As IAs da Amazon serão abastecidas por… bactérias! Ou quase isso

As IAs da Amazon serão abastecidas por… bactérias! Ou quase isso

A Amazon fechou um acordo para se tornar a primeira cliente da Nuton Technologies, empresa que obtém cobre usando um processo envolvendo microorganismos como bactérias. O minério será usado para abastecer indiretamente os data centers da big tech.

A parceria acontece em meio à pressão das companhias de tecnologia para garantir demanda por poder computacional e seguir competindo na corrida de IA.

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Amazon se tornará a primeira cliente comercial da Nuton (Imagem: Mickis-Fotowelt/Shutterstock)

Cobre extraído usando bactérias

A Nuton Technologies é o braço tecnológico da mineradora Rio Tinto. Com o acordo, a Amazon Web Services, divisão em nuvem da Amazon, se torna a primeira cliente comercial da empresa.

O diferencial da companhia é o método de biolixiviação, que extrai cobre de minérios de baixa qualidade – que seriam muito caros de produzir de outras formas – usando microorganismos naturais, como bactérias e ácido. Além disso, o processo reduz o consumo de água e as emissões de carbono em comparação com técnicas tradicionais de mineração.

O cobre destinado à Amazon virá da mina Johnson Camp, localizada a leste de Tucson, que foi reativada após anos de inatividade. O local funciona como campo de testes para a tecnologia da Nuton e, em dezembro, produziu seus primeiros cátodos de cobre utilizando esse método biológico. A estratégia permite recuperar metal de camadas de minério anteriormente consideradas economicamente inviáveis, acelerando a produção sem a necessidade de abrir novas minas – um processo que costuma levar décadas.

Processo permite obter minérios sem ter que abrir novas minas (Imagem: Nuton Technologies/Reprodução)

Amazon reforça seus data centers

Segundo o The Wall Street Journal, o cobre extraído da mina será usado indiretamente nos data centers da Amazon Web Services.

Em troca, a AWS o acordo prevê que a Amazon ofereça à Rio Tinto serviços de computação em nuvem e análise de dados. O objetivo é otimizar o desempenho do processo de extração e ampliar as taxas de recuperação do metal, ajudando a mineradora a escalar a tecnologia para outras operações nas Américas.

A parceria vem em meio à crescente pressão sobre a cadeia global de suprimentos causada pela expansão acelerada da IA e dos data centers. Na prática, cada big tech está encontrando formas de manter suas operações seguras, mesmo diante da escassez.

Data center de IA da Amazon
Cobre será usado indiretamente para abastacer data centers da Amazon (Imagem: Amazon/Divulgação)

Cobre não dará conta das necessidades da Amazon

  • O volume produzido pela Nuton para a Amazon é apenas uma fração das necessidades da empresa, já que os data centers consomem dezenas de milhares de toneladas de cobre em cabos, placas eletrônicas, transformadores e sistemas elétricos;
  • A expectativa de produção é de cerca de 14 mil toneladas métricas de cátodos ao longo de quatro anos, o que não deve ser suficiente para abastecer uma única instalação de grande porte;
  • Ainda assim, o movimento reflete uma tendência mais ampla de empresas de tecnologia buscando garantir acesso antecipado a matérias-primas críticas;
  • A demanda por cobre vem sendo impulsionada não apenas pela expansão dos data centers, mas também pela modernização das redes elétricas, pela eletrificação dos transportes e pelo avanço das fontes renováveis de energia.

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