Grupo processa Apple por suposto uso de minerais ligados a trabalho infantil no Congo

Grupo processa Apple por suposto uso de minerais ligados a trabalho infantil no Congo

A International Rights Advocates (IRAdvocates) abriu um novo processo contra a Apple nos Estados Unidos, alegando que a cadeia de suprimentos da empresa ainda inclui cobalto, estanho, tântalo e tungstênio — materiais associados a trabalho infantil, trabalho forçado e grupos armados na República Democrática do Congo e em Ruanda. As informações foram divulgadas pela Reuters, que teve acesso à ação judicial.

Segundo a denúncia, apresentada na Suprema Corte do Distrito de Columbia, esses minerais teriam passado por três fundições chinesas (Ningxia Orient, JiuJiang JinXin e Jiujiang Tanbre) apontadas por investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Global Witness como envolvidas no processamento de columbita-tantalita contrabandeada após a tomada de minas por grupos armados no leste do Congo.

A ação não pede indenização financeira, mas busca que a Justiça determine se houve violação de leis de proteção ao consumidor e que imponha medidas para impedir suposto marketing enganoso.

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A Apple nega as acusações. Em respostas a litígios anteriores relacionados ao tema, a empresa afirmou ter instruído fornecedores a suspender o uso de minerais extraídos no Congo e em Ruanda, e que não encontrou “base razoável” para concluir que fundidores ou refinadores ligados à sua cadeia financiaram grupos armados.

A companhia alega que 100% dos refinadores identificados em seu ecossistema passaram por auditorias independentes em 2024 e que ampliou metas de reciclagem para que, até o fim de 2025, utilize apenas cobalto reciclado em todas as baterias projetadas pela própria Apple, além de estanho, ouro e terras raras reciclados em placas de circuito e ímãs.

O Congo é responsável por cerca de 70% do cobalto do mundo, além de volumes significativos dos outros minerais mencionados, amplamente usados em smartphones, computadores e baterias. Autoridades do país afirmam que parte dessas matérias-primas é explorada por grupos armados, que utilizam os lucros para financiar conflitos na região.

A IRAdvocates já havia processado Apple, a Tesla e outras empresas por questões similares envolvendo cobalto. Até o momento, a Apple não comentou o novo processo.

via MarketScreener