Caso Epic: Apple apela contra decisão de desacato envolvendo pagamentos externos na App Store

Caso Epic: Apple apela contra decisão de desacato envolvendo pagamentos externos na App Store

A Apple entrou com um recurso contra uma decisão proferida em abril do ano passado pela juíza Yvonne Gonzalez Rogers, que entendeu que a empresa havia violado uma liminar que a obrigava a abrir a App Store para sistemas de pagamento externos no longo caso contra a Epic Games.

No novo documento [PDF], entregue ontem à Suprema Corte dos Estados Unidos, a Maçã argumenta que a instância máxima da Justiça estadunidense deve decidir se uma corte (no caso, o Tribunal do Nono Circuito) pode considerar uma parte em desacato civil por violar o “espírito” de uma liminar mesmo quando ela não aborda a conduta na qual a decisão de desacato se apoia.

A Apple seguiu com sua argumentação ao dizer que a liminar que a obrigava a permitir links para pagamentos externos em softwares distribuídos pela App Store não a impedia de cobrar taxas sobre essas transações. Por isso, a fabricante do iPhone acusou o Tribunal de abuso de poder:

Essa abordagem não apenas deixa de fornecer às partes a notificação explícita exigida pelos precedentes deste Tribunal, como também amplifica o risco singular de abuso inerente ao poder de punir o desacato. Os tribunais têm o poder de modificar ou esclarecer as liminares de forma contínua para lidar com circunstâncias novas ou alteradas, mas a severa medida de punir o desacato se limita a situações em que uma das partes viola os termos inequívocos de uma ordem judicial.

A Apple, vale lembrar, passou a permitir links para ambientes de compra externos na App Store em resposta aos desdobramentos da sua batalha contra a desenvolvedora de Fortnite no começo de 2024, mas, na mesma época, anunciou que cobraria uma taxa de 27% por toda compra realizada no primeiro ano e de 12% a partir do segundo. Esta porcentagem menor também seria cobrada de participantes do , algo que desagradou a Epic e resultou na decisão de Rogers.

Para sustentar os seus argumentos, a Apple citou até mesmo casos que remontam a 1885. Para a empresa, ela não pode ser considerada em desacato porque não houve violação clara e inequívoca do texto da liminar, que, segundo ela, contava com apenas 75 palavras.

Em uma postagem no X, o CEO 1Chief executive officer, ou diretor executivo. da Epic Games, Tim Sweeney, acusou a Maçã de “compartilhar seus pontos de discussão confusos sobre o tema com a imprensa”, além de alegar que “a Epic está lutando pelo direito de todos os desenvolvedores de oferecerem melhores ofertas a todos os consumidores, evitando as taxas absurdas e inúteis da Apple”.

Com o envio desse recurso, a Epic tem até 13 de novembro para apresentar sua resposta — a qual deverá ser seguida por uma réplica da Apple até 14 de dezembro. A Suprema Corte poderá, então, começar a analisar o caso já em janeiro de 2027.

via 9to5Mac

Notas de rodapé

  • 1Chief executive officer, ou diretor executivo.