Quem me acompanha há mais tempo provavelmente lembra que, entre 2014 e 2021, eu vivi uma fase bastante intensa no mundo da corrida. Foram mais de 11 maratonas, provas em diferentes países, ciclos longos de treino e aquela rotina que quem corre a sério conhece bem: planejar quando acelerar, quando manter e, principalmente, quando respeitar o descanso.
Somando isso ao meu lado geek, sempre usei tecnologia como aliada nesse processo. Relógios, sensores, métricas, aplicativos e planilhas fizeram parte do meu dia a dia por muitos anos. Mas se tem um app que realmente esteve comigo do começo ao fim dessa jornada, foi o Strava.
Agora, ele dá um passo interessante ao lançar globalmente a funcionalidade Seleção de Treinos, que aproxima o app de um verdadeiro personal trainer digital, sem perder a flexibilidade que sempre foi uma das suas maiores virtudes.
A lógica é simples e poderosa: o Strava analisa seu histórico recente de atividades e passa a sugerir o que faz mais sentido você treinar em seguida, levando em conta ritmo, frequência e o momento atual do atleta.

As recomendações são personalizadas com base na intenção escolhida e no histórico do atleta, ajudando tanto a sair da rotina quanto a evoluir a partir dos treinos que você já costuma fazer.
Essas sugestões aparecem no carrossel no topo do feed e são organizadas em quatro intenções bem claras: Manter, Construir, Explorar e Recuperar. Para quem já passou por ciclos de treino, essa abordagem faz bastante sentido. Nem toda semana é sobre evoluir ou bater recorde; às vezes, o melhor treino é manter constância ou permitir que o corpo se recupere.
Outro ponto interessante é que a Seleção de Treinos não se limita a corrida. O recurso cobre mais de 40 modalidades esportivas, o que ajuda bastante quem gosta de variar atividades ou está buscando uma nova forma de se manter ativo.

As recomendações personalizadas incluem opções em mais de 40 esportes diferentes, facilitando descobrir novas atividades e manter a motivação em alta.
A dinâmica também ajuda quem sofre com aquele clássico “começo de semana parado”. Toda segunda-feira, o Strava atualiza automaticamente as recomendações, incentivando o usuário a já iniciar a semana com um plano claro.

As sugestões são renovadas semanalmente, ajudando a criar consistência e transformar o treino em hábito.
Para atividades ao ar livre, especialmente corrida e pedal, o Strava resolve outra dor comum: onde treinar. Quando a atividade exige uma rota, o app sugere automaticamente um percurso próximo, baseado no heatmap global da plataforma, alimentado por bilhões de atividades reais da comunidade.

Treinos ao ar livre vêm acompanhados de sugestões de rotas próximas, baseadas nos caminhos mais utilizados pela comunidade. Isso é especialmente útil para quem está viajando, mudou de cidade ou simplesmente cansou de repetir sempre o mesmo percurso. É o tipo de detalhe que reduz a fricção entre abrir o app e realmente sair para treinar.
Em alguns casos, as recomendações também incluem treinos criados por especialistas, como os planos desenvolvidos pela plataforma Runna. Aqui, o Strava adiciona uma camada extra de curadoria, oferecendo sessões mais estruturadas para quem quer algo além do básico.

Treinos desenvolvidos por especialistas, incluindo sessões de intervalado para diferentes níveis de experiência.
Outro acerto da funcionalidade é explicar por que aquele treino foi sugerido. A área chamada Athlete Intelligence traz contexto sobre os benefícios da atividade recomendada e como ela se encaixa no seu histórico recente.

São dadas explicações claras sobre o objetivo e os benefícios de cada treino, transformando dados em motivação prática. Isso pode parecer um detalhe, mas faz muita diferença. Entender o motivo de um treino ajuda tanto quem está retomando atividades após uma pausa quanto quem sempre treinou no “feeling” e agora quer tomar decisões mais conscientes.
Nos próximos meses, o Strava promete evoluir ainda mais a experiência, com envio direto dos treinos para dispositivos Garmin e Apple Watch, além da oferta de orientações passo a passo durante a atividade. Se funcionar bem na prática, isso diminui bastante a distância entre “ver o treino” e “executar o treino”.
Não acredito que a Seleção de Treinos vá substituir um treinador de verdade para quem busca alta performance. Mas, para a maioria das pessoas, inclusive quem já correu maratonas e hoje treina mais por saúde, prazer ou constância, é um avanço enorme.
No fim das contas, o Strava segue fazendo aquilo que sempre soube fazer bem: usar dados reais da comunidade para tornar o treino mais inteligente, mais consciente e mais sustentável a longo prazo.
E, como alguém que já ignorou sinais do corpo mais vezes do que deveria, posso dizer: às vezes, o melhor treino é justamente aquele que o app/treinador sugere para não forçar hoje.