Para quem é novo aqui no MacMagazine, me chamo Michel, tenho 47 anos, sou brasileiro e moro no Canadá desde 2022.
Recentemente, levei meu filho de 4 anos ao Canada Science and Technology Museum. A ideia era simples: um passeio em família. Mas saí de lá com algo a mais: um misto de nostalgia, choque de realidade e uma reflexão que não estava esperando.
Logo na entrada, comecei a ver itens que, para mim, não eram “história”. Eram parte da minha vida.

Lembro claramente de ir aos Estados Unidos com o Breno Masi para buscar um dos primeiros modelos que chegaram ao Brasil. Aquilo parecia o futuro — e talvez ainda seja, só não naquele timing.

E olha que nem era o de primeira geração! Ainda assim, já está lá, em exposição.


Usei por muito tempo; hoje, para a nova geração, parece coisa de filme antigo.


Quem viveu essa época sabe o impacto que esse celular teve. Era status, tecnologia e design num nível absurdo para a época.
O museu tinha até um Apple Watch de primeira geração, mas esse, curiosamente, quase não mudou tanto assim (visualmente). Então, nem tirei foto.


Que saudades desse dispositivo que revolucionou o mercado! A única coisa que não tenho saudades é de ficar arrumando as músicas tudo certinho — talvez o nosso editor-chefe discorde de mim, já que ele tinha anos e anos de musicas guardadas por muito tempo, mas depois acabou cedendo a modernidade e ficou com as versões online mesmo. 🤪

Tinha até um Newton. Esse eu não cheguei a usar, mas utilizei muitos Palmtops na época — ainda assim, gostaria muito de ter tido um.
Abaixo, mais algumas fotos de outros itens que vi por lá — mas não vou dar spoiler de tudo para vocês terem a oportunidade de visitar e ver as “novidades”.






Saí do museu com um sentimento curioso. Por um lado, a sensação de que o tempo passou rápido demais. Por outro, a percepção de que muita coisa daquilo ainda faz sentido. E foi aí que as peças começaram a se encaixar.
Na minha coleção pessoal, tenho alguns iPods e iPhones antigos. E, por incrível que pareça, usei bastante meus iPods aqui no Canadá, principalmente para ouvir rádio em francês e treinar o ouvido. Simples, direto, sem distrações.
Foi então comecei a ver matérias como essa do The New York Times falando exatamente disso: o retorno do iPod como uma forma de se desconectar do excesso digital.
Não é sobre nostalgia. É sobre comportamento. Uma geração inteira está começando a perceber que notificações demais cansam, algoritmos demais distraem, informação demais sobrecarrega. E aí, de forma quase irônica, a solução pode estar em voltar alguns passos.



A Apple já vem tentando resolver isso com recursos como Tempo de Uso, Modo Foco e ajustes de notificações. Mas tudo isso ainda depende de autocontrole.
Agora imagina um movimento diferente. Um novo iPod ou até um novo iPod touch, pensado para uma geração que quer menos distração, não mais recursos. Não seria sobre limitar o usuário, e sim sobre oferecer uma escolha. Um dispositivo que toca música, talvez tenha alguns apps essenciais, mas não seja um buraco negro de atenção.
Talvez o mais curioso de tudo isso seja perceber que a tecnologia não evolui só em linha reta, ela também gira em ciclos. Aquilo que um dia foi ultrapassado pode voltar — não porque era melhor tecnicamente, mas porque resolve um problema humano que nunca deixou de existir.
No meio de tanta inovação, performance e inteligência artificial, talvez o que muita gente esteja buscando seja justamente algo mais simples. E quem diria que um iPod poderia ser parte dessa resposta em 2026?