é notório como a Apple TV pode não se justificar para boa parte de seus potenciais clientes.

Além disso, a maioria desses sistemas e dispositivos conta com aplicativos como o e o (embora não tão completos e com o mesmo nível de integração que eles têm com o tvOS), cuja ausência era um dos fatores que poderia contribuir para uma aquisição do produto no passado.

Aplicativo Apple TV numa Smart TV da Samsung

Aplicativo Apple TV e AirPlay 2 já estão disponíveis para TVs Samsung!

Bruno Santana13/05/2019 • 14:52

Quando falamos em jogos, está mais do que claro que a Apple não conseguiu fazer da Apple TV uma espécie de console, como alegadamente estava em seus planos — e nem mesmo o lançamento do a popularizou como uma plataforma gamer relevante.

Dessa forma, a Apple TV é atualmente um dispositivo para quem quer estar 100% integrado ao ecossistema da Apple (quem tem , por exemplo) ou para quem quer maior qualidade (isso é inegável que ela tenha) e está disposto a pagar bem mais por isso.

O futuro

Por outro lado, caso os rumores sobre futuros dispositivos da Maçã estejam corretos, pode ser que estejamos prestes a presenciar uma mudança relevante na próxima geração do aparelho, que supostamente será lançada pela Apple em breve.

É que tudo indica que o aparelho finalmente ganhará suporte à e, consequentemente, também à — o que a tornará mais poderosa e permitirá que usuários obtenham detalhes mais aprofundados sobre os conteúdos disponibilizados nos seus aplicativos.

Com a Siri mais conversacional e inteligente, usuários poderão, por exemplo, conversar continuamente com a assistente (que manterá o contexto da conversa) e pedir para que ela encontre filmes e produções com base em determinado prompt mais detalhado.

Essa busca também poderia ser mais avançada e intercalar múltiplos filtros de uma única vez — como pesquisar por um título de terror com determinado ator/atriz, lançado em determinado período ou até mesmo parecido com outra produção.

Essas novidades seriam possíveis graças a uma atualização do processador para o A17 Pro (ou A19 Pro) e provavelmente um incremento em sua memória para que o dispositivo possa rodar os recursos de IA da empresa sem que haja a necessidade de um iPhone conectado.

Embora eu não ache que essas possíveis novidades quebrarão algum paradigma em termos de popularidade para a Apple TV, elas certamente serão uma mão na roda para quem já usa o dispositivo ou para quem quer ampliar seu ecossistema da Apple.


Parada no tempo ou não, fato é que a Apple TV continua como um dispositivo bem relevante dentro do ecossistema da empresa, mesmo que esteja longe de ter o apelo que a Apple pode ter imaginado na sua concepção.

E bem mais que ter um apelo atual, trata-se também de um produto que tem muita margem para evolução — principalmente com as novidades que poderão surgir no segmento de casa inteligente que a Apple está preparando em torno da inteligência artificial.

Apple TV 4K (3ª geração)

Armazenamento: 64GB ou 128GB
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Notas de rodapé

  • 1Random access memory, ou memória de acesso aleatório.