Falta pouco menos de um mês para o primeiro turno das eleições, e a esta altura você provavelmente já recebeu no WhatsApp algum “aviso urgente” sobre uma pendência no seu Título de Eleitor. Pois é: a Justiça Eleitoral voltou a alertar recentemente para golpes que usam o nome do TSE, incluindo um app falso chamado Soluciona Pendência.
Então, antes de qualquer lista, a regra número um: tudo o que a Justiça Eleitoral oferece é de graça, e os apps oficiais vêm de um único desenvolvedor na App Store (o Tribunal Superior Eleitoral). Se a conta for outra, desconfie. Há inclusive apps de terceiros com nome parecido com serviços do TSE (e recheados de anúncios) que não têm nada de oficial.
Feito o aviso, vamos ao que interessa. Não são muitos apps, mas cada um tem um papel bem definido no calendário eleitoral.
e-Título: comece por aqui
O e-Título é a versão digital do Título de Eleitor, e é o app que você deveria ter instalado antes de qualquer outro. Parece básico demais para merecer explicação, mas todo ano de eleição a mesma cena se repete: gente descobrindo na fila da seção que o título de papel ficou em casa, ou que a seção mudou de escola. O básico, às vezes, precisa ser dito.
Funciona assim (nós já mostramos o passo a passo por aqui): você baixa o app, informa os dados do seu cadastro eleitoral (nome completo, CPF, data de nascimento e filiação) e faz a validação facial, um vídeo-selfie rápido. Se o título estiver regular ou apenas suspenso, o app abre normalmente; se estiver cancelado, não abre, e aí o caminho é o cartório eleitoral, não o celular.
Depois do primeiro acesso, a tela principal já traz o que importa: seu número de título, zona, seção e o endereço do local de votação.
O ponto mais útil está nesse detalhe: quem tem biometria cadastrada na Justiça Eleitoral vê o e-Título com foto, e ele vale como documento na hora de votar. Dá para deixar o RG em casa (não que eu recomende). Quem ainda não cadastrou a biometria vê o título sem foto, e nesse caso precisa levar um documento oficial com foto, como sempre.
O app também é o jeito mais simples de resolver a vida de quem não pode votar. A justificativa de ausência pode ser enviada por ele mesmo, no dia da eleição ou depois (com prazo de 60 dias após cada turno — quem faltar nos dois, precisa justificar duas vezes). E, para quem está devendo alguma justificativa antiga, o e-Título mostra a pendência e emite a certidão de quitação eleitoral, aquela que empresas e concursos públicos adoram pedir.
O que mudou em 2026
A novidade é que o app foi reformulado em julho e virou uma espécie de balcão único da Justiça Eleitoral. Multas eleitorais agora podem ser pagas por Pix ou cartão de crédito dentro do próprio app, sem redirecionamento para plataformas externas.
O reconhecimento facial libera funções mais sensíveis, como certidões de filiação partidária e códigos temporários de autenticação em outros sistemas. E os dados pessoais passam a sincronizar automaticamente: quem mudou de nome ou de estado civil não precisa mais desinstalar e reinstalar o app para ver a informação atualizada — uma dor antiga que qualquer pessoa que já usou o e-Título em ano de eleição conhece bem.
Um detalhe importante: o cadastro eleitoral está fechado desde 7 de maio e só reabrirá em 3 de novembro. Ou seja, o app não vai resolver título cancelado nem mudança de domicílio agora. O que ele resolve é tudo o que vem depois disso.
Pardal: para denunciar propaganda irregular
Carro de som fora do horário, santinho espalhado na porta da seção, propaganda paga disfarçada de conteúdo nas redes. O Pardal existe para isso. A versão para as Eleições 2026 está disponível desde 16 de agosto e permite anexar foto, vídeo ou áudio à denúncia, que vai direto para o Ministério Público Eleitoral.
Vale dizer que a denúncia não é anônima para o sistema: é preciso se identificar pelo e-Título ou pela conta gov.br. Na minha opinião, faz sentido. Um app de denúncia sem responsabilização viraria arma de campanha em cinco minutos. As estatísticas do que foi denunciado, por outro lado, são públicas no portal Pardal Web.
Resultados: a apuração no seu bolso
No dia 4 de outubro — e no dia 25, se houver segundo turno —, a partir das 17h de Brasília, o Resultados é o app para acompanhar a apuração em tempo real.
Dá para filtrar por estado e município, ver todos os cargos, os percentuais de votos válidos, brancos, nulos e abstenção, e montar uma lista com os candidatos que você quer seguir de perto — o que evita ficar rolando a tela atrás daquele nome de deputado estadual.
Para quem mora fora, como eu, o app também consolida os votos do exterior na contagem para presidente. É o único cargo que a gente vota estando fora do país, então pelo menos a apuração é rápida. 😛
Boletim na Mão: o cético de plantão
Este é o menos conhecido e, para mim, o mais interessante do ponto de vista de produto. Ao fim da votação, cada urna imprime um boletim com o resultado daquela seção, e ele fica afixado no local.
O Boletim na Mão lê o código QR desse boletim e permite comparar os números impressos com os que o TSE publica no portal de resultados. Neste ano, essa função também foi incorporada como módulo dentro do novo e-Título.
É a resposta técnica mais elegante que conheço para a pergunta “Como sei que o resultado é aquele mesmo?” Não precisa confiar em ninguém, basta conferir. Quem quiser ir além encontra todos os boletins no Portal de Dados Abertos do TSE, depois da apuração.
E fora da App Store?
Nem tudo virou app, e tudo bem.
- O DivulgaCand, portal oficial de candidaturas e contas de campanha, continua sendo site e é onde você confere quem está concorrendo, com que dinheiro e de quem.
- O Fato ou Boato, do próprio TSE, checa as correntes que chegam no grupo da família.
- E o simulador de votação, para quem vota pela primeira vez (ou para quem só quer treinar a sequência de números), roda direto no Safari.
No fim das contas, são quatro apps, todos gratuitos e do mesmo desenvolvedor. Num ano em que o problema não é falta de informação, e sim excesso de informação duvidosa, saber exatamente de onde vem cada uma delas já é meio caminho andado.