Review: iPhone Air é o aparelho certo na faixa de preço errada

Review: iPhone Air é o aparelho certo na faixa de preço errada

Eu sou um daqueles consumidores da Apple bem entusiastas e curiosos em experimentar algum produto novo. Foi assim, por exemplo, quando eu adquiri o primeiro Apple Watch, ainda em 2015.

Foi com ele que eu aprendi, na prática, o que é ser usuário de um produto de primeira geração da Maçã. É normalmente nela que vemos a ideia do produto ser apresentada ao mundo, para que nas gerações seguintes as arestas sejam aparadas a fim de deixar o dispositivo mais “redondinho”.

E foi com muito entusiasmo (e receios) que eu acompanhei os rumores e o lançamento da primeira geração do iPhone Air, em setembro passado. Depois de ler muitas análises, assistir a diversos vídeos e, finalmente, poder segurá-lo nas mãos, eu tive a certeza: meu próximo iPhone seria o Air!

Nos próximos parágrafos, vou contar um pouco da minha experiência depois de um mês de uso, o porquê de eu ter adquirido um e se, afinal das contas, vale a pena ou não comprá-lo.

A minha queda por smartphones “diferentões”

A ideia de ter um smartphone “diferentão” não é nova para mim: em 2020, fui dono do que eu considero o pior iPhone que eu já tive: o 12 mini.

Na teoria, ele parecia perfeito: um dispositivo pequeno o bastante para sumir no meu bolso, mas potente e muito capaz de rodar qualquer aplicativo ou jogo disponível.

No uso real, a nossa lua de mel durou pouco. E o pivô dessa “separação” foi justamente a bateria.

Em poucos meses, eu comecei a precisar recarregá-la duas, três, quatro vezes por dia para manter uma rotina de uso minimamente aceitável. Depois de uns dois anos de uso, cheguei ao ponto de utilizá-lo o dia todo na tomada e só tirá-lo quando fosse sair. Ou seja, o 12 mini virou um telefone com fio. 🫠

Depois de um período traumático, acabei seguindo na direção oposta ao 12 mini e adquiri, em outubro de 2023, o iPhone 15 Pro Max — modelo que mantive até dezembro passado. Durante esse tempo, fiquei bastante satisfeito com o conjunto de câmeras, a tela grandona de 6,7 polegadas com ProMotion (taxas de atualização de até 120Hz) e uma bateria beeeem maior que a do 12 mini.

Por que eu troquei o 15 Pro Max por um iPhone Air?

Mesmo bastante satisfeito com o 15 Pro Max, eu acabei me apaixonando pelo iPhone Air — que é muito mais fino, muito mais leve e tem uma tela de um tamanho quase igual (são 6,5″ no Air, contra 6,7″ do 15 Pro Max). E, como disse no começo do texto, eu gosto de sair um pouco do convencional.

Botar as coisas no papel (nesse caso, na tela) não faz jus à sensação de pegar o Air pela primeira vez nas mãos, mas eis as diferenças entre os dois modelos:

ModeloPesoEspessuraiPhone 15 Pro Max221g8,25mm*iPhone Air165g5,64mm*
(*) Sem considerar os calombos das câmeras.

A sensação ao utilizar o Air pela primeira vez era de que eu estava segurando apenas a tela do iPhone, sem os componentes por trás!

Na antevéspera de Natal, acabei adquirindo o modelo branco-nuvem de 256GB. E, de lá para cá, tenho usado-o como meu telefone principal.

O design

Assim como o meu telefone anterior, o Air conta com uma estrutura feita de titânio aeroespacial. Mas o acabamento mudou bastante: saiu o design fosco e entrou o polido, com um visual espelhado bem semelhante ao dos iPhones de aço inoxidável — a título de curiosidade, esse é o mesmo acabamento usado nos Apple Watches Series 10/11 de titânio.

Entre os dois designs, o que mais me agradou foi o espelhado do Air. Na prática, é mais fácil segurar o telefone sem se preocupar com escorregões tão frequentes de modelos de alumínio ou titânio.

Mesmo assim, acabei adquirindo a capa oficial da Apple (na cor fosca). Ela é superfina, quase não esconde o design do aparelho e, o mais importante, protege em totalidade o platô da câmera.

Falando em platô, ele me agradou muito por soar bem diferente dos demais modelos de iPhones. De quebra, ele serve como um apoio para os dedos enquanto estou manipulando o telefone.

As câmeras

O maior baque que eu senti na mudança do 15 Pro Max para o Air foi nas câmeras. Enquanto o meu telefone anterior tinha quatro lentes (três traseiras e uma frontal), o novo tem apenas duas (uma traseira e uma frontal).

Mesmo sabendo desse downgrade, resolvi arriscar. Na prática, nunca usei tanto as várias lentes do meu iPhone, então até agora estou satisfeito.

Se sinto falta das lentes ultra-angular e teleobjetiva? Depende.

Mas se eu tivesse que escolher colocar uma segunda câmera no Air, sem dúvidas eu escolheria a ultra-angular — até porque, o zoom óptico de 2x da câmera Fusion de 48 megapixels do Air quebra um bom galho. Também senti (um pouco) falta do modo macro, que não funciona no meu telefone atual.

Com relação à câmera frontal, me impressionou não só a qualidade, mas também o recurso Palco Central (Center Stage), que conta com um sensor quadrado e é ideal para tirar selfies sem precisar girar o telefone.

Um dos benefícios de comprar um iPhone mais novo foram os novos Estilos Fotográficos (Photographic Styles), que ajudam a deixar as fotos ainda melhores e de acordo com o meu gosto pessoal.

Pude testar também, na prática, o Controle da Câmera (Camera Control), botão sensível ao toque que permite utilizar várias funções das lentes. Ele até é útil em certos momentos, mas depois de um tempo acabo usando-o apenas para acionar o app Câmera e fazer uma captura rápida. É o tipo de coisa que não sentiria falta nenhuma se a Apple tirasse nos próximos telefones.

A bateria

Além da ausência de lentes extras, outro calcanhar de Aquiles do iPhone Air é a sua bateria — a menor em capacidade de toda a linha mais recente de smartphones da empresa.

Colocando em números e comparando novamente com o meu iPhone anterior, o Air traz uma célula de 3.149mAh contra 4.441mAh do 15 Pro Max. É uma bela diferença, sem dúvida!

Mas levei em conta as otimizações do novíssimo chip A19 Pro e o fato de a saúde da bateria do meu telefone anterior estar com 88% no momento que consegui vendê-lo.

Os primeiros dias foram terríveis, para dizer o mínimo. Carregava duas ou três vezes por dia o iPhone Air. No começo isso é normal, pois o iOS precisa baixar todos os seus apps, arquivos e otimizar o sistema em segundo plano — um processo que notadamente consome mais bateria. Dito isso, eu diria que, depois de uma semana, a bateria “normalizou”.

A minha rotina de carregamento começa na limitação de carregamento, algo que eu já fazia desde o iPhone anterior. Eu deixo o telefone carregando até que ele atinja 80%, o que ajuda na longevidade da célulaou não.

Mas, confesso, em alguns dias que eu sabia que ficaria mais tempo longe de casa, deixei a bateria dele carregar até os 100%. Assim, ela conseguiu durar ainda mais que o meu normal, obviamente.

Com o carregamento limitado a 80% na maioria das vezes, a bateria do Air consegue durar um dia inteiro comigo — levando em conta que tiro-o da tomada por volta de 9h. Entre os meus usos, estão navegação no X, Instagram, TikTok, Mensagens e um pouco de consumo de conteúdo no YouTube.

A bateria dura, é claro, bem menos que a do meu telefone anterior, mas isso não tem sido um problema (ao menos por enquanto, já que a saúde dele continua em 100%).

Eu até tenho pensado, nos últimos dias, se invisto na compra da Bateria MagSafe da Apple, concebida para funcionar apenas com esse telefone. É algo que ajudaria muito a manter a carga dele por mais tempo, mas não sei se gostaria de sacrificar a leveza e a espessura mínima do Air em nome de mais carga. E, claro, é um custo a mais, já que são cobrados R$1.200 por ela aqui no Brasil. 🫠

Outros detalhes

  • O iPhone Air é o primeiro telefone da Apple a adotar exclusivamente o eSIM em todo o mundo. Como eu já havia convertido meu Nano-SIM anterior no iPhone 15 Pro Max, o processo de transferência não foi problemático.
  • O Air conta, ao contrário dos demais iPhones, com apenas um alto-falante (na parte superior). Eu tive muito receio disso acabar sendo decepcionante, mas como eu consumo mídias usando quase sempre um fone de ouvido, isso não me afetou tanto.
  • A Apple trouxe de volta, para complementar o design do Air, o Bumper (acessório que protege apenas as laterais do iPhone). Eu fiquei muito tentado a adquiri-lo, mas saber que ele não protege a lente da câmera traseira me decepcionou.
  • O chip A19 Pro é muito, muito potente. Mas o que mais me chamou a atenção foi a diferença da RAM 1 — são 12GB no Air, contra os 8GB do 15 Pro Max.

Valeu a pena?

No meu caso, as ausências das câmeras extras e de uma bateria maior valeram a pena — afinal de contas, eu já queria um telefone mais leve e fino, e não senti tanta falta das demais lentes.

Se você está ponderando a compra do iPhone Air, sugiro fazer um teste: tente viver por alguns dias usando apenas a câmera principal do iPhone. Se você sentir muita falta das lentes ultra-angular e/ou teleobjetiva, esse modelo não é para você.

O mesmo pode ser dito por quem precisa usar o telefone o dia inteiro para trabalho. Apesar das otimizações do Air, você certamente precisará recarregá-lo no meio do dia (quando não antes, em certos casos). Se isso for um problema para você, não vá de Air!

O posicionamento ruim do Air

Para mim, o maior erro do iPhone Air é o seu posicionamento errado na linha atual de telefones da empresa. Ele chegou para ocupar o valor cobrado até o ano passado do iPhone Pro de entrada (US$1.000 ou R$10.500) — mas com muitas coisas a menos na sua ficha técnica.

Para piorar, ele acaba sendo US$200 (ou R$2.500) mais caro que o iPhone 17, que traz uma lente ultra-angular e uma bateria melhor que a encontrada no Air.

Na minha opinião, o iPhone Air talvez se saísse melhor em vendas se custasse US$800 ou US$900 (no máximo), mas isso acabaria afetando os preços dos demais iPhones. O iPhone 16e, a meu ver, é outro produto mal posicionado na linha, que deveria custar US$500 ou menos.

O iPhone Air é o tipo de produto que as pessoas compram, primeiramente, pelo seu design diferenciado — para, só depois, pensarem em especificações técnicas.

Eu espero seriamente que a Apple não desista dessa ideia, porque não me vejo voltando a usar um celular mais pesado e espesso que o Air. 😊

iPhone Air

Cores: azul-céu, dourado-claro, branco-nuvem ou preto espacial
Armazenamento: 256GB, 512GB ou 1TB
R$ 7.799,00 R$ 10.499,00 Compre agora

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Notas de rodapé

1    Random access memory, ou memória de acesso aleatório.