Apagão da Starlink paralisou testes de drones militares dos EUA, diz Reuters

Apagão da Starlink paralisou testes de drones militares dos EUA, diz Reuters

Documentos internos da Marinha dos Estados Unidos, obtidos com exclusividade pela Reuters, revelam que a crescente dependência militar na Starlink, de Elon Musk, criou um gargalo preocupante. Segundo a agência de notícias, um apagão global ocorrido em agosto de 2025 deixou duas dezenas de embarcações de superfície não tripuladas (USVs) à deriva na costa da Califórnia, interrompendo comunicações e paralisando operações por quase uma hora.

O incidente ocorreu durante testes de drones destinados a reforçar as opções militares dos EUA em um eventual conflito com a China. Sem a conexão da rede de satélites da SpaceX, os operadores ficaram incapazes de se comunicar com os barcos autônomos, evidenciando a fragilidade de um sistema que se tornou indispensável para o governo norte-americano.

Limitações técnicas e sobrecarga

Além do apagão de agosto, outros relatórios de segurança da Marinha, datados de abril de 2025, já apontavam que a Starlink apresentava dificuldades em fornecer uma conexão estável durante testes com múltiplos drones e barcos simultâneos.

O alto uso de dados necessário para controlar diversos sistemas ao mesmo tempo expôs as limitações da rede sob carga intensa. De acordo com a Reuters, os documentos afirmam textualmente que a “dependência da Starlink expôs limitações sob carga de múltiplos veículos”.

O risco do monopólio da SpaceX

A revelação surge em um momento crucial para a empresa de Elon Musk, que se prepara para uma oferta pública inicial (IPO) no verão de 2026, com uma avaliação estimada em US$ 2 trilhões. Atualmente, a SpaceX detém um quase monopólio em lançamentos espaciais e comunicações via satélite de órbita baixa (LEO).

Especialistas e parlamentares democratas têm alertado o Pentágono sobre os riscos de confiar capacidades de segurança nacional tão críticas a uma única companhia liderada pelo homem mais rico do mundo. Entre os pontos de atrito citados pela agência estão:

  • Ucrânia: o episódio em que Musk desligou o acesso à Starlink para tropas ucranianas durante uma ofensiva contra a Rússia;
  • Taiwan: preocupações de que a SpaceX estaria retendo comunicações para militares dos EUA na região, possivelmente violando obrigações contratuais.

Apesar das falhas e das polêmicas geopolíticas, especialistas em guerra autônoma afirmam que os benefícios da Starlink superam os riscos. O sistema é considerado barato, onipresente e oferece uma rede de quase 10.000 satélites, o que a torna mais resiliente contra ataques de adversários do que sistemas tradicionais de comunicação.

Embora a Amazon esteja entrando na disputa com um acordo de US$ 11,6 bilhões para adquirir a fabricante de satélites Globalstar, a SpaceX permanece anos à frente na infraestrutura necessária para suportar os novos programas de IA e drones do Departamento de Defesa.

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