Se você gosta de jogos, provavelmente já se deparou com alguém dizendo por aí que Macs simplesmente não são uma boa pedida para gamers, e isso geralmente se dá por dois motivos: a performance tímida dos computadores da Maçã nesse tipo de tarefa e, principalmente, a baixa disponibilidade de títulos compatíveis com o macOS (especialmente em comparação com o Windows).
Esse primeiro “problema” até foi parcialmente solucionado com o advento do Apple Silicon, mas o segundo continua sendo uma verdade, apesar dos vários esforços da Maçã para tentar virar esse jogo (com o perdão do trocadilho).
Nos tempos de Macs com chips Intel, era possível contornar esse problema ao instalar o Windows em sua máquina através do Boot Camp — ferramenta que permitia realizar dual boot de forma nativa, dispensando a criação de uma máquina virtual. Essa opção, no entanto, não existe mais (pelo menos não nos Macs mais recentes), e a versão do Windows 11 para processadores ARM (Advanced RISC Machine) ainda engatinha em termos de suporte.
Felizmente, existem ferramentas que nos permitem rodar jogos feitos especificamente para Windows (x86) em Macs com um chip M1, M2, M3 e por aí vai, como o famoso CrossOver, que nada mais é do que uma camada de tradução baseada no projeto Wine a qual faz programas de outros sistemas operacionais rodarem diretamente no macOS, incluindo jogos.
A seguir, listarei alguns dos melhores jogos de PC para se rodar no seu Mac pelo CrossOver, seja ele um MacBook Air com o chip M1 de entrada ou um MacBook Pro com o chip M5 Max — cortesia da própria desenvolvedora do software, que foi extremamente gentil e me cedeu uma licença para que eu pudesse realizar alguns testes. Vamos lá? 🎮
Grand Theft Auto V
2026 é o ano em que finalmente veremos (se mais nenhum adiamento acontecer, é claro) o lançamento de GTA VI, após longos 13 anos desde o último capítulo da famosa franquia da Rockstar Games. Enquanto o dia 19 de novembro não chega, porém, você pode revisitar (ou explorar pela primeira vez) o último título dessa série: Grand Theft Auto V — e sem sair de perto do seu Mac, que pode ser até mesmo um singelo MacBook Air com o chip M1.
Para isso, no entanto, será necessário gastar alguns minutos configurando o CrossOver de modo a desbloquear o máximo de performance que esse game tem a oferecer, o que pode ser feito com a ajuda desse tutorial do YouTuber Andrew Tsai, que é bem direto ao ponto e fácil de entender mesmo se você não tiver o domínio da língua inglesa — já que o vídeo conta com legendas e dublagem automática em português.
Depois que tudo é devidamente ajustado, a experiência torna-se bem satisfatória. Com o modo gráfico D3DMetal e o modo de sincronização MSync selecionados, o jogo atingiu a marca dos 150 quadros por segundo no meu MacBook Air (M2) — que tem apenas 8GB de memória e 256GB de armazenamento — enquanto rodava o benchmark embutido.
Durante a gameplay real, contudo, esse número flutuou entre 60-80qps (o que ainda é muito bom), e quedas abaixo de 60qps foram bem raras. De qualquer forma, é bem possível que esses números tivessem sido ainda melhores caso o jogo me deixasse alterar a resolução de renderização, que ficava bloqueada em 1470×1176 pixels sempre que eu selecionava o modo D3DMetal (de longe, o que entregava a melhor performance) por algum motivo.
No meu caso, defini a maioria dos ajustes gráficos para o nível normal, o que é bem respeitável considerando que meu computador se trata de um laptop de entrada. Se você tiver uma máquina parecida com a minha e não se importar em jogar com taxas de quadros que se aproximam dos 30qps, considere aumentar as configurações gráficas para uma maior fidelidade visual.
Caso você planeje testar esse game no seu Mac, certifique-se de baixar a versão Legacy dele, já que a edição Enhanced ainda não é compatível com o CrossOver.
Final Fantasy VII Remake
Lançado em 2020, a primeira parte do remake do lendário RPG 1 da Square Enix roda surpreendentemente bem em Macs via CrossOver, embora seja necessário realizar o mesmo tipo de ajuste visto no GTA V (aqui vai mais um tutorial muito útil de Tsai).
No meu Mac, o jogo rodou praticamente o tempo todo na casa dos 25-30qps, o que está longe de ser o ideal, mas ainda considero jogável pois o frame pacing não é ruim. Para tal, tive que reduzir as configurações gráficas ao máximo e colocar o jogo para rodar em 720p 2, além de selecionar o modo gráfico D3DMetal e o modo de sincronização MSync.
No tutorial de Tsai ao qual me referi, porém, o jogo passa com folga dos 100qps ao rodar em 1440p e com as configurações gráficas mais altas possíveis quando instalado em um MacBook Pro com o chip M3 Max — mas você provavelmente não precisará de um chip tão avançado assim para obter uma performance satisfatória.
E vale notar que a versão de FFVII Remake que baixei para esse teste é a Intergrade, que inclui uma série de melhorias gráficas (como texturas mais nítidas e efeitos de iluminação mais proeminentes) em relação ao jogo original — que era exclusivo do PlayStation 4 e estava travado em 30qps —, além de todo o conteúdo extra.
Se você acabar jogando esse game e ficar com aquele sentimento de quero mais, saiba que a sua continuação, Final Fantasy VII Rebirth, também já está jogável em Macs via CrossOver, embora seja consideravelmente mais pesada. Como é possível conferir nesse vídeo, o game roda a cerca 70qps em um MacBook Pro (M5) de 14 polegadas.
Dispatch
Esse é o jogo que poderá fazer alguns me acusarem de estar trapaceando — afinal, Dispatch é um jogo composto basicamente por vídeos pré-renderizados que não requerem quase nenhum poder de processamento por parte da GPU 3.
Ainda assim, esse é um dos títulos de maior sucesso de 2025, tendo sido indicado até mesmo ao The Game Awards do ano passado (o “Oscar dos videogames”). Além do mais, ele ainda não conta com uma versão para macOS, deixando nós, usuários Apple, de fora da brincadeira — pelo menos de maneira oficial, é claro.
E o jogo funciona exatamente como esperado: as sequências de cutscenes rodam sem problemas mesmo se você tiver escolhido ativar o modo de maior interatividade (aquele com os quick time events). Navegar pelos menus também é rápido e suave mesmo com o jogo rodando em 1440p (a.k.a. 2K) e com o V-Sync ligado.

A única ressalva que tenho para fazer tem a ver com as seções de quebra-cabeça e minijogos, que giram em torno de 30-45qps (ante os 60qps cravados das cutscenes). Como esses puzzles são bem simples, no entanto, essa queda na performance passa despercebida na grande maioria das vezes.
Caso você esteja querendo jogar Dispatch mas só tem um Mac à disposição, recomendo utilizar o modo gráfico D3DMetal e o modo de sincronização MSync do CrossOver.
SIFU
Beat ’em up charmoso e desafiador lançado em 2022, SIFU é outro jogo que roda de maneira competente em Macs (Apple Silicon) mais antigos.
Para esse jogo, defini a maioria dos ajustes gráficos para o nível médio, além de colocá-lo para rodar em 1080p — o suficiente para fazê-lo ficar praticamente cravado em 30qps. Reduzir tudo para o nível baixo não resultou em melhorias significativas de performance, então optei por uma fidelidade gráfica um pouco maior.
Se você tiver um Mac mais poderoso à disposição, provavelmente não terá problemas para alcançar os 60qps. No entanto, desconfio que, no meu caso, são os 8GB de memória que estão me custando alguns quadros durante a jogatina, e não o poder de fogo da CPU/GPU do chip M2.
Nesse vídeo, por exemplo, é possível ver o jogo passando dos 100qps em um Mac com o chip M1 Pro, além de estar com todas as configurações gráficas no ultra.
Aqui, a melhor performance foi obtida com os modos D3DMetal e ESync ativados.
Absolum
Outro jogo muito elogiado de 2025, o beat ’em up Absolum é mais uma boa pedida para gamers de Mac. Por ser um jogo 2D, a régua de performance é um pouco mais baixa, abrindo margem para máquinas mais antigas.
No meu caso, a experiência foi bastante parecida com a de SIFU, embora o jogo sofra com problemas de frame pacing. Em 1080p e com as configurações gráficas padrão, pude alcançar taxas de quadros na casa dos 30qps com raros picos na casa dos 40-50qps, o que é respeitável.
Uns 16GB de memória provavelmente já seriam suficientes para desbloquear uma performance mais estável, principalmente com o modo gráfico D3DMetal e o modo de sincronização MSync selecionados.
O principal problema desse jogo, na minha opinião, é o loading inicial, que é extremamente demorado e parece não estar relacionado com as especificações do meu Mac, como relatos na internet dão a entender. É possível, no entanto, que isso seja corrigido em uma futura versão do CrossOver.
Overcooked 2
Mesmo sete anos após o seu lançamento, Overcooked 2 segue sendo extremamente popular, além de ser figurinha carimbada em festas — isso se esse jogo ainda não tiver arruinado todas as suas amizades, é claro. 😅
No meu Air, o game rodou tão bem que pareceria um app nativo. Na resolução de 2560×1440 pixels (popularmente conhecida como 2K) e com as configurações gráficas no alto, ele ficou praticamente o tempo todo na casa dos 180qps em temas como “Balões do Bufê”, caindo para algo em torno de 100-125qps em níveis como “A Cozinha Mágica”, o que ainda é muito bom!
Esse início promissor me fez testá-lo também em 4K (3840×2160 pixels) — e o jogo não fez feio, embora a contagem de frames tenha caído consideravelmente. Assim, que troquei a resolução, vi a taxa de quadros despencar para 45qps, mas isso parece ter sido um gargalo breve, uma vez que, pouco tempo depois, o jogo voltou à casa dos 60-80qps (e sem quedas bruscas).
De qualquer maneira, se você quer se divertir com seus amigos — seja localmente ou online — e só tem o seu Mac ao seu dispor, saiba que Overcooked 2 é uma bela pedida. Apenas certifique-se de escolher o modo gráfico DXMT nos ajustes do CrossOver (ativar o MSync não foi necessário).
Peak
Outro grande sucesso do ano passado, o divertidíssimo Peak rodou sem grandes problemas no meu Mac, mas isso só foi possível depois de atualizar o MoltenVK 4 — um tutorial para isso pode ser conferido aqui.
Por algum motivo, o jogo ficou travado em 1470×956 pixels — o que passou longe de me incomodar, já que a imagem não ficou borrada, pelo menos não na tela integrada do meu laptop.
Como é possível notar na captura de tela acima, deixei a maioria das configurações gráficas no nível médio, o que talvez tenha sido um exagero levando em conta que a única que causou um impacto considerável na performance foi a de “escala de renderização”.

Com tudo no seu devido lugar, o game, que brilha em sessões de jogatina compartilhadas, rodou maravilhosamente bem, girando em torno dos 70-80qps praticamente o tempo todo, com alguns picos ocasionais acima dos 100qps. Travamentos mais bruscos se fizeram presentes, mas eram extremamente raros.
God of War (2018)
Esse é o jogo que mais chegou perto de alcançar os limites do meu MacBook Air. Mesmo assim, de algum jeito, ele rodou com certo êxito.
Na resolução 1470×956 pixels e com o FSR definido para ultradesempenho, obtive 30qps estáveis na sequência inicial do jogo, o que inclui tanto as cutscenes quanto os trechos de deslocamento. Quedas bruscas nas cenas de combate foram notadas, porém, o que é algo para se ter em mente caso você tenha uma máquina com especificações mais tímidas.
Para rodá-lo da melhor maneira possível, você precisará fazer os mesmos ajustes de GTA V e FFVII Remake, já que ele se dá bem melhor com o Gaming Porting Toolkit 3.0 do que com qualquer outra versão da ferramenta da Apple.
O maior problema de rodar God of War (2018) no Mac são, na verdade, os artefatos que aparecem nos modelos tridimensionais dos personagens — algo que, levando em conta relatos que encontrei por aí, parece afetar máquinas de todas as configurações e ainda não tem solução. Compostos por pontos brancos/azuis, eles não chegam a atrapalhar a gameplay, mas quebram um pouco da imersão.
Embora eu tenha conseguido rodar o jogo em uma máquina com o chip M2, recomendo que você deixe para instalá-lo em um Mac mais poderoso, talvez com um chip M2 Pro/Max ou até mesmo M3. Assim, você conseguirá taxas de quadro mais confortáveis em cenas mais simples e sofrerá com quedas menos bruscas durante os combates.
No meu caso, a melhor performance foi obtida com os modos D3DMetal e MSync ativados.
Boa jogatina!
Sem dúvida alguma, o Mac ainda tem uma longa jornada pela frente até se tornar uma plataforma amigável para jogos. Ainda assim, os computadores da Apple nunca estiveram tão aptos a rodar jogos grandes e recentes, os quais são figurinhas carimbadas no mundo dos PCs.
Com a ajuda de apps como o CrossOver, até mesmo Macs de entrada, como o MacBook Air ou o Mac mini, podem se tornar verdadeiros consoles de videogame — coisa que definitivamente não era o caso na época em que a Apple ainda usava os chips da Intel.
Talvez seja necessário gastar certo tempo em menus de configurações para fazer um título específico rodar bem no seu computador, mas, no geral, a experiência pode ser bastante satisfatória — o que é uma ótima desculpa para finalmente “dar play” naqueles seus jogos que estão pegando poeira na biblioteca do Steam (ou de qualquer outra loja virtual, é claro). 😉