Anthropic bloqueia IA usada para vigiar dissidentes e minorias

Anthropic bloqueia IA usada para vigiar dissidentes e minorias

A Anthropic afirma ter bloqueado operações de vigilância apoiadas por governos da China, do Irã e do Mali que utilizavam o Claude para monitorar dissidentes e minorias.

Detectadas entre janeiro e julho, as operações envolveram identificação de pessoas nas redes sociais e criação de software para coleta de inteligência. A empresa ainda interrompeu usos relacionados a armas, pesquisas biológicas suspeitas e golpes românticos online.

Leia mais:

Ilustração de bandeira do Irã feita com códigos de programação
Em um dos casos, pessoas no Irã usaram o Claude para desenvolver um método de identificação por contas em redes sociais. Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Claude entrou em operações de vigilância

As campanhas tinham como alvo comunidades que, segundo a Anthropic, já são perseguidas historicamente por esses governos. A lista inclui ativistas pró-democracia de Hong Kong, comunidades tibetanas e opositores do regime iraniano que vivem no exterior.

Em um dos episódios, pessoas no Irã desenvolveram um método para identificar indivíduos por meio de suas contas em redes sociais. No Mali, um contratado que trabalhava para autoridades de segurança nacional usou o Claude “para projetar o software subjacente que permitiu a coleta de inteligência”.

Entre os usos identificados estavam:

  • Identificação de pessoas por contas em redes sociais;
  • Monitoramento de dissidentes e minorias no exterior;
  • Desenvolvimento de software para coleta de inteligência;
  • Operações de vigilância apoiadas por governos.

A Anthropic afirma ter encerrado as operações depois de identificar o uso indevido de seus modelos.

Dados também foram usados para treinar outros modelos

Desenvolvedores chineses foram acusados pela empresa de usar o Claude de forma enganosa. Eles geravam respostas para consultas de usuários e, ao mesmo tempo, “destilavam” esses dados para aprimorar seus próprios modelos.

Na prática, a destilação consiste em usar um modelo de IA para treinar outro. Segundo a Anthropic, desenvolvedores chineses já haviam sido acusados anteriormente de utilizar essa técnica sem autorização.

mpox
A Anthropic também bloqueou estudos envolvendo chikungunya, gripe aviária, varíola, mpox, venenos e toxinas. Imagem: QINQIE99/Shutterstock

Pesquisas biológicas entraram na lista de bloqueios

A Anthropic identificou ainda estudos relacionados ao vírus chikungunya, a uma cepa “altamente patogênica” de gripe aviária, a uma família de vírus que inclui varíola e mpox, além de venenos e outras toxinas.

Leia mais:

A intenção dos envolvidos não estava clara, e a empresa não revelou suas identidades.

“As pessoas envolvidas nesses estudos de caso são cientistas. Não afirmamos que tivessem a intenção de causar danos. Identificá-las ou identificar seus laboratórios poderia expô-las a riscos”, afirmou o relatório.

A Anthropic também bloqueou tentativas de desenvolver armas e criar golpes românticos online. Os episódios relatados pela empresa incluem diferentes formas de uso indevido de seus modelos, desde operações de vigilância até pesquisas cuja finalidade não estava clara.

O post Anthropic bloqueia IA usada para vigiar dissidentes e minorias apareceu primeiro em Olhar Digital.