Uma nova reportagem do The Information aponta para a existência de um problema estrutural na forma como a Apple gerenciava arquivos de trabalho de seus funcionários — algo que teoricamente permitiu que quem não fazia mais parte do time de colaboradores da empresa continuasse tendo acesso a documentos importantes e confidenciais.
Ex-funcionários da empresa afirmaram ao site que, no tempo em que estiveram em seus cargos, a Maçã incentivava o uso de suas Contas Apple pessoais para armazenar arquivos de trabalho. Para tal, a empresa adicionava 2TB de armazenamento a essas contas e elas passavam a contar com uma pasta denominada “Apple Work”, onde tais arquivos deveriam ser armazenados.
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Essa abordagem existe para contornar uma limitação presente nos iPhones: a impossibilidade de usar duas contas primárias da Apple no mesmo dispositivo. Desta forma, vincular a pasta de trabalho à conta pessoal dos funcionários é uma maneira de evitar que eles tenham que usar um segundo iPhone apenas para assuntos corporativos — uma questão de comodidade.

Quando o funcionário deixa a empresa, a Maçã remove o armazenamento adicional concedido e o acesso à pasta “Apple Work” — o que, na prática, impede que a maioria dos arquivos de trabalho continuem sendo sincronizados com os ex-trabalhadores. Isso, em teoria, já que nem todos os arquivos eram compartilhados diretamente para essa pasta confidencial.

Os funcionários relatam que, às vezes, documentos do Pages, do Keynote e outros arquivos poderiam ser compartilhados por colegas diretamente para as suas pastas pessoais do iCloud — o que faz com que eles permaneçam disponíveis (e com sincronização ativada) mesmo após deixarem a empresa — sem que eles façam nenhum esforço ativo para mantê-los.
Nada a ver com caso contra a OpenAI, diz Apple
Esse relato vem à tona em meio ao andamento do processo judicial que a Maçã abriu contra a OpenAI, acusando-a de obter, a partir de ex-funcionários, segredos confidenciais envolvendo seus projetos de hardware — o que pode dar a entender que alguns desses segredos poderiam ter sido obtidos sem uma atuação mais ativa dos acusados.
A Apple disse ao The Information que o processo não diz respeito a documentos compartilhados ou armazenados no iCloud e que não persegue ex-funcionários apenas porque arquivos confidenciais foram mantidos acidentalmente em suas contas pessoais — o que dá crédito à informação publicada pelo site, mesmo que não haja relação com o caso.
Por falar em Apple vs. OpenAI…
Por falar no imbróglio com a dona do ChatGPT, o 9to5Mac noticiou recentemente que a Apple rejeitou a atribuição do julgamento à juíza magistrada Virginia K. De Marchi — o que resultou numa redistribuição do caso para o juiz distrital Edward Davila. O juiz Nathanael Cousins, por sua vez, ficará responsável pela fase de produção de provas antes do julgamento.
Apple processa OpenAI por suposto roubo de segredos comerciais [atualizado 2x]
Luiz Gustavo Ribeiro10/07/2026 • 17:44Com as mudanças, a audiência inicial do processo, que estava marcada para 13 de outubro, foi cancelada e provavelmente acontecerá em outra data — embora os prazos para as partes conversarem sobre uma possível conciliação e planejamento de provas (até 22 de setembro) e para as chamadas initial disclosures (até 6 de outubro) estejam mantidos.