Os astronautas da Artemis 2 já estão a caminho de casa, mas antes de voltarem à Terra, eles reservaram 15 minutos para uma conversa com antigos colegas, que também estão no espaço, mas em outra posição: na Estação Espacial Internacional (ISS). A ligação, na terça-feira (7), foi marcada por perguntas curiosas e respostas que revelaram como é ver o planeta natal do espaço profundo.
O “efeito de visão geral” em nova perspectiva
A primeira pergunta veio de Jessica Meir, da NASA, velha conhecida de Christina Koch, tripulante da Artemis 2. As duas fizeram história juntas em 2020, ao realizarem a primeira caminhada espacial totalmente feminina. Meir quis saber como era a sensação de contemplar a Terra agora, a partir da órbita lunar, em comparação com a vista da ISS.
Koch não hesitou. “Para começar, devo dizer que sentimos muita falta da ISS”, respondeu, arrancando sorrisos. Ela lembrou que, da estação, é possível ver lugares específicos — até a própria casa. Mas a vista do espaço profundo trouxe uma dimensão nova.
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“O que mudou para mim ao olhar para a Terra foi que me vi percebendo não apenas a beleza do planeta, mas também a escuridão que o cercava, e como isso o tornava ainda mais especial”, disse Koch.
A reflexão da astronauta toca no chamado “efeito de visão geral” — a mudança de perspectiva, muitas vezes transformadora, que ocorre quando se vê a Terra como um mundo frágil e solitário em meio ao cosmos escuro. Mas, para Koch, a experiência foi além.

“Isso realmente enfatizou o quanto somos parecidos, como a mesma coisa mantém cada pessoa no planeta Terra viva. Evoluímos no mesmo planeta, compartilhamos algumas coisas sobre como amamos e vivemos que são simplesmente universais, e a singularidade e o valor disso ficam ainda mais evidentes quando percebemos quanta coisa existe ao nosso redor.”
Surpresas e deslumbramento
A conversa, que contou com os quatro tripulantes da Artemis 2 — Koch, Reid Wiseman, Victor Glover (NASA) e Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense) — também incluiu perguntas dos astronautas da ISS Chris Williams, Jack Hathaway (NASA) e Sophie Adenot (ESA). Os três cosmonautas russos a bordo não participaram.

Sophie Adenot perguntou o que mais surpreendeu a equipe até agora. Victor Glover respondeu com sinceridade: “Não quero dar uma resposta tão curta, mas posso dizer com toda a sinceridade que ‘tudo’.” Ele listou marcos da missão — o lançamento, as manobras em órbita da Terra, a jornada até a Lua e a passagem rente à superfície lunar. “Toda essa jornada tem sido interessante.”
A caminho de casa
A Artemis 2, primeira missão tripulada a deixar a órbita baixa da Terra desde a Apollo 17 (1972), já iniciou sua viagem de retorno. A previsão é de que a cápsula Orion amerisse no Oceano Pacífico na noite de sexta-feira (10), encerrando uma missão de 10 dias que recolocou a humanidade no caminho da Lua.
O próximo passo da NASA será a Artemis 3, em 2027, que testará manobras de encontro e acoplamento em órbita terrestre. E então a Artemis 4, já com pouso lunar tripulado previsto para o final de 2028. Mas antes, os quatro exploradores ainda têm alguns dias de voo para contemplar a Terra — e, como Christina Koch bem descreveu, a bela e frágil escuridão que a rodeia.
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