Em entrevista ao The Wall Street Journal, o diretor comercial da Micron Technology, Sumit Sadana, deu a entender que a Apple pode ter tido uma participação relevante na atual crise que o mercado de memória enfrenta.
Em seu terceiro trimestre fiscal, fechado ontem, a Micron Technology — uma das principais fornecedoras de memória da Apple — alcançou um resultado impressionante, com uma alta de 346% na receita e uma margem bruta próxima a 85%.
Ontem também foi o dia em que a Apple anunciou aumentos em uma série de seus produtos [1, 2, 3], poucas semanas depois do CEO 1 da Maçã, Tim Cook, confirmar ao mesmo WSJ que a escassez mercadológica de RAM 2 levaria inevitavelmente ao aumento de preços.
Sem citar nomes, Sadana sugeriu que a Apple pode ser parcialmente responsável pelos dilemas do mercado atual ao alegar que a negociação no valor dos componentes impossibilitou maiores investimentos em momentos de baixa:
Nós falamos para alguns dos nossos consumidores que estavam sendo muito agressivos na negociação naquela época e que isso não era construtivo. […] Muitos dos investimentos na indústria foram interrompidos em 2023 por causa da prática de preços muito baixos e margens de lucro muito pequenas.
A Maçã é particularmente conhecida pela constante negociação com os seus fornecedores, aspecto reconhecido por muitos analistas como um dos motivos pelos quais a empresa teria menos dificuldade no atravessamento dessa crise em relação aos seus concorrentes.
Embora a prática tenha permitido o adiamento de reajustes por um determinado período, a perspectiva do executivo da Micron expõe que a posição também pode ter contribuído para uma ambiência insustentável de preços.
via 9to5Mac