Uma ejeção de massa coronal (CME) que explodiu do Sol em 15 de dezembro de 2024 foi rastreada por 17 espaçonaves distribuídas pelo sistema solar, um número recorde para o monitoramento de um único evento desse tipo. O resultado surpreendeu os pesquisadores: a CME tinha uma estrutura assimétrica, com dois lóbulos se movendo em velocidades muito diferentes.
A pesquisa foi liderada por Adrienn Luspay-Kuti, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins. “Esse foi um número recorde de espaçonaves para rastrear e caracterizar uma única CME, e nos deu uma visão excepcionalmente detalhada de como a CME evoluiu”, disse ela ao Space.com.
Por que esse evento foi diferente
O recorde anterior era de 10 espaçonaves, mas elas estavam distribuídas principalmente em uma linha aproximada entre o Sol, a Terra e além, o que tornava as medições essencialmente unidimensionais. Desta vez, as 17 espaçonaves estavam posicionadas não apenas a distâncias variadas do Sol, mas também amplamente afastadas da linha Sol-Terra, permitindo uma visão em pelo menos duas dimensões da estrutura da CME.
Essa distribuição revelou que a CME possuía dois lobos assimétricos. Um deles, mais rápido, seguiu em direção à Terra e a Marte. O outro, mais lento e maior, partiu em direção ao STEREO-A. O STEREO-A é uma das duas espaçonaves que compõem o sistema de monitoramento do clima espacial da NASA, conhecido como Observatório de Relações Solar-Terrestre.
“Nossas observações mostraram um lóbulo rápido se propagando pelo setor Terra-Marte e um muito mais lento, mais a oeste, em direção ao STEREO-A”, disse Luspay-Kuti.

Um esquema da Ejeção de Massa Coronal (EMC) mostra seus dois lóbulos progredindo pelo sistema solar.
O percurso da ejeção pelo sistema solar
- O observatório SOHO (NASA-ESA) detectou o início do evento, mas captou apenas o lóbulo (frente da ejeção) mais lento. O lóbulo mais rápido, direcionado à Terra, viajava oculto pelo maior.
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Em 16 de dezembro, A CME é detectada a 0,35 Unidades Astronômicas (UA) do Sol, passando perto de Mercúrio e da sonda BepiColombo da Agência Espacial Europeia. Uma UA corresponda a distância da Terra ao Sol.
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Em 17 de dezembro, o lóbulo mais rápido atinge a Terra, sendo registrado por várias sondas (sem gerar auroras fortes). A missão Solar Orbiter não detectou a CME nesse dia. Essa ausência de sinal foi crucial para os cientistas delimitarem o formato da ejeção.
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Em 18 de dezembro, o lóbulo mais lento atinge a sonda STEREO-A da NASA (localizada a 1 UA do Sol, assim como a Terra, mas em outro ponto da órbita).
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Entre a Terra e Marte: A missão Europa Clipper detecta o lobo mais rápido a 1,19 UA, enquanto estava a caminho de Júpiter.
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19 a 20 de dezembro: A missão MAVEN registra a passagem final da CME ao chegar em Marte.
O que a descoberta significa para a exploração espacial
“Isso importa para a futura exploração humana porque uma CME não detectada pode significar a perda de tempo valioso de alerta”, disse Luspay-Kuti. “CMEs rápidas podem gerar choques que aceleram partículas de alta energia, representando risco de radiação para astronautas fora do campo magnético protetor da Terra.”
A causa da assimetria da CME ainda não está esclarecida, e os pesquisadores seguem investigando o tema. A principal questão em aberto é a frequência com que CMEs assimétricas ocorrem. No futuro, essas missões serão complementadas pela missão Vigil, da Agência Espacial Europeia, prevista para lançamento em 2031 com destino ao ponto de Lagrange L5 Sol-Terra, 60 graus atrás da Terra em sua órbita,, oferecendo monitoramento adicional fora do eixo Sol-Terra.
Os resultados foram publicados em 19 de agosto na revista Science Advances.
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