Artemis 2: o conselho de quem já pisou na Lua à tripulação

Artemis 2: o conselho de quem já pisou na Lua à tripulação

O ex-astronauta Harrison Schmitt, de 90 anos, que participou da missão Apollo 17 em 1972, comentou sobre o novo voo tripulado da NASA que partiu na quarta-feira (1º). A missão Artemis 2 leva quatro astronautas em uma viagem ao redor da Lua, marcando o início de uma nova fase da exploração lunar.

Schmitt, que integrou a última missão tripulada a pousar no satélite natural da Terra, afirmou que a experiência deve ser marcante para a nova tripulação. Segundo ele, cada momento fora do planeta traz percepções inéditas, algo que, na avaliação do ex-astronauta, deve se repetir com os integrantes da Artemis 2.

Harrison Schmitt em traje espacial branco posa em estúdio ao lado de uma bandeira dos Estados Unidos e um globo lunar
Harrison Schmitt em retrato oficial como astronauta da missão Apollo 17, última a levar humanos à superfície da Lua – Imagem: Reprodução / NASA

Conselho de quem já esteve na Lua

Em entrevista com a NBC News, Schmitt destacou que a preparação será essencial para a missão. Ele orienta os astronautas a dominarem completamente o treinamento e estarem prontos para lidar com situações inesperadas, sem deixar de aproveitar a jornada.

Cada dia, cada hora, cada minuto é uma nova experiência”, disse Schmitt.

Ele também aconselhou diretamente a tripulação: “Certifique-se de que o treinamento esteja totalmente dominado. Esteja pronto para qualquer imprevisto, mas aproveite. Divirta-se.”

O que muda da Apollo para Artemis

A missão Apollo 17 ocorreu em um contexto de disputa entre Estados Unidos e União Soviética. Atualmente, a NASA enfrenta uma nova concorrência, desta vez com a China, que tem planos de levar astronautas à Lua até 2030.

A Artemis 2 também representa uma mudança de objetivos. Enquanto o programa Apollo focava em missões pontuais, a nova iniciativa pretende estabelecer uma presença mais duradoura no satélite. O plano inclui a construção de uma base lunar e, no futuro, o uso dessa estrutura como apoio para missões a Marte.

Experiências e descobertas na superfície lunar

Durante a Apollo 17, a tripulação passou quase 13 dias no espaço, sendo mais de três deles na superfície lunar. Os astronautas percorreram cerca de 19 milhas com um rover e trouxeram 243 libras de amostras geológicas para a Terra, o maior volume já coletado em missões desse tipo.

Schmitt relembrou momentos específicos da viagem, como a entrada na órbita lunar pelo lado escuro da Lua. “Estávamos pousando no lado leste da Lua, e o Sol estava apenas começando a nascer”, disse. “Entrar na escuridão da Lua foi algo marcante, porque uma das primeiras coisas que você percebe é que ela é iluminada pela luz da Terra. Há um tom azulado nessa iluminação.”

O que a Artemis 2 pode revelar

De acordo com Reid Wiseman, comandante da Artemis 2, a missão poderá oferecer uma visão mais ampla do lado oculto da Lua. “Acontece que cerca de 60% do lado oculto, acredito, nunca foi visto por olhos humanos por causa das condições de iluminação”, afirmou durante um briefing.

Ele acrescentou: “Já vimos isso em fotos de satélite, mas humanos nunca, nunca viram isso antes. Isso é incrível.”

astronauta Reid Wiseman em frente à bandeira dos EUA
Reid Wiseman, astronauta da missão Artemis 2 – Imagem: Divulgação / NASA

A Artemis 2 deve alcançar um ponto a aproximadamente 6.000 milhas da superfície lunar no sexto dia de viagem. A trajetória também pode levar a tripulação a uma distância da Terra maior do que qualquer missão tripulada anterior.

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Retorno à Lua e próximos passos

O encerramento da Apollo 17 marcou, por décadas, o fim das missões tripuladas à Lua pelos Estados Unidos, em meio à redução de orçamento e mudanças de prioridades para estações espaciais.

Agora, a NASA busca retomar essa presença com objetivos mais amplos. Schmitt acredita que, no futuro, será possível manter pessoas na Lua por meses ou até anos, além de avançar em direção a Marte.

“Não me surpreenderia ver, ainda durante a vida de outras pessoas, gente permanecendo lá por meses e anos e até mesmo estabelecendo uma base na Lua”, disse. “Marte é alcançável, e acredito que vamos continuar avançando.”

Ele explicou o motivo dessa visão: “Somos humanos, é isso que sempre fizemos.” E completou: “Desde o início da humanidade na África até hoje, sempre expandimos. Isso faz parte da nossa natureza, da nossa psicologia.”

Schmitt também destacou a relevância estratégica dessas missões. “Esse tipo de voo é extraordinariamente importante para o país”, afirmou. “A China claramente está interessada em dominar o espaço, assim como busca dominar atividades na Terra. Por isso, é um esforço nacional que precisa ser feito da maneira certa.”

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