O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, deu hoje um ultimato formal a empresas como Apple e Google: elas têm três meses para implementar soluções técnicas que impeçam crianças de tirar, enviar ou receber imagens com nudez em seus smartphones e tablets — ou enfrentarão legislação que as obrigará a isso, com possibilidade de multas e até responsabilização criminal de executivos.
O anúncio, segundo a BBC, foi feito durante a London Tech Week. Segundo Starmer, a medida faria do Reino Unido o primeiro país do mundo a tornar tecnicamente impossível para menores de 18 anos capturar, compartilhar ou visualizar imagens explícitas. Adultos continuariam podendo acessar esse tipo de conteúdo mediante verificação de idade.
Quem acompanha o ecossistema Apple sabe que a empresa já se movimenta para combater essa prática há algum tempo. Desde o iOS 15.2, a Segurança de Comunicação (Communication Safety) detecta e bloqueia imagens com nudez no Mensagens, no AirDrop, no FaceTime e em álbuns compartilhados para usuários menores de idade. O recurso é ativado por padrão em Contas Infantis e pode ser habilitado por pais nas configurações familiares do iCloud.
O governo britânico reconheceu o avanço, porém quer mais: a proteção também deve cobrir a câmera, aplicativos de terceiros e funções de busca — áreas onde a solução atual não chega.
Não é a primeira vez que a Apple enfrenta pressão nessa frente. Em fevereiro, noticiamos que o estado americano da Virgínia Ocidental entrou com uma ação judicial contra a empresa por falhas semelhantes.
A Apple não comentou o anúncio. O Google disse estar trabalhando com parceiros britânicos para encontrar soluções que preservem a privacidade. O prazo terminará em setembro.