Blue Origin expande suas operações no Cabo Canaveral

Blue Origin expande suas operações no Cabo Canaveral

A Blue Origin planeja transformar novamente o Complexo de Lançamento 36 (LC-36), em Cabo Canaveral, na Flórida (EUA), em uma instalação com duas plataformas para apoiar o futuro foguete New Glenn 9×4, versão maior e mais potente do veículo que ainda está em desenvolvimento.

O anúncio ocorre enquanto a empresa continua trabalhando na reconstrução da plataforma LC-36A, danificada pela explosão de um New Glenn durante um teste em maio.

A Blue Origin também pretende construir, em área próxima, estruturas de apoio às operações do complexo, incluindo uma Instalação de Integração Vertical (VIF) para o New Glenn 9×4 e uma Instalação de Processamento de Carga Útil (PPF).

A companhia afirma estar confiante de que conseguirá concluir os reparos da LC-36A a tempo de fazer o New Glenn 7×2 voltar a voar até o fim deste ano. A Blue Origin, porém, ainda não informou quando a nova LC-36B ficará pronta nem quando o New Glenn 9×4 fará seu primeiro lançamento.

Dois modelos de New Glenn

  • As denominações 7×2 e 9×4 indicam a configuração de motores dos dois modelos do foguete;
  • O New Glenn 7×2, versão atualmente em operação, utiliza sete motores BE-4 no primeiro estágio e dois BE-3U no segundo. Já o futuro New Glenn 9×4 terá nove BE-4 no primeiro estágio e quatro BE-3U no segundo;
  • Os dois modelos foram projetados para que o primeiro estágio possa pousar e ser reutilizado. A configuração 9×4, porém, será mais potente e capaz de colocar cargas maiores e mais pesadas em órbita;
  • A nomenclatura é semelhante à utilizada pela SpaceX no Falcon 9, cujo primeiro estágio é equipado com nove motores Merlin 1D dispostos em configuração circular, com oito ao redor de um motor central.

Reparos após explosão

A necessidade de reconstruir a LC-36A surgiu após a explosão do quarto New Glenn, conhecido como NG-4, durante teste em 28 de maio.

O foguete estava programado para levar ao espaço um conjunto de satélites de internet da Amazon Leo, mas foi destruído durante o teste. A explosão também provocou danos significativos à infraestrutura do complexo.

Em junho, o CEO da Blue Origin, Dave Limp, afirmou que a empresa pretendia colocar o New Glenn novamente em voo antes do fim de 2026.

Na época, a companhia informou que havia concluído as operações de recuperação de equipamentos e remoção dos destroços e iniciado a reconstrução da plataforma. A LC-36A, porém, não será simplesmente restaurada à configuração anterior.

A Blue Origin decidiu adotar uma nova configuração operacional, que combina etapas horizontais e verticais. Os estágios do foguete serão unidos horizontalmente na instalação de integração. Depois, o veículo integrado será levado à plataforma, onde um guindaste fará a movimentação para a posição vertical. A carga útil será instalada somente depois que o New Glenn estiver nessa posição.

A mudança substitui o antigo sistema de transporte e elevação do foguete por um guindaste e, segundo a empresa, também poderá aumentar a frequência de lançamentos.

Esse conceito operacional híbrido já vinha sendo desenvolvido para o New Glenn 9×4. Agora, ele será aplicado também à reconstruída LC-36A.

Blue Origin explosão
Explosão do foguete New Glenn, da Blue Origin – Imagem: Reprodução/Redes Sociais

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Segunda plataforma terá uma torre de 213 metros

A nova LC-36B será dedicada às operações do New Glenn 9×4. Segundo Limp, a construção exigirá até 2,5 mil toneladas de aço, grande parte destinada a uma torre de lançamento com aproximadamente 213 metros de altura.

“Tenho orgulho de honrar o legado do Complexo de Lançamento 36. Reconstruir a LC-36A e voltar a voar neste ano continua sendo nossa prioridade. Paralelamente a esse trabalho, uma equipe separada está começando a trabalhar na LC-36B, a base operacional do New Glenn 9×4”, afirmou Limp em uma publicação nas redes sociais em 12 de agosto.

Em comunicado, a Blue Origin também destacou a importância histórica do local. “A LC-36 serviu como um pilar do voo espacial americano durante décadas, apoiando uma ampla variedade de missões da NASA e de parceiros comerciais. Agora, esse local histórico está entrando em uma nova era, ampliando as operações do New Glenn.”

Um complexo com duas plataformas

O LC-36 nem sempre teve uma única plataforma. Durante aproximadamente quatro décadas, a partir dos anos 1960, o complexo abrigou duas plataformas utilizadas pelos foguetes Atlas-Centaur e, posteriormente, pelos Atlas 1, 2 e 3.

Nesse período, as plataformas foram usadas para lançamentos de sondas da NASA, incluindo as missões Surveyor, Mariner e Pioneer, além de cargas comerciais e de segurança nacional.

Essa era chegou ao fim com a aposentadoria dos foguetes Atlas. A LC-36A realizou seu último lançamento em 2004, enquanto a LC-36B foi usada pela última vez em 2005. Posteriormente, o complexo foi desativado e demolido.

A Blue Origin assumiu o contrato de arrendamento do LC-36 em 2015 e começou a construir sua própria instalação no local em 2016. O primeiro New Glenn foi lançado dali em 2025.

Desde então, o foguete realizou mais duas missões, sendo a mais recente em abril deste ano. A Blue Origin havia planejado realizar entre oito e 12 lançamentos em 2026, mas a explosão ocorrida em maio reduziu essa expectativa a apenas um possível lançamento no ano.

A reconstrução da LC-36A e a construção da LC-36B representam, portanto, uma tentativa de ampliar a capacidade operacional do complexo justamente enquanto a Blue Origin trabalha para recuperar o ritmo de lançamentos do New Glenn.

New Glenn 9×4 será mais potente

O New Glenn 7×2 atualmente é capaz de transportar aproximadamente 50 toneladas (45 toneladas métricas) de carga para a órbita baixa da Terra.

O futuro 9×4 deverá elevar essa capacidade para 77 toneladas (70 toneladas métricas). O novo foguete também terá uma coifa maior para acomodar cargas úteis mais volumosas: aproximadamente 8,7 metros de largura, contra 7 metros do modelo atual.

A Blue Origin já vinha preparando a LC-36B para receber os lançamentos do 9×4. Agora, a empresa confirmou que a nova plataforma também será adaptada para o conceito operacional híbrido.

Enquanto isso, a prioridade declarada continua sendo reconstruir a LC-36A e colocar o New Glenn 7×2 novamente em voo até o fim de 2026.

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