7 filmes brasileiros mais importantes da última década e onde assisti-los online

7 filmes brasileiros mais importantes da última década e onde assisti-los online

Recentemente, o filme brasileiro O Agente Secreto ganhou duas estatuetas no Globo de Ouro 2026 e trouxe à tona, mais uma vez, como o cinema nacional tem se popularizado no exterior. Por isso, a fim de homenagear o audiovisual do nosso país, o Olhar Digital elaborou uma lista com 7 dos longas brasileiros mais importantes do Brasil, lançados na última década.

Os títulos foram escolhidos mediante a importância do contexto narrativo que apresentam e sua capacidade de tecer críticas sociais enquanto entretém os telespectadores. Confira os títulos a seguir.

7 filmes brasileiros mais importantes da última década e onde assisti-los online

Vale lembrar que os filmes citados aqui são da última década, ou seja, a partir de 2015. Contudo, a lista contempla apenas alguns, de maneira que ainda há vários outros títulos tão importantes quanto, mas que não foram citados aqui.

Bacurau (2019)

Bacurau
O longa traz por meio da trama fortes críticas sociais. (Imagem: Telecineplay)

Bacurau é um pequeno vilarejo, localizado no serão de Pernambuco. Um dia, os moradores percebem que o município não consta mais em qualquer mapa, como se sua história, aos poucos, sofresse um apagamento cultural e geográfico.

Nisso, coisas atípicas passam a ocorrer com frequência: drones sobrevoando os céus, carros baleados, cadáveres brotando aqui e acolá. Agora, os moradores precisam se juntar e lutar contra quem ou o que ameça seu povo.

O longa faz uma crítica ferrenha às mazelas sociais, dialogando com diferentes formas de violência, questionando o que seria a identidade nacional e até autorreferenciando o período de colonialismo brasileiro. É uma metáfora contra a opressão brasileira, desigualdade e o abandono estatal.

O elenco conta com nomes como Udo Kier, Silvero Pereira, Sônia Braga, Bárbara Colen, Thomas Aquino e muito mais.

É possível assisti-lo na Netflix, Prime Video, Globoplay e Apple TV.

Que Horas Ela Volta? (2015)

Mulher sorrindo com jovem deitado em seu colo, ela faz carícias no cabelo dele.
Que Horas Ela Volta? é um filme independente com a atriz Regina Casé/Imagem de divulgação Pandora Filmes

Val é uma mãe solteira que há muito saiu de casa para se dedicar exclusivamente à família para quem trabalha. Ela mora na casa, mas mesmo nos horários (e dias) de folga não pode deixar a louça suja. É tida pelos patrões como ‘membro’ da família, mas não é costume comerem todos na mesma mesa. Os patrões até aceitam presentes, mas não o utilizam, o consideram inferior e fazem piada.

A empregada está acostumada com o tratamento e faz vista grossa constantemente, mas quando sua filha Jéssica se muda temporariamente para a casa dos patrões da mãe, a fim de se preparar para o vestibular, as coisas mudam.

Jéssica até pode ser folgada, mas ela questiona muitos aspectos da realidade de sua mãe e expõe os ‘furos’ na relação maravilhosa que Val acredita ter com os patrões.

O longa é mais uma realidade escancarada do que realmente um filme, visto que expõe na tela o que muitas empregadas domésticas são obrigadas a viver no Brasil; especialmente no que diz respeito ao deboche diário de seus empregadores e a exploração das rotinas de trabalho.

O elenco embarca nomes como Regina Casé, Camila Márdila, Michel Joelsas, Karine Teles, Helena Albergaria e muito mais.

É possível assisti-lo na Netflix, Prime Video, Globoplay e Apple TV.

Aquarius (2016)

O filme disseca a ganância das construtoras e imobiliárias, que avançam, por meio de um processo de gentrificação, sobre todos os antigos moradores de um lugar. A partir daí, a sua casa deixa de ser um local seguro, de memórias e de pertencimento, e passa a ser o palco de violência e intolerância institucional conforme diferentes empresas assediam moradores.

Esta é a rotina enfrentada pela protagonista, a qual se vê encurralada, perseguida e assediada por funcionários de uma empreiteira que compraram todos os apartamentos ao seu redor e querem forçá-la a desistir da própria casa.

O longa traz uma discussão talvez até pouco discutida, mas muito real e recorrente nos centros urbanos de cidades de todo o país.

O elenco embarca nomes como Sônia Braga, Maeve Jinkings, Irandhir Santos, Humberto Carrão, Zoraide Coleto.

É possível assisti-lo na Netflix, Prime Video, Globoplay e Apple TV.

As Boas Maneiras (2017)

O longa mistura drama e ficção fantástica para explorar conteúdos de lendas folclóricas, porém, mesclando habilmente com críticas sociais.

Ana é uma mulher rica, grávida e sozinha. Ela precisa de alguém para ajudá-la com os afazeres domésticos e organizacionais enquanto a criança não nasce. Com isso, ela contrata Clara, uma enfermeira que servirá como uma baba e ‘faz-tudo’.

Clara é comedida, inteligente e instruída a não fazer fofoca sobre o que vê e ouve na casa de Ana. Apesar de parecer um pedido razoável no início, o tempo mostra que os acontecimentos dentro daquela casa transcendem a normalidade e colocam em cheque o que ela achava ser real ou ficção.

Há a exploração fantástica do conto do lobisomem ao mesmo tempo em que a narração cutuca temas como desigualdade de classe, racismo e colonialismo. A película disseca a divisão entre ricos e pobres em São Paulo, a exploração do trabalho com heranças pautadas da época da escravidão, e o preconceito latente contra mulheres pretas e pobres.

O elenco do filme engloba nomes como Isabél Zuaa, Marjorie Estiano, Miguel Lobo, Gilda Nomacce.

É possível assisti-lo no Prime Video.

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Arábia (2017)

Cristiano foi um homem esforçado e que trabalhou muito para o próprio sustento. Marginalizado numa cidade de Minas Gerais, ele é explorado até a exaustão todos os dias, garantindo relatos de seu dia a dia em um diário.

Um dia, contudo, ele sofre um acidente e vai a óbito. Seu diário é encontrado por um jovem chamado André, o qual tem acesso às narrativas do falecido, que descreviam a exploração trabalhista que sofria e todas as desilusões que viveu.

Arábia é um filme que traz duras realidades, como a vida das pessoas que têm sonhos, mas que geralmente não tem tempo de alcançá-los porque precisam se matar de trabalhar para se sustentar financeiramente.

O elenco começa com nomes como Aristides de Sousa, Murilo Caliari, Renata Cabral, Carlos Francisco, Renan Rovida e mais.

É possível assisti-lo no Prime Video e Apple TV.

Ainda Estou Aqui (2024)

Pôster do filme Ainda Estou Aqui
Capa do filme Ainda Estou Aqui (Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

A ditadura militar brasileira foi um regime autoritário que ocorreu de 1964 a 1985, quando os militares desrespeitaram o estado democrático de direito e usurparam o poder administrativo do país.

Este filme, baseado numa história real e adaptado do livro homônimo de Rubens Paiva, narra a história de Eunice. Ela foi uma mulher dona de casa e ativista dos direitos humanos, principalmente durante o endurecimento do período ditatorial brasileiro no início dos anos 70.

Um dia, militares aparecem na casa de sua família e exigem que seu marido seja levado para interrogatório. Só que ele nunca mais volta.

Já no dia seguinte, Eunice e uma de suas filhas são levadas de casa com capuzes na cabeça. Por 12 dias, Eunice sofreu interrogatórios e tortura, além de ser acusada injustamente de crimes que não cometeu.

Elas foram soltas, mas seu marido nunca mais foi visto e ela passou o resto de seus dias divulgando na mídia as atrocidades cometidas com sua família e com outros cidadãos brasileiros em busca de justiça.

O enredo fala por si só sobre a importância desse filme, mas, sendo mais descritivo, narra e explora todo o drama, tortura, e toda forma de ilegalidade que abateu o Brasil e várias países latino-americanos durante o período ditatorial.

O elenco engloba nomes como Fernanda Torres, Seltom Mello, Valentina Herszage, Fernanda Montenegro, Olívia Torres, Bárbara Luz e muito mais.

O filme pode ser assistido no Globoplay.

Vitória (2025)

Nina é uma mulher idosa que morava sozinha em um apartamento modesto, localizado vizinho a um periferia. Todos os dias, ela caminha, faz compras, vive sua vida, mas sempre que volta para casa, ela e seus vizinhos são constantemente atormentados pela criminalidade crescente da favela.

Balas perdidas entram seu apartamento e furam suas paredes, quebram sua xícara favorita e a fazem deitar-se no chão, com medo de também ser atingida.

Estarrecida por essa vida, ela vai até uma delegacia para fazer uma denúncia, que infelizmente é tratada com pouco caso. Então, ela decide comprar uma filmadora e, de sua janela, gravar todas as ilegalidades que ocorrem na vizinhança.

As fitas de vídeo que acumula capturam ameaças, assassinatos, porte e uso ilegal de arma de fogo, venda de drogas, venda de armas, suborno de funcionários públicos, currupção e muito mais.

Com as fitas em mãos, ela as leva para a polícia e mais uma vez é desdenhada dos oficias da lei, que são corruptos. Mas tudo muda quando um repórter policial e investigativo se interessa por sua história e decide ajudá-la a divulgar, com exclusividade, o conteúdo preocupante das fitas.

A narrativa é baseada numa história real que, inclusive, forçou a idosa a se mudar para evitar que fosse caçada e morta pelos criminosos. O longa cita e contextualiza que a vivência nas periferias podem ter dois lados: pessoas que buscam viver normalmente, sem se envolver com crimes; e aquelas que parecem conhecer apenas os hábitos ilegais.

Num país onde morros inteiros são dominados por traficantes, policiais corruptos não fazem seu trabalho, com o aumento da violência policial e da falta de segurança pública, o filme Vitória escancara a realidade da classe baixa brasileira.

O elenco engloba nomes como Fernanda Montenegro, Linn da Quebrada, Sacha Bali, Alan Rocha e Silvio Guindane.

O filme pode ser assistido no Globoplay e Prime Video.

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