OpenAI classifica processo da Apple como “podre desde a raiz” e pede arquivamento

OpenAI classifica processo da Apple como “podre desde a raiz” e pede arquivamento

A briga entre a OpenAI e a Apple teve um novo capítulo na Justiça. Depois de rebater as acusações publicamente em carta aberta no início da semana, a dona do protocolou ontem (5/8) uma petição pedindo a um juiz federal americano que arquive o processo movido pela Apple, classificando as alegações da fabricante como sem fundamento.

Segundo a Bloomberg, os advogados da OpenAI argumentam que o processo distorce a conduta de seus funcionários e que um dos acusados de furto de dados, na verdade, tentava ajudar um ex-colega que continuava na Apple. Na petição, a empresa chega a dizer que a ação da Apple é “sem fundamento e forjada”, usada para compensar suas dificuldades em reter talentos e sua demora em integrar IA aos produtos.

Redigido sem investigação adequada e construído sobre comunicações seletivamente recortadas e condutas comuns tiradas de contexto, a reclamação da Apple é — tomando emprestada sua própria expressão — “podre desde a raiz”.

A defesa se concentra em dois nomes já conhecidos do processo. Tang Tan, chefe de hardware da OpenAI e ex-vice-presidente de design de produto da Apple por 24 anos, teria seguido práticas normais de recrutamento do setor ao entrevistar funcionários da Maçã. Já Chang Liu, engenheiro acusado de acessar arquivos confidenciais de hardware por semanas após identificar uma falha de autenticação, estaria apenas atendendo a um pedido de ex-colegas da Apple que precisavam localizar informações para o próprio trabalho — a OpenAI publicou trechos de mensagens de texto que, segundo ela, comprovam a versão.

A petição também questiona a base jurídica do processo: para a OpenAI, a Apple nunca chegou a identificar de forma específica quais informações configurariam, de fato, segredos industriais protegidos, nem demonstrou uso indevido por parte de qualquer um dos réus. Como reforço, a empresa de afirma não ter qualquer interesse nos segredos da rival, já que estaria “construindo algo inteiramente novo e diferente de tudo o que existe na Apple”.

Outro ponto de defesa recai sobre as próprias práticas internas da Apple: segundo a OpenAI, a fabricante permitia que funcionários usassem contas pessoais do para trabalho e, posteriormente, revisou mensagens pessoais deixadas em dispositivos corporativos — o que teria gerado o acesso residual alegado no processo, e não um esquema coordenado de furto.

Chama atenção também a defesa específica de Tan quanto à posse de um documento interno sobre desligamento de funcionários: enquanto a Apple alega que o material serviria para burlar verificações de segurança, a OpenAI sustenta o oposto — que Tan teria guardado a informação justamente para garantir que novos contratados vindos da Apple seguissem à risca os procedimentos de desligamento da própria Apple, sem reter dados confidenciais.

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Segundo o Axios, a petição tem 31 páginas e variações da palavra “fail” (“falhar”/”fracassar”, em referência às falhas da Apple) aparecem quase 50 vezes ao longo do texto — um indicativo do tom escolhido pelos advogados da OpenAI.

Injunção e próximos passos

O caso corre como Apple vs. Liu (processo 5:26-cv-07078) na Justiça Federal do Distrito Norte da Califórnia, sob o juiz Edward Davila — o mesmo que presidiu o julgamento criminal de Elizabeth Holmes, ex-CEO da Theranos.

Paralelamente ao pedido de arquivamento, a OpenAI ainda precisa responder, até 17 de agosto, ao pedido de liminar feito pela Apple para suspender o uso de qualquer suposto segredo industrial enquanto o processo tramita. A audiência sobre essa liminar está marcada para 1º de outubro.

Até a publicação desta matéria, a Apple não havia se pronunciado sobre a nova petição da OpenAI.