A essa altura, já está muito bem estabelecido que o MacBook Neo é um ótimo computador para tarefas do dia a dia, mas sabia que, com um pouco de força de vontade, ele também pode servir como um… servidor de banco de dados?
Pois foi isso o que averiguou Gábor Szárnyas, do DuckDB. Em um teste para lá de inusitado, ele colocou o mais novo laptop da Apple para batalhar contra duas instâncias de nuvem no benchmark ClickBench.
O primeiro desses servidores, o c6a.4xlarge, vem com uma vCPU 1 AMD EPYC de 16 núcleos e 32GB de memória (4x mais que o Neo), enquanto o segundo, o c8g.metal-48xl, conta com uma vCPU Graviton4, que tem nada menos que 192 núcleos e 384GB de RAM 2 (48x mais que o laptop).

Como explicado por Szárnyas, o ClickBench é composto por 43 consultas focadas em operações de agregação e filtragem, que são executadas em uma única tabela ampla com 100 milhões de linhas que utiliza cerca de 14GB quando serializada para Parquet e 75GB quando armazenada em formato CSV. Mesmo assim, o MacBook Neo foi capaz de derrotar ambas as instâncias (e por uma boa margem) em um teste frio, tendo finalizado o benchmark em 59,73 segundos — ou seja, até 2,8x mais rápido que os seus concorrentes.
Há, no entanto, uma explicação para isso: enquanto o laptop conta com um SSD 3 NVMe integrado relativamente rápido, o c6a.4xlarge e o c8g.metal-48xl possuem discos conectados à rede (NAS), o que torna o processo de acesso e leitura mais lento, pelo menos na primeira tentativa. Não à toa, o MacBook Neo ficou em último na segunda rodada de testes com 54,27 segundos — sendo mais lento que os 47,86 da primeira instância e os 4,35 da segunda.
Ainda assim, a performance do mais novo laptop da Apple pode ser considerada bastante respeitável, já que seu tempo total no teste foi apenas 13% menor que o do c6a.4xlarge embora tenha 10 threads de CPU a menos e uma quantidade bem mais enxuta de memória.
Mais testes
O MacBook Neo também não fez feio no benchmark TPC-DS, que possui 24 tabelas e 99 consultas — muitas delas mais complexas e que incluem recursos como funções de janela. Szárnyas, porém, não chegou a comparar o computador com os servidores supracitados nesse teste.
Para esta rodada, usamos a versão LTS do DuckDB, v1.4.4. Geramos os conjuntos de dados usando a extensão tpcds do DuckDB e definimos o limite de memória para 6GB.
Mais precisamente, o notebook da Maçã terminou o teste SF100 com um tempo médio de execução de 1,63 segundo e um tempo total de execução de 15,5 minutos, tendo completado a maioria das consultas com facilidade.
As coisas só começaram a ficar mais difíceis para ele no teste SF300, que se provou exigente demais para os 8GB de memória integrada do MacBook Neo:
Embora o tempo médio de execução das consultas ainda fosse bastante bom, batendo 6,90 segundos, o DuckDB ocasionalmente utilizava até 80GB de espaço em disco para gravar dados, e ficou claro que algumas consultas levariam muito tempo. Notavelmente, a consulta 67 levou 51 minutos para ser concluída. Mas o hardware e o software continuaram a trabalhar juntos incansavelmente e, por fim, passaram no teste, concluindo todas as consultas em 79 minutos.
Embora tenha completado os testes e até superado máquinas dedicadas em certas condições, o MacBook Neo simplesmente não é uma boa pedida para quem lida com altos volumes de trabalho envolvendo Big Data, segundo Szárnyas.
Entre os maiores gargalos desse laptop para esse tipo de tarefa, está a sua conectividade limitada (uma porta USB 3 e outra USB 2), bem como, é claro, os 8GB de RAM.
Szárnyas conclui sua rodada de testes recomendando a compra de qualquer outro MacBook para esse tipo de tarefa em vez do Neo, embora também existam laptops com Windows que se dão muito bem como servidores de bancos de dados.
via Boing Boing, 9to5Mac