Review: conheça o CPMC X6, display que leva o CarPlay para a sua moto

Review: conheça o CPMC X6, display que leva o CarPlay para a sua moto

Embora tenham sido pensados originalmente para automóveis, sistemas de infoentretenimento como o (da Apple) têm cada vez mais dado as caras também em motocicletas — um movimento que, vale recordar, começou há pelo menos quase uma década.

Existem muitos motivos pelos quais podemos desejar algo do gênero em uma motocicleta — como obviamente para facilitar a navegação por locais desconhecidos no Mapas (Apple), Maps (Google) ou Waze, ou até mesmo atender a ligações, como já é possível se fazer normalmente em um carro há muito tempo.

A má notícia é que apenas modelos mais avançados (e caros) de motocicletas contam com soluções tão completas como o CarPlay — ou às vezes são muito limitados em termos de funcionalidade, até mesmo contando com uma interface ou sistemas defasados/desatualizados.

É por isso que, assim como para carros mais antigos, também existem sistemas de infoentretenimento voltados para motos, como o CarPlay MotorCycle X6 (CPMC), uma solução completa para esse tipo de veículo.

Tive a oportunidade de testar esse sistema na minha moto — um modelo bem popular da Honda que já tem dez anos e, obviamente, está longe de vir de fábrica com algum tipo de solução do gênero nativamente.

Neste review, vou detalhar um pouco as funcionalidades e recursos do CPMC e, é claro, um pouco da prática com o uso do dispositivo no meu dia a dia. Será que ele funciona bem?

Unboxing

O CPMC vem em uma caixa bem robusta e, acreditem, muito mais pesada do que eu imaginava ao apenas ver as imagens de divulgação do produto. Para além da tela em si, temos uma infinidade de componentes e módulos do produto dentro dela.

Entre todas essas coisas, estão as duas câmeras que podem ser anexadas ao produto, um cartão microSD para gravação, uma infinidade de cabos de conexão (falaremos mais sobre isso adiante), um conversor DC/DC, uma capa superior protetora, manuais e kits de chaves para instalação e sensores TPMS sem fio.

O que o CPMC suporta?

Com um sistema baseado em Linux, o CPMC permite ativar tanto o Apple CarPlay quanto o (gerido pelo ) — uma conexão que pode ser feita completamente sem fio, tal qual os carros mais modernos.

Um dos seus grandes diferenciais é a presença de um sistema duplo (dianteiro e traseiro) de câmeras 2K com lente grande angular de 140°, que permite capturar com facilidade o trânsito ou qualquer movimento oriundo dele.

Ele também conta com um sistema para alertar usuários a respeito de pontos cegos, monitoramento da pressão dos pneus em tempo real e um controle físico como alternativa ao touch.

O CPMC X6 também conta com duas formas de alimentação principais: via cabo AAC (que é a mais profissional e automatiza a ativação da tela com a ignição) ou diretamente via cabo USB (algo que facilita testes ou troca entre motos).

Falando em instalação…

Essa, sem dúvida, foi a parte mais complicada para mim com o produto. Não que seja difícil instalar para quem costuma mexer em moto com frequência, mas é um tanto quanto chatinho para quem não tem muito contato com as “entranhas” do veículo.

Antes de qualquer coisa, queria ver se estava tudo funcionando conforme esperado (pelo menos aquilo que era testável), então resolvi ligá-lo em uma fonte USB aqui em casa. O sistema funcionou como esperado, bem como as câmeras que, à primeira vista, me surpreenderam pela qualidade (mesmo com um adesivo protetor em suas lentes).

Feito isso, eu inicialmente me desafiei a tentar instalá-lo na moto. Iniciei o processo encaixando peças menores (do suporte que prende a tela ao guidão, passando pelos suportes adesivos para as câmeras). Embora seja algo intuitivo, eu contei com a ajuda de tutoriais de YouTubers que já fizeram esse processo e certamente são profissionais na área para me certificar de que não estava fazendo nenhuma besteira.

O problema veio a seguir: como fazer a conexão com a tela (sim, especificamente ela) na moto? Isso para quem tem praticamente zero conhecimento técnico e que costuma levá-la ao mecânico no primeiro probleminha que aparece — como é o meu caso.

Os vídeos que assisti, mais uma breve pesquisa na internet, me deram a resposta que eu precisava.

A tela em si vem com quatro chicotes: um preto (para o controle físico), um vermelho (a conexão principal) e dois amarelos (um para cada câmera). O chicote vermelho, por sua vez, não é ligado diretamente na moto, e sim ao conversor DC/DC supracitado. Na verdade, você também pode usá-lo para conectar o cabo USB direto na moto, caso ela possua esse suporte.

O conversor, por sua vez, é o que vai ser ligado diretamente na moto. Ele conta com um cabo de saída, que é ligado ao multimídia, e, do outro lado, com cabos vermelho (positivo) e preto (negativo) para serem ligados no pós chave e no terra/chassi da moto, respectivamente.

Esse ponto foi o que pegou para mim. Eu poderia abrir a moto para fazer a conexão do fio negativo diretamente na bateria, mas o grande problema era o positivo: eu precisava saber exatamente qual o fio recebe energia quando eu giro a chave. Embora alguns padrões de cores geralmente indiquem os fios corretos (e, no caso da minha moto, eles batiam direitinho), um multímetro era o instrumento mais seguro para realizar essa medição.

Como eu não tinha um e não vi necessidade de comprá-lo só para esse trabalho, pedi ajuda a um profissional para descobrir o fio correto e fazer a instalação do conversor na moto de fato. Caso você pretenda se aventurar, no entanto, saiba que é um processo bem fácil de fazer, desde que você tenha um pouco de paciência e as ferramentas corretas.

Sistema nativo

Logo de cara, ao ligar o CPMC X6 somos apresentados ao sistema padrão nativo da plataforma. Como o CarPlay padrão não suporta todos os recursos que o hardware do CPMC X6 e seus componentes modulares oferecem, é esse sistema que é usado para exibir e gerenciar as imagens da câmera, a pressão dos pneus, a velocidade, etc.

No geral, é um sistema bem intuitivo, com uma interface típica de sistemas automotivos. Ele conta com uma pequena barra de estado na parte superior (com indicadores de gravação, Wi-Fi, hora e Bluetooth) e no centro (com indicadores de velocidade e pressão/temperatura dos pneus).

Na parte inferior, há uma barra de opções: uma para o gerenciamento das câmeras, uma para definir o volume multimídia, outra para o brilho, uma para ativar o sistema de infoentretenimento desejado (CarPlay ou Android Auto), uma para assistir e gerenciar gravações da câmera e outra para configurações.

Falando em configurações, elas trazem opções para o detector de ponto cego, para definir a resolução, o som, a posição da projeção e o idioma. Também dá para alterar coisas como o formato da data, adicionar uma marca d’água da sua placa nas gravações, formatar o cartão de memória ou simplesmente redefinir o aparelho.

Um ponto a se destacar sobre o sistema nativo é o suporte ao idioma português. Infelizmente, como ocorre com muitos produtos provenientes da China, a tradução de muitos dos termos é estranha e equivocada — mas nada que não dê para entender ou torne o sistema inutilizável.

Experiência com o CarPlay

Quando saímos do sistema nativo e pulamos para o CarPlay, não há muito o que comentar (me referindo a novidades). Ele conta com uma aparência e funcionamento igual ao que já conhecemos, com a única diferença mais prática sendo a presença de um ícone “Home”, que serve como um atalho para nos levar ao sistema nativo.

O CarPlay do X6 também exibe uma espécie de Assistive Touch na Tela de Início, com atalhos para coisas como o próprio sistema nativo, as câmeras e o controle de volume do produto — o que é interessante caso você queira acesso rápido a essas funções, já que elas não estão disponíveis no CarPlay em si.

Apesar de ter um pequeno alto-falante integrado, ele é útil apenas para bips e pequenas interações com o sistema. É possível mudar o canal de áudio principal para ele, mas reproduzir uma música, por exemplo, é quase inaudível — o que faz sentido, considerando que ele será usado com uma moto em movimento.

Dessa forma, a saída principal do alto-falante acaba sendo o próprio smartphone ou o acessório Bluetooth que esteja conectado a ele (como fones de ouvido ou um intercomunicador). Também há opção de conectar-se via Bluetooth direto com a multimídia (e não ao smartphone) — o que é útil para ouvir sons de alerta que não vêm do CarPlay em si.

Em termos de desempenho, tudo por aqui rodou bem fluido e não enfrentei problemas com travamentos ou algo do gênero, então acredito que isso não deva ser alvo de preocupação.

Qualidade da tela

Outro detalhe que devemos considerar ao comprar um dispositivo do gênero é a qualidade da tela — principalmente porque ela estará em contato e será usada na maioria das vezes sob a luz direta do sol, que pode dificultar bastante a visualização de conteúdos em telas LCDs 1 do tipo IPS.

No caso do CPMC, falando especificamente sobre esse detalhe relacionado ao sol, os 800 nits de brilho máximo da tela do CPMC X6 são suficientes para visualizar com tranquilidade o conteúdo na maioria dos cenários, ainda mais considerando o tamanho “exagerado” do conteúdo exibido no CarPlay. O único problema acaba sendo mesmo reflexo, que pode dificultar a leitura dos conteúdos em determinadas condições.

Outro ponto relevante a se considerar diz respeito ao nível de brilho em si. Seria bem interessante o dispositivo contar com algum mecanismo/recurso de brilho adaptável, uma vez que a moto costuma transitar por locais com diferentes luminosidades — e é bem chato ter que ficar ajustando isso manualmente.

Câmeras

Um dos grandes diferenciais do CPMC X6 é o seu par de câmeras 2K com lente grande angular de 140° — características que fornecem detalhes mais nítidos e uma cobertura mais ampla que a maioria das dash cams para moto presentes no mercado (a maioria delas tem resolução 1080p).

Mas qual a utilidade em se ter câmeras em uma moto? Eu diria que a principal delas seria a gravação de evidências em potenciais acidentes, quando motociclistas — na maioria das vezes — são os sujeitos mais vulneráveis. Uma câmera de boa qualidade permite gravar com mais facilidade detalhes das placas de outros veículos e outras “provas” de como foi seu comportamento (e o de terceiros) no trânsito.

No geral, eu considerei as imagens gravadas bem boas para o que elas se propõem — inclusive as noturnas, embora a legibilidade de placas possa ficar um pouco difícil a depender do nível de incidência do farol do carro que estiver sendo filmado com as câmeras traseiras.

Para fins de análise, eis um pequeno trecho de vídeo gravado pela câmera traseira do CPMC X6:

Além dessa questão das evidências, você pode até mesmo usar as câmeras para gravar viagens e passeios — embora, não se engane, elas não foram feitas com esse objetivo e a qualidade para esse tipo de gravação certamente não chegará aos pés de câmeras de ação dedicadas.

Graças às câmeras, o X6 também é equipado com um sistema inteligente de detecção de ponto cego (BSD), que usa inteligência artificial para monitorar veículos se aproximando por trás em um alcance de 15 metros e exibe um alerta em vermelho sempre que um deles entra no seu ponto cego.

Esse sistema foi projetado para detectar apenas veículos, algo que evita alertas desnecessários que possam ser causados por pedestres ou objetos. Embora eu acredite que possa ser muito útil em rodovias, no trânsito do dia a dia (quando sempre haverá veículos por perto) esse recurso pode acabar atrapalhando um pouco.

Sensores de pressão e temperatura

O outro grande destaque sobre o qual já comentamos é o sistema de monitoramento de pressão dos pneus (tire pressure monitoring system, ou TPMS). Os sensores, também vendidos separadamente no site oficial do CPMC, monitoram em tempo real a pressão e a temperatura dos pneus para garantir que eles estejam sempre em condições ideais.

Anexados diretamente aos bicos dos pneus da moto (no lugar da tradicional “tampinha”), eles se conectam sem fio diretamente ao multimídia e mostram alertas instantâneos sempre que os níveis supracitados estiverem anormais — algo que, em meus testes, ocorreu com precisão.

Controle físico

Como supracitado, o CPMC acompanha também um controle físico para interação direta com a tela, sem a necessidade de tocá-la. Esse é um padrão usado em motos que contam com sistemas de infoentretenimento nativo, uma vez que a legislação de trânsito da maioria dos países (inclusive do Brasil) proíbe andar sem uma (ou com nenhuma) das mãos no guidão da moto.

O controle do CPMC não serve apenas para isso, mas também para mostrar a velocidade da moto. Curiosamente, na primeira vez em que rodei com ele, o velocímetro não saía do lugar. Só depois me dei conta de que o sistema precisa de acesso ao GPS 2 para essa funcionalidade — e a antena responsável pelo GPS fica justamente no controle, que ainda não estava instalado.

Sobre a qualidade e a acurácia da velocidade exibida, ela geralmente divergiu um pouco para baixo em relação à que estava sendo exibida no velocímetro nativo da moto. Embora possa ser o padrão, suspeito também que pode se tratar de alguma interferência na qualidade e na localização da instalação do controle, que tem um método de fixação (com velcro e adesivo) um pouco duvidoso, diga-se.

Dado o seu modo de funcionamento, ela também muda com um certo atraso em relação às alterações na velocidade da moto em si, mas mantém sua constância quando a velocidade da moto é constante.

De qualquer forma, como na maior parte do tempo costumo usar o CarPlay e visualizar a velocidade da moto diretamente em seu painel, isso acabou não sendo um problema para mim.

Em resumo…

Embora eu reconheça que esse não seja um produto para todos os tipos de motociclistas, ele certamente pode ser encarado como uma opção bastante útil — principalmente para quem viaja para locais desconhecidos e precisa de um mapa com navegação rápida ao seu alcance, já que ele é muito mais prático e apropriado para isso que o smartphone.

O CPMC X6 também pode ser uma boa para quem quer apenas um meio rápido de comunicação que não exige tirar o celular do bolso — embora isso, vale recordar, requeira algum equipamento adicional, como fones de ouvido projetados especialmente para motociclistas.

Obviamente ele também vem com os benefícios adicionais sobre os quais já comentamos, como a possibilidade de fazer filmagens dianteiras e traseiras em alta qualidade e até mesmo de monitorar ativamente o nível de pressão e temperatura dos pneus sem dispositivos adicionais.

Essa versatilidade, inclusive, pode ser considerada um dos pontos fortes do produto, uma vez que ele concentra em uma única tela todas essas funcionalidades com um bom custo-benefício, já que a tela custa bem menos que marcas já famosas nesse ramo, como a CHIGEE.

Se o que você procura é mais um dispositivo multimídia para consumir conteúdo como faria em um carro, talvez esse tipo de produto não seja a solução ideal — mais devido à natureza de como se pilota uma motocicleta em si e por questões de segurança (não por incapacidade).

Preço e disponibilidade

O bom de tudo é que você não precisa utilizar métodos de importação não convencionais caso queira adquirir o CPMC X6, já que eles fazem entrega gratuita para qualquer lugar do mundo — inclusive para o Brasil!

Normalmente, o produto custa cerca de R$1.416 ou R$1.468 em suas versões sem e com cartão de memória. No entanto, caso você tenha curtido o produto e queria adquirir o CPMC X6, essa é a sua chance de comprá-lo com a grande promoção de verão da marca.

Até o dia 30 de junho, você ganha 25% de desconto ao usar o cupom MM25 no carrinho de compra. Quando a promoção acima se encerrar, ainda será possível comprar o CPMC X6 com um desconto de 22%, bastando usar o cupom MM22 no carrinho.

Uma chance daquelas, não acham?

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Notas de rodapé

1    Liquid crystal displays, ou displays de cristal líquido.2    Global positioning system, ou sistema de posicionamento global.