Há exatamente 20 anos, o primeiro Mac Pro era anunciado!

Há exatamente 20 anos, o primeiro Mac Pro era anunciado!

Já tendo completado a passagem para o mundo dos mortos, o icônico (antigo desktop topo-de-linha da Apple) foi revelado ao mundo pela primeira vez há exatos 20 anos, durante de 2006.

Último Mac a trocar os chips pelos processadores da (transição que havia sido iniciada em 2005), ele chegou com o dobro de performance do Power Mac G5, seu antecessor direto — e de quem herdou a primeira iteração do design de “ralador de queijo”, que com certeza marcou época.

Com um preço inicial de US$2.500 (ou US$4.140, levando em conta a inflação até os dias de hoje), ele era parrudíssimo — tanto em termos de performance bruta quanto de conectividade. Extremamente “upgradeável”, ele vinha com dois processadores Intel Xeon de dois núcleos (2,0GHz, 2,66GHz ou 3,0GHz, dependendo da versão escolhida), bem como com a placa gráfica GeForce 7300 GT, da NVIDIA — componente que podia ser trocado por uma Quadro FX 4500 (também da NVIDIA) ou uma ATI Radeon X1900 XT (da AMD).

Contando com quatro espaços para unidades Serial ATA (dois a mais que o Power Mac G5), o Mac Pro de primeira geração também permita a instalação de até quatro GPUs 1Graphics processing units, ou unidades de processamento gráfico. via PCIe, além suportar até 32GB de RAM 2Random access memory, ou memória de acesso aleatório. — por padrão, ele vinha com “apenas” 1GB. O desktop também era equipado com 5 portas USB 2.0 e 4 FireWire 800, padrão ainda muito popular na época.

O queridinho de profissionais criativos, o Mac Pro parecia ser feito sob medida (ou vice-versa) para softwares como o , além de vir de fábrica com o clássico , lançado mais cedo naquele ano. Nem tudo eram flores, no entanto, já que alguns apps, como os da popular , ainda precisavam da camada de tradução para rodar adequadamente em Macs com processadores x86, o que resultava em gargalos de performance — problema que foi solucionado com o passar dos meses.

Desde então, o Mac Pro original foi atualizado algumas vezes; o primeiro upgrade veio já em abril 2007, seguido por outro em janeiro de 2008. No início de 2009, o computador ganhou os processadores Intel Xeon 5500 e, um ano depois, passou a suportar até 64GB de memória e até 8TB de armazenamento — além de ter adotado os processadores da linha Intel Xeon 5600, é claro. A última dança desse primeiro design do desktop veio em 2012, com dois processadores Intel Xeon Westmere-EP de seis núcleos (2,4GHz).

O primeiro tropeço

O ano de 2013 foi difícil para o Mac Pro, que recebeu um novo design tão compacto quanto polêmico. Cilíndrica, a nova geração do Mac Pro instigou comparações com latas de lixo, principalmente por conta da abertura para ventilação na parte de cima do computador.

Por falar em ventilação, é nessa área onde reside a maior fraqueza desse novo modelo: o sistema de resfriamento, construído em volta de um “núcleo térmico unificado” central que, embora fosse, sim, um conceito muito interessante, não era o suficiente para resfriar o seu processador Intel Xeon e as duas GPUs AMD FirePro.

O novo design também fez a Apple abrir mão de duas outras características importantíssimas do Mac Pro: a vasta seleção de portas e a possibilidade de trocar praticamente todos os principais componentes do computador. Caso o usuário quisesse realizar algum upgrade, ele era obrigado a fazer isso por meio de uma das suas portas Thunderbolt 2, o que estava longe de ser o ideal.

A má recepção fez o Mac Pro “lata de lixo” cair no ostracismo e ficar sem receber novas atualizações por nada menos que seis anos — um contraste e tanto em relação ao modelo anterior. A situação chegou até mesmo ao ponto de a própria Apple admitir, em 2017, que errou a mão na hora de projetar a mais nova versão do seu desktop profissional — atitude que foi seguida pelo lançamento do iMac Pro, que serviu como uma espécie de “tapa buraco” até o lançamento do último grande redesign do Mac Pro.

Um breve renascimento

Em 2019, a Apple colocou ordem na casa ao lançar um novo Mac Pro muito mais parecido com o modelo original do que com o computador que o precedeu — ou seja, com um formato de torre tradicional.

Apostando mais uma vez no alumínio como seu material principal, o desktop passou a contar com furos para ventilação que, mais uma vez, provocaram comparações com raladores de queijo. Dentro, foram adicionada três ventoinhas bem parrudas, as quais davam conta de resfriar todos os componentes do computador, já que eles não contavam com coolers individuais.

Equipado com um processador Intel Xeon de até 28 núcleos, ele suportava até 1,5TB de memória — número surpreendente até para os dias de hoje. Contando com nada menos que oito slots PCIe, ele podia ser configurado com as GPUs Radeon Pro 580X ou Radeon Pro Vega II, da AMD, bem como com a novíssima placa aceleradora , para a edição de vídeos.

O otimismo introduzido por esse novo design, porém, foi logo suplantado pela introdução, apenas um ano depois, dos chips da família Apple Silicon, bem mais rápidos e eficientes que os da Intel e que passariam a substituir os processadores da fabricante estadunidense nos Macs. Em outras palavras, isso fez com que muita gente pensasse duas vezes antes de adquirir um Mac Pro — afinal, uma versão bem mais poderosa com um chip ARM 3Advanced RISC Machine. provavelmente já estava nos planos da Apple.

Isso, no entanto, só foi acontecer em 2023 — e de um jeito um tanto… agridoce. Embora a adoção do chip tenha sido bem-vinda, o computador perdeu muitas das características que o faziam ser uma boa opção para usuários profissionais, como a possibilidade de fazer upgrades nas suas peças — uma consequência da natureza centralizada dos SoCs 4System on a chip, ou sistema em um chip. da Apple.

Além disso, a essa altura do campeonato, o (outro computador voltado a profissionais) já estava no mercado há cerca de um ano e oferecia a mesma performance de ponta que muitos esperavam do Mac Pro, além de ser bem mais compacto e, principalmente, “acessível” (a partir de US$7.000 vs. a partir de US$2.000).

Embora rumores de uma atualização tenham circulado nos últimos anos, tudo isso levou a Apple a finalmente aposentar o Mac Pro em março de 2026, pouco meses antes do seu aniversário de 20 anos. No momento, os esforços da Apple parecem estar completamente voltados ao Mac Studio, que tomou o posto de “computador para profissionais” da Maçã.

Mac Pro

Um adeus ao Mac Pro!

Marcos Daniel Vozer Felisberto18/04/2026 • 10:30

E vocês, já estão com saudades do Mac Pro ou a Apple fez certo em descontinuá-lo? Comentem!

via MacRumors, Cult of Mac, AppleInsider

Notas de rodapé

  • 1Graphics processing units, ou unidades de processamento gráfico.
  • 2Random access memory, ou memória de acesso aleatório.
  • 3Advanced RISC Machine.
  • 4System on a chip, ou sistema em um chip.