O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou ontem a Operação Frankmobile, que mira estabelecimentos da capital paulista acusados de modificar iPhones antigos para que eles se parecessem com modelos mais recentes, segundo informações da CNN Brasil [1, 2].
De acordo com o MPSP, esse procedimento demandava peças retiradas de outros aparelhos, o que abre margem para a utilização de smartphones roubados ou furtados. Até o momento, a operação já resultou na prisão de 15 pessoas e na apreensão de mais de 10 mil celulares/peças.
Um material utilizado por um desses estabelecimentos para divulgar esse serviço usava como exemplo um iPhone XR (modelo de 2018), que teve sua carcaça modificada para se parecer com um iPhone 13 Pro (de 2021).
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Durante as investigações, que duraram dois anos, as autoridades identificaram um técnico que prestava serviços para dois desses lugares, além de terem encontrado um mercado específico para a venda componentes usados cuja procedência não podia ser verificada.
Ainda segundo as informações, telas originais retiradas de outros smartphones eram oferecidas por volta de R$1.500. Esses estabelecimentos também comercializavam peças feitas por terceiros chamadas de “paralelas”, “compatíveis” ou “chinesas”.
Como sabemos, a Apple exige que algumas peças de substituição sejam validadas por software antes de ter todos os seus recursos liberados para uso. Isso, é claro, limita bastante a utilidade de componentes não originais, além de impedir a instalação de peças roubadas que ainda estejam atreladas a uma Conta Apple — algo que foi salientado pelo próprio MPSP.
Ferramentas sofisticadas
Esses estabelecimentos também contariam com ferramentas e softwares capazes de desbloquear smartphones roubados, remover a Conta Apple associada ao iPhone e até mesmo alterar o IMEI 1International mobile equipment identity, ou identificação internacional de equipamento móvel. do aparelho.
Dependendo da situação, eles também poderiam trocar a placa lógica do aparelho para desbloqueá-lo — já que, assim, ele ganharia um “novo” endereço de IMEI.
Um técnico identificado como “Icloudeiro”, inclusive, teria cobrado R$250 pelo serviço de substituição da placa lógica e R$140 pelo desbloqueio do celular — procedimentos que, quando combinados com a modificação da carcaça, tornava difícil descobrir se aquele aparelho se tratava de um iPhone roubado ou não.
Além dos prisões/apreensões supracitadas, a operação também já resultou no confisco de R$122,5 mil e US$268 em dinheiro, bem como de dois cartões bancários, três relógios, uma série de documentos, quatro notebooks, nove tablets, cinco desktops, um HDD 2Hard disk drive, ou disco rígido. e um pendrive. Uma conta bancária também teve cerca de R$8 milhões bloqueados.
Notas de rodapé
- 1International mobile equipment identity, ou identificação internacional de equipamento móvel.
- 2Hard disk drive, ou disco rígido.